26/05/2012 atualizado às 10:14

Moura Guedes escreve ao PGR

A jornalista da TVI , Manula Moura Guedes  e o seu advogado, em carta aberta ao procurador, exigem explicações sobre o arquivamento das escutas . Clique para visitar o dossiê FACE OCULTA

13:44 Quinta feira, 3 de dezembro de 2009

Sr. Procurador-geral

O facto de sermos - o sr. e eu - da Beira Alta seria razão suficiente para explicar esta. Na verdade, continuo a não querer correr o risco de morrer sem dizer o que me vai na alma.


Clique para aceder ao índice do dossiê FACE OCULTA

Há uns dias, a arrumar uns livros, veio-me à mão um dos que fez - e faz parte das minhas bíblias - no qual está reproduzido um acórdão do STJ de 26 de Março de 1926, que não resisto a transcrever: "Não queiramos nunca nesta terra uma advocacia subserviente e tímida ante o atropelo da lei, ou a prepotência dos que têm o dever de a aplicar. É das altas consciências que o futuro dos povos depende, e desgraçados deles se a reclamação da justiça não puder ser veemente e livre. 'Somos instituídos - diz Lionville na sua obra "Paillet ou l'Avocat" - para dizer tudo o que é útil ao bom direito, tudo o que é hostil à opressão, tudo o que é favorável ao fraco e ao oprimido contra o forte, o poderoso e o opressor. Tudo, e não metade'. Assim é o dever do advogado".

Veja, assim, esta carta como a manifestação da franqueza de um beirão, e a sua publicidade como a determinação de um advogado que nada mais é do que advogado e que só o quer ser. O facto de esta estar, também, assinada pela minha cliente, que também é beirã, veja-o, sr. procurador-geral, como uma manifestação de que a defesa do direito, do direito justo, é cada vez mais, assim cada vez mais o sentimos, uma tarefa de todos. O facto de a minha cliente - que tem sido perseguida, quer profissional quer penalmente, por se assumir e agir como jornalista livre, independente e não desmentida (que é) - querer assinar esta é uma honra a cuja notação não resisto.

A Constituição da República Portuguesa exige, e ainda bem, o respeito absoluto pela independência do poder judicial. Todavia, essa independência, e o respeito que a mesma obriga e exige, tem que ter da parte do poder judicial a contrapartida, não só da isenção mas da noção clara, pública e indiscutível de que essa isenção é a razão de ser; o motivo pelo qual o povo português aceita, pacificamente, que os tribunais administrem a justiça penal de acordo com a lei e o direito. Ao Ministério Público compete agir em todas as intervenções processuais de acordo com critérios de estrita objectividade.

No momento em que o procurador-geral da República decide que as posições de um magistrado do Ministério Público e de um juiz de Direito, pelas quais de determinado texto resultavam indícios para a prática de um determinado crime por um determinado cidadão - cidadão que tem somente a função de primeiro-ministro do Governo de Portugal - nem sequer merecem a abertura de um inquérito para a descoberta da verdade, alguma coisa, temos que reconhecer, vai mal.

Ou vai mal a magistratura de primeira instância, que vê comportamentos delituosos onde nada - mas mesmo nada (um nada tão grande que o procurador-geral nem sequer inquérito ordena que se abra) - existe, ou vai mal quem não vê, o que foi dito e está escrito. Na análise dos comportamentos para averiguar da existência ou não de delitos criminais, necessário se torna o respeito absoluto pelo princípio da objectividade, arredando-se com toda a clareza e vigor o da oportunidade. O povo português tem o direito de saber as razões de facto e de direito que originaram que as certidões andassem tão lentamente entre o cruzamento do Largo do Rato com a Rua da Escola Politécnica e o Terreiro do Paço.

O povo português tem o direito de saber quais as razões, as de facto e as de direito, que levam o procurador-geral da República a ordenar o arquivamento de uma denúncia porque não tem factos que permitam a abertura do inquérito. Não é função da Procuradoria investigar, ou melhor, mandar investigar, a partir da denúncia que lhe é feita? Que maior credibilidade quer o sr. procurador-geral do que a que resulta de uma participação subscrita por um procurador e legitimada por um juiz de Direito? O povo português não pode tolerar, nem tolera, estes comportamentos que põem em causa o prestígio da Justiça e que enfraquecem os que em nome dele, povo português, aplicam o Direito e fazem justiça.

