Siga-nos

Perfil

Expresso

Multimédia

Está longe da minissaia, mas a moda do gin também mudou mentalidades

  • 333

Ponto assente: para ser gin, tem que ter zimbro. Premium ou não, é questão complicada. Importante é encontrar um gin com o qual nos identifiquemos. Daniel Carvalho, apaixonado de gin e com livro publicado sobre a matéria, explica tudo

Até há três anos, Daniel Carvalho não gostava de gin tónico, porque “era servido em copo alto, com um limão de há uma semana, cheio de gelo e um dedo de água tónica, que era o que cabia”. Um dia foi jantar com a mulher à Taberna Moderna, do galego Luis Carballo, em Lisboa, e apaixonou-se pela bebida assim que viu o copo.

“No dia seguinte já tinha em casa uma garrafa de gin premium, uma tónica premium e comecei a descobrir a história, as diferenças de sabor, as harmonizações com a comida e os vários cocktails que se podem fazer.”

De curioso e estudioso passou a entendido e lançou, em coautoria com Miguel Somsen, o primeiro livro de gin em Portugal, “Vamos Beber um Gin?”. Tal como se lê no livro, “Portugal está no centro do furacão” desta (r)evolução social. Chegou mais tarde do que a outros países, mas chegou bem.

A moda do copo em balão veio do outro lado da fronteira, dos “nuestros hermanos", mas o gin conta com séculos de história. “Por aquilo que está datado, há um holandês que fez uma primeira destilação com zimbro, sempre na perspectiva de extrair as suas propriedades curativas: a 'genebra'. Entretanto, os ingleses pegaram na receita e transformaram a bebida no que hoje se conhece como gin”, explica Daniel Carvalho.

Portugal tem feito uma aposta clara na produção desta bebida e só este ano nasceram dez novos gins no nosso país. Há diferenças entre eles, naturalmente, e a primeira tem que ver com o processo de destilação. Para Daniel, é preciso fazer a distinção “entre os que são de produção inteiramente nacional, feito e engarrafado cá, e os que são produzidos (e até engarrafados) fora. Os mentores portugueses que produzem o gin lá fora procuram uma qualidade que em Portugal ainda não há. E isso nota-se”.

Fará sentido, então, falarmos em gin de entrada de gama e gin premium? “Essa discussão é um bocado complicada. Se para ser gin a bebida tem que ter zimbro e uma graduação mínima de álcool, no caso do 'premium' não há legislação que suporte a designação. Antigamente considerava-se 'premium' o gin que tivesse pelo menos três destilações, mas acho que não é por aí que possa ser considerado um gin 'premium'.”

Daniel considera que é difícil agarrar numa garrafa e dizer se é ou não um gin premium e dá o exemplo do “Bombay Sapphire”, “que é um gin de excelente qualidade com um preço baixo, levando a que o mercado seja muitas vezes nefasto, não o considerando um gin 'premium' muito por causa do preço”.

Como curioso que é, e por força do seu trabalho em sistemas de informação, Daniel viaja pelo mundo, aproveitando muitas vezes para fazer novas descobertas no que ao gin diz respeito. O último que encontrou foi na Nigéria. Mas não é preciso ir tão longe. “Os super e hipermercados já têm uma boa oferta de marcas de gin e de tónicas, assim como de utensílios e botânicos.”

O trabalho em sitemas de informação é que lhe dá dinheiro para viver, mas o gin é que lhe “preenche o coração”. Daniel prepara-se para um novo projeto, que pretende mostrar um outro lado do gin. A prova disso está na página de Facebook “Aqui vai nascer um projeto diferente de gin”. Esta é “a ponta do icebergue, mas pretende ser algo completamente diferente do que tem sido feito”.

Enquanto esperamos por novidades, façamos um brinde.