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26 mil esferográficas, 14 mil urnas e 760 quilos de lacre. Os números de uma eleição histórica

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Mais de mil caixas de lacre foram usadas pelas secções de voto que por todo o país, no dia 25 de abril de 1975, recolheram os boletins de milhões de eleitores. O Expresso percorreu os quatro mapas de despesas das eleições para a Assembleia Constituinte, elaborados pelo STAP, para saber quanto dinheiro esteve envolvido, onde e como foi gasto. Cada valor em escudos foi convertido para euros a preços correntes, tendo em conta a inflação.

Raquel Albuquerque (texto) Carlos Paes (infografia)

Um lápis e uma borracha, duas esferográficas azuis, um caderno de papel almaço de 35 linhas, dois metros de nastro e uma folha de papel de embrulho. Estes foram alguns dos materiais destinados a cada uma das 12.900 secções de voto, espalhadas por todo o país, que no dia 25 de abril de 1975, faz este sábado 40 anos, tiveram a responsabilidade de recolher pela primeira vez, de forma livre e universal, os votos dos portugueses para as eleições da Assembleia Constituinte.

A lista de materiais fornecidos a cada secção de voto está detalhada, com as respetivas quantidades, pesos e custos, num dos quatro mapas desdobráveis inseridos num longo relatório do Secretariado Técnico para os Assuntos Políticos (STAP), responsável pela organização das eleições de 1975.

Boletins de voto, urnas, verbetes de recenseamento, câmaras de voto e os respetivos livros de instruções são outros dos materiais enviados para cada uma das secções de voto dos 22 distritos então existentes. A lista mostra ainda que foram usadas mais de mil caixas de lacre, ou seja, 760 quilos de lacre.

Os três outros mapas de despesas mostram quanto foi gasto com vencimentos, horas extraordinárias e ajudas de custo ou transporte dos funcionários do STAP, assim como todo o tipo de despesas com rendas, água, eletricidade e gás, direito de antena, correios, telégrafos e telefones, fotocópias ou publicidade e anúncios.

Todos os valores de 1975, apresentados nos mapas em escudos, foram convertidos para euros, a preços correntes, tendo em conta a inflação, a partir do conversor disponibilizado no site da Pordata.