Morreu o realizador grego Theo Angeopoulos (1935-2012)
Theo Angeopoulos, vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1998 com "A Eternidade e um Dia Antes", foi atropelado ontem à noite perto de Atenas. Realizador tinha 76 anos e estava a preparar um filme sobre a crise grega.
Theo Angeopoulos morreu na noite passada num hospital em Atenas devido a uma hemorragia interna, depois de ter sido atropelado por uma mota quando atravessava uma rua na capital grega. O realizador de "O Olhar de Ulisses" (Prémio da crítica no Festival de Cannes em 1995) e "A Eternidade e um Dia Antes" (Palma de Ouro em Cannes em 1998) sofreu ferimentos graves.
No passado mês de setembro, o realizador recebeu em Barcelona o prémio Terenci Moix de Carreira Cinematográfica pela "sua poderosa linguagem visual" e capacidade de conjugar poesia e cinema. Theo Angeopoulos deixou inacabada a sua última trilogia, que ficaria completa com "O Outro Mar", filme que estava a preparar sobre a crise na Grécia.
Theo Angeopoulos tinha mais de 40 anos de carreira.
Antigo jornalista
Nascido em Atenas, o diretor descobriu a vocação nos finais da década de 60, depois de haver abandonado a carreira de advogado e licenciar-se em Literatura em Paris, onde chegou a frequentar uma escola de cinema, mas acabou por decidir voltar a Atenas e dedicar-se ao jornalismo. Viveu na Grécia alguns dos períodos mais conturbados do país. Mas voltou a Paris muitas vezes, deixando também a sua marca no cinema francês.
Angeopoulos trabalhava como crítico de cinema no diário "Demokratiki Allaghi" quando aconteceu o golpe militar na Grécia em 1967, tendo o jornal sido encerrado.
A sua primeira longa-metragem, "Anaparastasi" (1970) valeu-lhe o reconhecimento da crítica e permitiu que fizesse a sua primeira trilogia sobre a história da Grécia desde os anos 30 até à década de 70.
Nos primeiros anos de carreira, realizou filmes políticos. As suas obras nos anos 80 tinham menos esta conotação. O ano de 2004 assinala o regresso de um Theo Angeopoulos mais político, com filmes que falam da imigração e tramas de amor que decorrem em momentos importantes da história da Grécia.
Considerava-se pessimista, e tinha saudades dos seus tempos de infância: "Quando eu ia ao cinema ia como a uma festa, com amigos, vizinhos... Era um momento social, faziam-se amigos, encontravam-se amores... A televisão destruiu todo esta interação social, porque te isola", recordou em 2008 em Madrid.