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Os negócios do Atlântida que a Judiciária está a investigar

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Era para ser o ferry que ligaria as ilhas dos Açores e, mais tarde, o navio-hotel que faria as viagens pela Amazónia. Acabou por não ser nada disso. O Atlântida tem uma vida curta mas cheia de percalços e negócios que ainda estão por explicar. Na última sexta-feira, a Polícia Judiciária realizou várias buscas nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, na empresa Douro Azul e no Ministério da Defesa. Os investigadores querem perceber o percurso do dinheiro. O Expresso desvenda a história, ou pelo menos parte dela

Na última sexta-feira, a Polícia Judiciária fez buscas em vários pontos do país como Viana do Castelo, Lisboa, Porto, Aveiro e Torres Vedras. As autoridades estiveram no Ministério da Defesa, nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e na Mistic Cruises, uma empresa de Mário Ferreira, dono da Douro Azul. Os investigadores querem saber pormenores sobre as transações comerciais que envolveram o navio Atlântida nos últimos anos. Em causa está a eventual prática dos crimes de administração danosa, corrupção e participação económica em negócio.

Em 2014, o navio foi comprado por Mário Ferreira por 8,75 milhões de euros aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, valor considerado demasiado baixo para as autoridades que coordenam o caso. Ao Expresso, o dono da Douro Azul confirmou que os inspetores levaram documentação sobre a compra do navio em 2014. E diz não ter nada a esconder.

Segundo Mário Ferreira, dois meses depois da compra aos estaleiros, os responsáveis da Mistic Cruises aperceberam-se de que o navio não tinha os requisitos necessários para realizar cruzeiros na Amazónia, como estava inicialmente previsto. A partir de então, houve “um trabalho de transformação do navio” para poder vir a ter um valor comercial de mercado, em que participaram vários técnicos estrangeiros. Depois de 24 certificados internacionais, o negócio com os noruegueses teve luz verde. A embarcação seria vendida, oito meses depois, por 17 milhões a uma empresa da Noruega, valor que o empresário não confirma. “Não confirmo o valor da venda nem o modelo como foi vendido.”

Além do negócio com a Mistic Rivers, as autoridades procuram documentos relativos a negócios da administração anterior dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, mais concretamente na subconcessão dos mesmos à Martifer, operação que deu origem a uma comissão de inquérito.