O povo português não pode tolerar, e não tolera, que aquele que toma a decisão de nem sequer investigar esconda atrás do segredo de justiça (que tão maltratado é) os argumentos de facto e de direito, quando a lei, ao invés, lhe possibilita prestar os esclarecimentos públicos necessários para garantir a tranquilidade pública.

É sabido que o despacho do sr. procurador-geral de não ordenar a abertura de inquérito tudo termina. É sabido que não havendo recurso hierárquico do seu despacho, atribuindo a lei o monopólio da acção penal ao MP, tudo aí termina. Não há constituição de assistente (que nem sequer é admissível por não haver processo) que resista.

Deste modo, exigia-se-lhe, sr. procurador-geral, uma total e completa transparência, uma fundamentação exemplar e não, como aconteceu, um conjunto de generalidades e banalidades que não resistem à deslocação de um pensamento com a densidade de uma brisa de Verão.

Sabe, sr. procurador-geral, o que nos entristece, mais, o que nos faz perder o sono, o que nos aflige, o que, enfim, nos preocupa, é que os erráticos comportamentos - quando têm, como este tem, esta dimensão - são sempre aproveitados não para corrigir, não para tornar mais exigente a democracia e o Estado de direito, mas sim para os combater e os enfraquecer. Não ter percebido isso, sr. procurador-geral, é não perceber em pleno a dimensão, e as consequências, do exercício de cargos na República.

Não veja, sr. procurador-geral, nesta carta, a procura, por menor que seja, de um sinal de curiosidade ou de desejo de devassa da intimidade seja de quem for. Sempre defendemos - quer no foro quer na vida privada -, de forma intransigente, esse inalienável direito (independentemente do cargo que exerçam e das mais díspares e divergentes opiniões políticas) de todos.

O que pretendemos, mais, o que lhe exigimos, sim, o que lhe exigimos, sr. procurador-geral, é que nos explique o seu raciocínio, que nos diga, de forma clara, transparente e compreensível qual o 'itinere cogniscitivo' que o levou a tal decisão. O que queremos saber, o que exigimos - nós e o povo português - é o processo intelectual que levou o sr. procurador-geral a decidir como decidiu. Sr. procurador-geral, tem que reconhecer que quando se lhe exige isto não se lhe está a exigir nada mais do que se exige a todos e quaisquer despachos judiciais.

Está-se-lhe a pedir a fundamentação, fundamentação que permite que a decisão seja não o oráculo mas sim a adequada, a justa e a de acordo com a lei e o bom direito. Tudo o mais são os insuportáveis argumentos de pura autoridade.

Tenha o sr. procurador de Aveiro agido com ligeireza ou com leviandade, é a si, sr. procurador-geral, que se exige que o demonstre.

Era esta parte que, na impossibilidade de o dizermos no processo (que nem sequer abriu), aqui, com os nossos cumprimentos, lhe deixamos.

Jorge Pimentel, advogado
Manuela Moura Guedes, jornalista

 

Texto publicado na edição do Expresso de 28 de Novembro de 2009 (www.expresso.pt )

 

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República das Bananas...
MUNDO CLEPTOMANÍACO (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 15:46 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
Este Portugal sempre foi uma República das Bananas. A justiça esteve sempre ao lado do poder político e económico.
Esta decisão que o Snr. PGR tomou, não tenho quaisquer dúvidas, foi para proteger um cavalheiro que está cheio de suspeitas desde projectos assinados até ao curso de "engenheireiro".
Por que é que não vão fazer uma análise à sua riqueza ? Talvez aí encontrassem matéria jurídica...
Força Manuela, o Mundo Cleptomaníaco está do teu lado. Já tenho saudades do Jornal de Sexta-Feira da TVI...
 
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    Re: República das Bananas...é sim.das bananas..!!!    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 2:18 | Domingo, 6 de dezembro de 2009
Mas o que é isto?
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 16:10 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
O julgamento do procurador-geral pela MMGuedes?

MMGuedes a falar em representação do povo Português? Não me lembro de lhe ter delegado essa competência!

MMGuedes está no seu direito de escrever ao procurador-geral.
Mas não tem o direito de o fazer em nome do povo português, nem de fazer um julgamento sumário das acções do mesmo!

