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Mortes em lar ilegal: Proprietária de "consciência tranquila"

A proprietária do lar ilegal de idosos na Charneca da Caparica que foi encerrado pela Segurança Social abriu a casa aos jornalistas e sublinhou que os quatro utentes que faleceram tinham "problemas de saúde". (Vídeo SIC no fim do texto)
Lusa |

A proprietária do lar ilegal de idosos na Charneca da Caparica que foi encerrado pela Segurança Social na terça-feira abriu a casa aos jornalistas, garantiu estar "de consciência tranquila" e sublinhou que "os quatro idosos falecidos tinham problemas de saúde".

O lar foi encerrado na sequência de um alerta feito pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) às autoridades depois de, chamado ao local para prestar socorro a uma idosa, se ter deparado com mais três corpos.  

A Polícia Judiciária está agora a conduzir a investigação para apurar o que terá causado a morte a estas quatro pessoas.  

Esta manhã, Maria de Fátima Machado, 70 anos, mostrou a quem quis entrar a casa de dois pisos onde funcionava o lar sem licença, que acolhia 13 idosos e dava emprego a cinco funcionários.  

À  agência Lusa, a mulher reconheceu "que pode parecer estranho que tenham ocorrido tantas mortes em tão pouco tempo", afirmou "perceber que as autoridades tenham que fazer perguntas e investigar" e lembrou que "todas as pessoas em questão eram muito idosas [tinham entre 70 e 97 anos]" e que " todas tinham vários problemas de saúde". 

Maria de Fátima Machado disse ainda estar "de consciência tranquila": "As pessoas eram muito bem tratadas aqui. Eu tratava delas como quem trata de crianças, com muito amor, com muito carinho. Garanto-lhe que idoso nenhum morreu aqui por ter sido mal tratado. E nenhum morreu a sentir-se sozinho", acrescentou.

Familiar de idoso responsabiliza Segurança Social


O cunhado de um dos idosos falecidos no lar ilegal na Charneca da Caparica que foi encerrado pelas autoridades na terça-feira afirmou hoje que "se a Segurança Social existisse efetivamente, ninguém colocava familiares em lares ilegais".

Fernando Oliveira, 70 anos, falava aos jornalistas a meio da manhã de hoje, depois de um abraço de apoio em lágrimas à proprietária da vivenda de dois pisos que servia de lar a 13 idosos e foi encerrada pela Segurança Social depois de aí terem ocorrido quatro mortes no espaço de 24 horas.

Depois de uma reprimenda sublinhada "às mentiras que a comunicação social fez passar", o homem afirmou ter "absoluta confiança na proprietária do lar e nas boas condições em que o seu cunhado vivia".

A casa da Charneca da Caparica onde hoje foram encontradas três pessoas mortas, por uma equipa de emergência médica, é uma "estrutura ilegal", desconhecida dos serviços da segurança Social, disse ontem à Lusa fonte oficial.

Segundo a diretora do Centro Regional de Segurança Social de Setúbal, Fátima Lopes, "havia várias pessoas idosas na referida casa, mas a situação era desconhecida dos serviços regionais de Segurança Social".

A GNR foi alertada para o caso pelo INEM, que fez deslocar para o local uma equipa de emergência médica que se deparou com uma senhora em paragem cardiorrespiratória que viria a falecer no local.




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Comentários 18 Comentar
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A ilacção que tiro
É que a SS foi irresponsável e não fez o seu trabalho devendo assumir a sua quota de responsabilidade.
Re: A ilacção que tiro
Re: A ilacção que tiro
Re: A ilacção que tiro
Re: A ilacção que tiro
Aguarda-se a verdade.
Há que aguardar pela prova pericial que esclarecerá as causas de morte, antes de atirar pedras.
O facto do lar ser ilegal, por si só, não implica ofensa aos direitos elementares dos idosos.
É frequente a falta de respeito pelos idosos, em primeiro lugar pelas próprias famílias.
E a verdade é que todos nós caminhamos para lá.
Consciência tranquila..pois é claro..
Sempre que alguém é questionado sobre um assunto em que tem "culpas no cartório" a inevitavel resposta é :
"Estou de consciência tranquila"...

