Para uma eventual libertação de Manuel Godinho, único arguido do processo Face Oculta que está detido, o Ministério Público propôs hoje ao juiz Carlos Alexandre apresentações diárias do sucateiro de Ovar na GNR de Esmoriz.
Segundo a posição assumida pelo Ministério Público esta tarde, à qual o Expresso teve acesso, o procurador João de Melo, do DCIAP (Departamento Central de Investigação e Ação Penal), propõe também ao juiz Carlos Alexandre a proibição do empresário ausentar-se para o estrangeiro.
O Ministério Público quer ainda que Manuel Godinho não possa sair da zona do Furadouro, em Ovar, localidade onde reside, para além de não poder contactar os outros arguidos, à exceção daqueles que são seus familiares.
Prazo de prisão preventiva prestes a expirar
O sucateiro de Ovar é o único preso preventivo do caso judicial Face Oculta, relacionado com os alegados esquemas de favorecimento visando a adjudicação de concursos junto de empresas públicas e envolvendo supostamente o ex-ministro socialista Armando Vara.
A eventual libertação de Manuel Godinho, a quatro dias de expirar o prazo máximo de prisão preventiva, na próxima segunda-feira, 28 de fevereiro, será decidida nas próximas horas pelo juiz Carlos Alexandre.
Este magistrado está a instruir o processo Face Oculta em Lisboa, no Tribunal Central de Instrução Criminal, tendo agendado já para 14 de março a leitura do despacho instrutório, isto é, duas semanas após expirar o limite da prisão preventiva em que Manuel Godinho se encontra desde 28 de outubro de 2009, na cadeia regional de Aveiro.
Jornalistas aguardam à porta da cadeia de Aveiro
Manuel Godinho, de 55 anos, preso preventivamente há quase 16 meses, encontra-se com "problemas graves de saúde" (diabetes e complicações cardíacas), o que foi confirmado há uma semana, em Coimbra, por peritos do Instituto Nacional de Medicina Legal.
O fim da prisão preventiva tinha sido requerido pelo advogado Artur Marques, que defende Manuel Godinho no processo Face Oculta e que responderá hoje ou amanhã à posição do Ministério Público.
Desde ontem, vários jornalistas têm passado horas consecutivas em frente à cadeia de Aveiro à espera da previsível e iminente saída de Manuel Godinho.