Se MMGuedes desconfia de qualquer coisa, tenha a coragem de seguir as vias legais e judiciais.
Isto que está a fazer é dar o golpe final nas já muito débeis instituições.

 
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    Re: Mas o que é isto?    Ver comentário
Mckendrick (seguir utilizador), 1 ponto , 21:04 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
    Re: Mas o que é isto?    Ver comentário
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 21:33 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
    Re: Mas o que é isto?    Ver comentário
Mckendrick (seguir utilizador), 1 ponto , 22:11 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
    Re: Mas o que é isto?    Ver comentário
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 2:22 | Domingo, 6 de dezembro de 2009
    Re: Mas o que é isto?    Ver comentário
aguafria (seguir utilizador), 1 ponto , 21:44 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
    Re: Mas o que é isto?    Ver comentário
ajotaef (seguir utilizador), 1 ponto , 0:38 | Sexta feira, 4 de dezembro de 2009
    Re: Mas o que é isto?    Ver comentário
MUNDO CLEPTOMANÍACO (seguir utilizador), 1 ponto , 12:12 | Sexta feira, 4 de dezembro de 2009
    Re: Mas o que é isto?    Ver comentário
tocaafalar (seguir utilizador), 1 ponto , 23:30 | Domingo, 6 de dezembro de 2009
Uma sugestão:
António Da Rocha (seguir utilizador), 2 pontos , 21:34 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009

... não quer o "Expresso" auscultar todos os doentes de psiquiatria internados nos hospitais Magalhães Lemos e Júlio de Matos, para saber a quem pretendem dirigir cartas com as suas exigências?

Coitados: também são doentes e "filhos de um deus qualquer"

Tenham muito boa noite, sim!

Amanhã há mais botox!
 
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    Re: Uma sugestão:    Ver comentário
NJP (seguir utilizador), 2 pontos , 23:50 | Domingo, 6 de dezembro de 2009
    Re: Uma sugestão:    Ver comentário
ajotaef (seguir utilizador), 1 ponto , 0:41 | Sexta feira, 4 de dezembro de 2009
MMG
caprylm56 (seguir utilizador), 1 ponto , 23:18 | Quinta feira, 3 de dezembro de 2009
O sr PGR voltou a consultar o sr sócras, e o seu pedido veio indeferido.
Cump.
 
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Ah, grande prima das Beiras!
ajotaef (seguir utilizador), 1 ponto , 0:34 | Sexta feira, 4 de dezembro de 2009
Um descendente dos Guedes da Penajoia te saudam! Bravo grande mulheraça das Beiras! O Visconde de Valmor rejubilou na tumba! O povo de Viriato saúda-te e espera que não deixes que os minaretes neo-estalinistas do largo do Rato nos roubem o sossego nem a liberdade de expressão! Se for preciso um rei para salvar a liberdade de expressão vamos busca-lo aos Burbons de Espanha, que esperam pela nossa integração ibérica desde que o filho de D. Tereja faleceu em Resende e o desalmado do D. Afonso Henrique bateu na que devia tratar como mãe adoptiva.
 
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exigem explicações sobre o arquivamento das escuta
crise (seguir utilizador), 1 ponto , 21:18 | Sexta feira, 4 de dezembro de 2009
Boa atitude revolucionária »« exija-se já!
 
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moura guedes escreve
mamamon (seguir utilizador), 1 ponto , 12:47 | Segunda feira, 7 de dezembro de 2009
Ainda bem que haja quem nos defenda, ( povo anónimo) e com denodo e boa vontade, se prontifica a a arrostar os donos do poder, desta "partidocracia" que nos governa e nos desgoverna. O regime está apodrecido e inoperante, viciado nos comprometimentos políticos entre pares.
Sem justiça capaz e sem autoridade moral, cedo ou tarde o país se afundará no lamaceiro da irresponsabilidade e desmando que faz lembrar a década de 30a 40 do século passado.
Bem haja a quem tem a coragem e o desassombro de defender a plebe...
 
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PAIS IGNORANTE
biabola (seguir utilizador), 1 ponto , 13:11 | Sábado, 19 de dezembro de 2009
Esta é daquelas noticias, que faz com que tenha vergonha do pais onde vivo. Mas esta sra. nao está de baixa? QUAL É O PROBLEMA DELA? este pais só alimenta futilidades.....
 
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