20 de junho de 2013 às 0:28
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Morte lenta

Luís Marques (www.expresso.pt)

Há qualquer coisa de estranho no ar. Ainda não se sabe muito bem o que é. Mas que há qualquer coisa, isso há. Os sinais existem, mas têm leituras diferentes. Quase toda a gente garante que os sinais são de tempestade. O Governo afiança que são de bonança. Mais estranho não podia ser.

Esta semana uma empresa de rating avançou com uma previsão de "morte lenta" para a economia portuguesa. Pior era impossível, mesmo dando o desconto de que a credibilidade destas empresas anda pelas ruas da amargura. O Banco de Portugal foi mais optimista, um dia depois. Mas pouco. O desemprego vai aumentar e a dívida externa também.

Preocupante? Bom, mais ou menos. Seguindo a intensa actividade governativa o país continua em festa. Há investimentos para todos os gostos, iniciativas em quase todo o lado. Na versão oficial o país vive um surto de investimento, que nos arrancará das trevas do subdesenvolvimento para os píncaros da prosperidade. Está em curso uma espécie de 'plano Marshal', reescrito para versão portuguesa pelo primeiro-ministro José Sócrates.

O défice orçamental é alto? Avança o TGV. A dívida externa ameaça a credibilidade do Estado português? Arranca mais uma auto-estrada. A economia patina? Anunciam-se barragens, hospitais e creches. Nos últimos tempos José Sócrates não tem parado, no frenesim de estimular a economia, prometendo tudo a toda a gente. Os portugueses só podem estar baralhados. Em quem acreditar? Nas previsões pessimistas que aconselham prudência aos gastos públicos? Ou no Governo que anuncia investimento público para tirar o país da estagnação? Como ninguém gosta de más notícias, acho que os portugueses preferem a ilusão à realidade. O pessimismo nunca deu de comer a ninguém. É claro que o optimismo também não, mas sempre conforta um pouco.

Projectando no futuro as duas previsões, Portugal só pode ter duas hipóteses. Na versão pessimista estamos a caminho de um grande desastre. Na versão oficial estamos na via da redenção. A estratégia governamental de combate à crise pela via do investimento público não tem meio termo. Se falhar pode ser mesmo um grande desastre. E tem tudo para falhar.

Basta olhar para as previsões do Banco de Portugal. Podemos crescer 0,7% em 2010. Mas com que pressuposto? Que as exportações subam 1,7%. Quer isto dizer que será a procura externa a alimentar o crescimento da economia portuguesa, como é normal e salutar que seja.

Ora, é exactamente neste ponto que o discurso oficial dá sinais errados. Tudo o que anuncia alimenta o sector importador e aumenta a dívida. Favorece o sector financeiro e a construção, que têm sido dominantes na economia portuguesa. Mas esquece as milhares de pequenas e médias empresas que produzem para o exterior, que procuram sobreviver num mercado internacional cada vez mais competitivo.

O sector exportador deve ser o motor do crescimento da economia, agora e no futuro. Como, aliás, já foi. Se o Estado quer estimular a economia deve encontrar formas de apoiar essas empresas e esses empresários, começando por reconhecer o seu esforço e mérito. É com eles que o país pode evitar a "morte lenta" a que estamos condenados e não com um Estado descomunal e ineficiente.

Luis Marques

Texto publicado na edição do Expresso de 16 de Janeiro de 2010

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A lenta retoma
A retoma está aí e ninguém dá por ela a não ser o Governo por ser o único que tem dados para o reconhecer. Ora, a recuperação depende essencialmente das exportações e, elas estão aí e em força, não imaginam, só se comparam à decada de 60, do século passado, todos os dias, a salto, por comboio, barco ou avião, saem portugueses para trabalharem, alguns são sujeitos a um regime de escravatura, mas que raio na altura em Champigny já era assim. Outros estão a caminho de Marrocos, Argélia e por aí fora, para todos os destinos onde possam ganhar algum e mandar algumas divisas para ajudar a Fazenda Nacional. É pouquinho mas é o que se pode arranjar, os portugueses, estes portugueses ainda são aceites lá por fora, porque os outros, o que deram causa à crise, ninguém os quer com grande pena nossa, temos de os aturar e sofrer as consequências da sua incompetência. É por isso que vamos morrendo lentamente, e não por outra coisa, por muito que isto custe ao jornalista.
sou a rosa e o meu patrão explicou-me
falei com o meu patrão sobre o artigo do senhor luis e perguntei-lhe o porquê de não ajudarem as empresas que exportam e claro levei logo com o és mesmo burra o que também inclui o senhor luis só que para esse ele acrescentou ou faz-se ou seja o senhor luis é burro ou faz-se e vejam lá se isto são modos mas os exemplos dele são estes já viste algum político tirar uma fotografia junto a um boletim de exportação ou a televisão fazer uma reportagem à saída de contentores com um ministro em primeiro plano e pois é nunca vi e também já viste aumentar inexplicavelmente os custos de produção num produto de exportação e também uma empresa de exportação aumentar os custos para dar empregos políticos ou salgar o preço para algum saco azul partidário é que não dá a não ser exportações para países que o poder político é que decide o que se importa tipo venezuela porque em mercado livre não sobra nada para distribuir e é por isso minha burra e depois de me achincalhar de novo deixou-me a matutar e por isso pergunto ao senhor luis será que o meu patrão tem razão ou é só aquele mau feitio insuportável a vir ao de cima e peço-lhe senhor luis que me desculpe por estas dúvidas de doméstica palerminha
Lá Vamos, Cantando e Rindo
Basta ler este artigo, para não falar de vários outros deste articulista, para se perceber que o problema não está na "credibilidade das empresas de rating andar pelas ruas da amargura".

Este tipo de frases é apenas o consolo dos idiotas.

Não vale a pena meter a cabeça na areia quando é obvio para toda a gente que queira ver que as empresas de rating têm razão e que as políticas que estão a ser seguidas, a continuarem, não vão dar nada do ponto de vista de recuperação económica e vão levar ao estampanço.

Já agora podia ter também referido o mais recente acordo com os sindicatos dos professores que parece ter encargos suicidários.

Assim vamos...
Criar emprego, aumentar exportações, regionalizar.
Genericamente concordo com Luís Marques. Um das regiões que mais contribui para o equilíbrio da balança comercial é o norte apesar da crise em que vive.

Quando nos anos 80 Fernando Gomes então presidente da CMP, era uma voz então ouvida pelo poder central, lembro-me que uma jornalista lhe dizia que o norte só reivindicava, mas até tinha muito desenvolvimento à data. Este disse que muito desse desenvolvimento era baseado em indústrias do 3.º mundo, que com o futuro acordo de comércio livre sofreríamos forte crise. Viu-se depois a grande crise dos têxteis e calçado.

Infelizmente a regionalização não avançou, o poder central começou a apostar no betão e grandes obras públicas, o norte não inovou, não diversificou o suficiente. Aqui a pequena e média empresa, estagnou. Contudo as virtualidades mantêm-se.

Com um poder regional haveria um outro tipo de incentivos à modernização, uma melhor compreensão do seu tecido empresarial que muito ajudaria a relançar exportações e criar emprego.
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