21 de maio de 2013 às 19:48
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Morreu o compositor José Niza (1938-2011) (vídeo)

Médico, compositor, produtor e ex-deputado, José Niza morreu esta noite em Lisboa, informou hoje fonte da Câmara de Santarém, concelho onde residia e chegou a ser presidente da Assembleia Municipal. Tinha 73 anos. (ver vídeo no final do texto)

Lusa e Wikipedia
José Niza, autor de "E Depois do Adeus" Capital/Gesco José Niza, autor de "E Depois do Adeus"

O autor da canção "E Depois do Adeus", José Niza, que esta noite faleceu no hospital de Santa Maria, em Lisboa - onde estava internado desde terça-feira na sequência de uma insuficiência respiratória-, venceu quatro Festivais da Canção da RTP.

Co-fundador, em 1961, da Orquestra Ligeira do Orfeon Académico de Coimbra - junto com José Cid, Proença de Carvalho, Joaquim Caixeiro e Rui Ressurreição-, foi também responsável, a partir de 1971, pela produção da editora Arnaldo Trindade Lda.(Discos Orfeu).

Além de compositor, José Niza Antunes Mendes, mais conhecido como José Niza, era médico, produtor e político.

Deputado em muitas legislaturas, colaborou em diversas iniciativas e diplomas legislativos tais como o Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos, Lei de Protecção da Música Portuguesa, e Redução do Imposto sobre Importação de Instrumentos musicais.

Foi, ainda, presidente da Assembleia Municipal de Santarém, concelho onde residia.

Uma vida cheia


José nasceu em 1939, em Lisboa, mas passou a infância e juventude em Santarém, de onde saiu aos 17 anos para ir estudar Medicina e Psiquiatria em Coimbra, cidade onde se iniciaria na música, através do fado.

Foi em Coimbra que conheceu José Afonso e Adriano Correia de Oliveira e, em 1961, com Proença de Carvalho, Rui Ressurreição e Joaquim Caixeiro, fundou um quarteto de jazz e o Clube de Jazz do Orfeu. Interrompeu nesse ano os estudos devido à morte do pai, tendo regressado a Coimbra cinco anos mais tarde, em 1966, para os retomar.

Até 1969, criou música para peças de teatro como "A Exceção e a Regra", apresentada no centro paroquial de Águeda, que a polícia política da ditadura do Estado Novo (PIDE)viria a encerrar.

Músico de intervenção


José Niza foi chamado várias vezes à PIDE para interrogatório, sobretudo durante a greve académica de 1969, que teve como um dos hinos a canção "Cantar de Emigrante", por ele composta.

Destacado para Angola em 1970, José Niza foi ali alferes-médico do Exército português e criou músicas do disco de Adriano Correia de Oliveira "Gente de Aqui e de Agora", que viria a ser lançado em outubro de 1971.

Também compôs "Fala do Homem Nascido", com base em poemas de António Gedeão, disco que viria a sair em 1972, com arranjos orquestrais de José Calvário e vozes de Tonicha, Carlos Mendes, Duarte Mendes e Samuel.

Quando assumiu a liderança da editora Orfeu, passou a produzir diversos trabalhos de cantores portugueses como Fausto, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho, Vitorino, José Afonso e Adriano Correia de Oliveira.

Antes de "E Depois do Adeus" - senha musical para o Movimento das Forças Armadas - José Niza já tinha conquistado o Festival da Canção da RTP, em 1972, com José Calvário e Carlos Mendes, com o tema "A Festa da Vida".

Carreira política após o 25 de abril


Após o 25 de abril de 1974, filiado no Partido Socialista, José Niza deixou a editora Orfeu e passou a dedicar-se à política, tendo sido eleito deputado à Assembleia da República pelo círculo de Santarém e, em 1977 e 1978, tendo o cargo de diretor de Programas da RTP.

Em 1983 e 1984 voltou à RTP como administrador ligado à produção e, em 1985, regressou ao Parlamento, onde procurou defender as questões ligadas à música, participando, por exemplo, na elaboração da legislação relativa à obrigatoriedade de passagem de 50% de música portuguesa nas estações de rádio do país.

Deixou de ser deputado em 1999, mas manteve-se como assessor do presidente da Assembleia da República, Almeida Santos.

"E Depois do Adeus" (música José Calvário, letra de José Niza e interpretação de Paulo de Carvalho), a sua canção mais famosa, representou Portugal no Festival da Eurovisão em março de 1974. Um mês depois servia de senha para os "capitães de Abril" e marcaria o início da Revolução dos Cravos.


Comentários 3 Comentar
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Apenas direi...
Não reclamo do inevitável, apenas o faço, mais uma vez, da triagem!
OBRIGADO!!!
Quanto se discute valores e ética, morre um dos seus exemplos VIVOS! Sim VIVOS!!!
E depois do Adeus a Niza
Cantemos o "E depois do Adeus", uma das melhores canções de toda a história da musica portuguesa, tão boa que até se o Paulo de Carvalho parece ser um grande cantor.
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