26/05/2012 atualizado às 10:14

Mulheres de Omã

A maioria das mulheres omanitas cobre o cabelo com o véu. Mas também há as que não se tapam e as que, ainda que bastante tapadas, se recusam a sentar ao lado de homens.

Margarida Mota, em Salalah
20:45 Terça feira, 28 de abril de 2009
Uma mulher usando o «hijab» vende incenso no «suq» de Salalah.
Uma mulher usando o «hijab» vende incenso no «suq» de Salalah.

"Desculpe, não se importa de trocar de lugar? Estão ali duas senhoras que não querem fazer a viagem sentadas ao lado de um homem!" Não questionei o pedido que a hospedeira da Oman Air me fez e acedi. Chegada ao meu novo lugar, vi que duas mulheres trajando o "hijab" - o lenço usado por muitas muçulmanas que pode deixar à vista apenas os olhos - seriam as minhas companheiras de voo, entre Mascate e Salalah, a segunda cidade de Omã, no Sul. Assim que me sentei, ambas me olharam, como que a agradecer, e uma disse-me, em inglês: "Obrigada por compreender!"

Observando as mãos das mulheres - porque pouco mais do corpo estava à vista -, conseguia perceber que uma era jovem e a outra mais velha, provavelmente mãe e filha. Durante a viagem, que durou cerca de hora e meia, mal falaram. A mais nova ocupou o tempo fazendo exercícios de Sudoku. A mais velha ia dormitando e lançando o olhar na direcção da janela. Quando foi servida a refeição, a mais nova levantou o véu para comer. A mais velha subia e descia o lenço à medida que metia mais uma colherada à boca.

Quando o avião aterrou em Salalah, a mais velha, de unhas pintadas, nas mãos e pés, apressou-se a ligar o telemóvel. De seguida, tirou um espelho da carteira para observar o rosto..., retocou o rímel, perfumou-se por debaixo do véu e meteu uma pastilha elástica à boca. A mais nova guardou o livro de Sudoku na mala do computador portátil e saiu atrás da mais velha. Perguntei, então, à hospedeira qual a razão daquela situação. Ela respondeu: "As mulheres de Salalah não gostam de se sentar ao lado de homens" - que não sejam da sua família, presume-se.

Um dia passado em Salalah foi suficiente para perceber que as mulheres locais vestem de forma incomparavelmente mais conservadora do que as da capital. Em Mascate, a maioria das mulheres cobre o cabelo, mas muitas há que não se cobrem e não são, por isso, apontadas a dedo. Em Omã, as mulheres podem escolher a profissão que querem - há quatro ministras no governo - e não são obrigadas a observar regras quanto à forma de vestir. A não ser as regras ditadas pela própria família...

Palavras-chave  Postais, Enviados, Omã, véu, Expresso, Mulheres
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Saudades do futuro
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos (Despropositado), 21:31 | Terça feira, 28 de abril de 2009
Irra, porque é que eu tinha de nascer numa época destas?

Nestas alturas é tramado ser-se ateu pois não se tem um Deus a quem amaldiçoar por ter gerado uma espécie tão mesquinha.

Passo a vida a ensinar a importância do relativismo cultural mas há coisas que não podem deixar de ser ditas: isto tudo que aqui foi relatado só é um sinal do peso das crenças arcaicas da superioridade do homem sobre a mulher, crenças essas que estão enraízadas nas "verdades absolutas" da Palavra do Grande Senhor.

Seja ele Alá, Yaveh, Deus ou outro nome qualquer (o dito cujo tem sérios problemas de registo civil e até criminal), as verdades desse senhor são repugnantes e asquerosas.

Já está mais do que na altura de libertar metade da espécie humana dessas "verdades absolutas".

O Homem é superior à Mulher? Só se for na estupidez!
 
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    Re: Saudades do futuro    Ver comentário
papadk (seguir utilizador), 2 pontos , 8:43 | Quarta feira, 29 de abril de 2009
    Re: Saudades do futuro    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 13:03 | Quarta feira, 29 de abril de 2009
    Re: Saudades do futuro    Ver comentário
papadk (seguir utilizador), 1 ponto , 14:59 | Quarta feira, 29 de abril de 2009
    A inveja é muito feia principalmente num "cristão"    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 12:44 | Sexta feira, 1 de maio de 2009
Fundamentalismos piores que virus
C$ (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 22:17 | Terça feira, 28 de abril de 2009
A humaniddae só se emancipa quando se libertar de religiões e todos os que as usam para escravizar e parasitar.
 
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Relativismos Culturais
M.Farid (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 0:55 | Quarta feira, 29 de abril de 2009
Para os ocidentais é notícia uma mulher com "hijab" a vender incenso num "suk" de Salalah em Omã.
Será que para os Omanitas será notícia uma miss, loiraça, em bikini,deitada sobre um Ferrari,tentando vendê-lo nalguma exposição em Nova York?
Não será tudo uma questão do tal "relativismo cultural"?
Ou teremos de atribuir tais comportamentos e costumes às respectivas religiões?
 
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O que é relativo
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 7:59 | Quarta feira, 29 de abril de 2009
Concordo com M. Farid: uma mulher com "hijab" ou uma mulher em “bikini”, com Ferrari ou sem ele, é, pura e simplesmente, e acima de tudo, mulher. Mas não há mulheres, nem homens sem cultura. E nada mais, ou melhor, do que o vestir para mostrar a cultura que se tem. Uma mulher em bikini, quanto a mim, pode ser uma visão muito bela. Mas também pode ser um enorme pesadelo. Uma mulher com o véu, como em Omã, pode ser uma visão estranha, enquanto eu não estiver habituado. Mas estou certo que, tendencialmente, uma mulher em “hijab” pode ser, de facto, muito mais livre, e segura de si, do que uma em bikini, quando esta se reduz a um mero objecto de prazer, “comida” por todos os olhares, quando aquela, em Omã, permanece totalmente senhora de si e do seu corpo. Outra coisa será o que se passa na intimidade do casal. Não sei. Só sei que confundir relativismo cultural com religião é uma coisa espantosa. Quem o afirma não sabe mesmo nada, pelo menos, de religião. Saberá alguma coisa de relativismo, mas com uma limitação importante: tudo é relativo, menos a sua "sacrossanta" opinião. Opinião que, ainda por cima, tenta cobrir com um copy/paste sem qualquer valor crítico ou exemplificativo. Mas isso, já há muito que aqui se sabe. E repito: ainda não encontrei muitas senhoras vindas de culturas islâmicas; mas as que encontrei, pela sua postura e dignidade, batem aos pontos, só pela sua presença, todos os relativistas que por aqui (digo, no ocidente) proliferam.
 
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    Re: O que é relativo    Ver comentário
Miranda07 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:38 | Quarta feira, 29 de abril de 2009
    A prova de que Miranda07 é um mentiroso está aqui:    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 15:32 | Quarta feira, 29 de abril de 2009
    Re: O que é relativo    Ver comentário
papadk (seguir utilizador), 1 ponto , 17:19 | Quarta feira, 29 de abril de 2009
    Obrigado    Ver comentário
Miranda07 (seguir utilizador), 1 ponto , 17:39 | Quarta feira, 29 de abril de 2009
    Re: Obrigado    Ver comentário
papadk (seguir utilizador), 1 ponto , 19:36 | Quarta feira, 29 de abril de 2009
    Clonagens arturianas    Ver comentário
Paulo Pedroso (seguir utilizador), 2 pontos , 12:56 | Sábado, 2 de maio de 2009
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