A poetisa Wislawa Szymborska, nascida em Kornik, oeste da Polónia, morreu ontem na Crocávia, de cancro. A autora, que se destacou por uma poesia mesclada de emoção, ironia, metafísica e quotidiano, e pela habilidade em usar trocadilhos, publicou o seu primeiro poema em 1945 num jornal local.
Considerada um mito na Polónia, só obteve reconhecimento internacional depois de receber o prémio Nobel da Literatura 1996, que lhe foi atribuído pela "irónica precisão" ao retratar a realidade humana.
Autora de uma dezena de livros de poesia, em maio de 2007 juntou-se aos intelectuais polacos que acusaram a direita conservadora dos irmãos gémeos Lech e Jaroslaw Kaczynski (então Presidente da República e primeiro-ministro, respetivamente) de "não compreenderem" a democracia e "tentarem enfraquecer e renegar instituições de um Estado democrático como os tribunais independentes e os media livres".
Último livro publicado em 2009
Em 1975, ainda sob o regime comunista, Wislawa Szymborska juntou-se ao movimento de intelectuais que protestaram contra a decisão do Partido Comunista Polaco de inscrever na Constituição a cláusula de "aliança eterna" com a União Soviética.
A sua obra, que está traduzida em português, é considerada memorável. Wislawa Szymborska publicou o seu último livro, "Aqui", em 2009.