Curiosamente a classe politica é quem mais vezes utiliza essa frase..e á conta das suas "culpas no cartório" cada vez mais gente vai afirmando estar de consciência tranquila...será que está ?..
Re: Consciência tranquila..pois é claro..
Desvario
Esta é a consequência directa de vivermos o presente sem preocupações com o futuro. Esta é a cama que estamos a preparar para nos deitarmos. Bom descanso!
Chocante....
Mas esta infelizmente é a nossa realidade Vivemos numa espécie de terra sem lei. Se o lar não tha condições, fechava imediatamente, mas "foi andando" Num pais com a população cada vez mais envelhecida e pobre a Segurança Social, deveria dar muita atenção a esta área, proteger os utentes, e aumentar a fiscalização.
Re: Chocante....
Re: Chocante....
Num País de ilegalidades, apenas mais uma
Nao entendo como alguem que explora um estabelecimento ilegal se pode considerar de "consciencia traquila".
É o nacional porreirismo, a falta de rigor e o sistematico ignorar das leis que gera a desorganização, para não chamar outra coisa, em que este país vive.
Neste registo, nada funciona de forma correcta e as consequencias sao visiveis um pouco por toda a parte de cima abaixo.
Cumprimentos
Re: Num País de ilegalidades, apenas mais uma
Lar clandestino
Não há dúvida de que é muito estranha a morte de quatro idosos em tão curto espaço de tempo.
No entanto, uma pergunta se impõe e se exige uma resposta clara:´
O lar foi encerrado por alerta do INEM.
Ora, há quanto tempo é que a Segurança Social considerou este lar como clandestino ?
É que a Segurança Social também pode ter a sua quota de culpa...
Não fora este caso das quatro mortes e do alerta do INEM até quando continuaria aberto, clandestinamente ?
Lares clandestinos
Sem dúvida que em circunstância alguma deve ser permitida a existência de lares de idosos, clandestinos !
Mas se tal acontece, há alguém responsável!
Quanto ao lar em causa, segundo as autópsias, não há qualquer crime !
Aliás eu nunca acreditei em tal tese !
Em falta de cuidados, admito.
Também valha a verdade que existem muitos lares de idosos ilegais tão bons ou melhores que alguns abertos, legalmente !
Muitas das vezes, essa clandestinidade deve-se à burocracia , que continua a ser um "cancro" !
Morrer de velho ou não eis a questão.
Apontar culpados pelas mortes, quando até prova em contrário elas ocorreram em resultado evolução natural da vida, é um absurdo. Aguarde-se pelos resultados das autópsias para então se verificar se há ou não necessidade de encontrar alguém com culpas. Seria bom que não!
Convém verificar se... Com objectividade
Além das autópsias e outras perícias aos cadáveres,que são sempre indispensáveis,talvez ,deveriam ser verificados determinados aspectos sociais-familiares e económicos significativos para se saber se havia ou não um completo abandono dos defuntos e,assim,serem tiradas conclusões objectivamente válidas.
Deveria ser verificado se esses defuntos recebiam visitas com regularidade e se tinham as mensalidades pagas e/ ou em atraso ao lar de idosos.
Sabe-se que a incúria nesse tipo de negócio,apesar de ser dirigido por pessoas sempre "muito boas e carinhosas",pode contribuir para que um idoso fique com menor ou nenhuma assistência por incúria intencional e,assim, possa falecer "naturalmente" mais facilmente sem ninguém se aperceber da incúria.
Para evitar suposições legítimas deste género, as autoridades competentes deveriam dar atenção a esses aspectos observáveis e,quanto mais não seja,contribuirem para que possíveis incúrias intencionais nesse tipo de negócio não provoquem essas situações nefastas.
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Edição Diária 17.Abr.2014

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