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Morreu Bernardo Sassetti

O compositor e pianista português Bernardo Sasseti morreu ontem aos 41 anos, ao cair de uma falésia na zona de Cascais.
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Bernardo Sassetti fotografado pela mulher, a atriz Beatriz Batarda

Bernardo da Costa Sassetti Pais morreu ontem ao cair de uma falésia na zona de Cascais, onde estaria a tirar fotografias.

O corpo do pianista foi resgatado ontem à tarde, numa zona rochosa junto à Praia do Abano, no Guincho, por elementos dos Bombeiros Voluntários de Alcabideche, Polícia Marítima, Instituto de Socorros a Náufragos e INEM, durante uma operação delicada, que obrigou a descer homens recorrendo a cabos.

O Expresso soube que, no local, não existiam elementos suficientes para identificar o corpo, tendo este sido conduzido para a morgue do Cemitério da Guia, em Cascais, onde deverá ser autopsiado até amanhã. Hoje, ao princípio da tarde, a família identificou o corpo.

Durante a operação de resgate, as autoridades no local colocaram as hipóteses de acidente ou suicídio.

O pianista e compositor nascido em Lisboa, a 24 de Junho de 1970, bisneto do Presidente da República Sidónio Pais, que foi assassinado no início do século passado, era marido da atriz Beatriz Batarda, com quem tem duas filhas. 

Formado em piano clássico, começou aos nove anos e teve Maria Fernanda Costa e António Meneres Barbosa como professores, antes de enveredar pelo jazz, área na qual viria a distinguir-se. Em 1987, inicia a carreira com o Quarteto de Carlos Martins e o Moreiras Jazztet.

Músico completo


O primeiro disco em nome próprio, "Salssetti", surge em 1994, seguido de "Mundos" (1996). Em 1997, com Guy Barker, grava "What Love Is", acompanhado pela Orquestra Filarmónica de Londres. Em 2002, o seu álbum "Nocturnos" venceu o Prémio Carlos Paredes.

A actividade como compositor solidifica-se por esses anos, nos quais se destacam as obras "Ecos de África", "Sons do Brasil", "Fragments (Of Cinematic Illusion), "Entropé" para piano e orquestra, e "4 Movimentos Soltos" para piano, vibrafone, marimba e orquestra.

É conhecida a sua colaboração com os pianistas Mário Laginha e Pedro Burmester, com quem abraçou o projecto "Três Pianos". Com Mário Laginha, gravou três CD: "Mário Laginha/Bernardo Sassetti", "Grândolas" - uma homenagem a Zeca Afonso e aos 30 anos do 25 de Abril - e "Piano a 4 Mãos"..

Em trio de jazz, apresentava-se regularmente com Carlos Barretto e Alexandre Frazão.

Os seus últimos trabalhos discográficos, "Índigo" e "Livre", para piano solo, foram aplaudidos pela crítica e considerados exemplos da sua maturidade artística.

Relevante é igualmente a sua obra para cinema, arte na qual se iniciou em 1994, por via de uma composição para grupo de câmara que acompanhava, ao vivo, a projecção do filme mudo português "Os Crimes de Diogo Alves". Em 1999, a experiência repetiu-se com a partitura para orquestra para "Maria do Mar", de Leitão de Barros. Nesse mesmo ano, escreveu a música de "As Terças da Bailarina Gorda", de Jeanne Waltz, e participou na banda sonora do filme "The Talented Mr. Ripley", de Anthony Minguella, no qual surge também a tocar. Nos anos seguintes, compôs música para os filmes "Facas e Anjos" de Eduardo Guedes (2000), "Aniversário" de Mário Barroso (2000), "O Segredo" de Leandro Ferreira (2001) e "Quaresma" de José Álvaro Morais (2003).

Anos de 2010 e 2011 foram dos mais intensos da sua carreira


O lado mais mediático da sua atividade em 2010/11 foi a edição do disco com Carlos do Carmo (ed. Universal) (ver vídeo) e de "Motion" com o seu trio, na Clean Feed (a apresentação ao vivo incluiu a projeção de fotografias de sua autoria).

Mais discretas foram as colaborações nos álbuns "Palace Ghosts and Drunken Hymns", do Will Holshouser Trio, e "Madrugada", dos Peixe: Avião.

Compôs para teatro ("Azul Longe nas Colinas", de Dennis Potter, numa encenação da sua mulher, Beatriz Batarda), para dança ("Uma Coisa em Forma de Assim", da Companhia Nacional de Bailado), para bebés ("Os Embalos do Bernardo") e até para o Castelo de São Jorge ("Histórias do Castelo"). 

Acompanhou Beatriz Batarda ao piano em recitais onde esta narra contos de Sophia de Mello Breyner; participou em "Final de Rascunho", de Sérgio Godinho, que integra uma canção com música sua.

Sassetti tocou ainda com Camané 'My Funny Valentine' na Festa do Jazz 2010 e apresentou os 3 Pianos com Mário Laginha e Pedro Burmester no Festival Med.

Recebeu o Prémio Amália Rodrigues (categoria Música Popular) e o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores (categoria Melhor Canção, para 'Retrato', com letra de Mário Cláudio, do álbum com Carlos do Carmo).

Fez ainda parte do júri da 8 1/2, a Festa do Cinema Italiano, em Lisboa.

A sua atividade mais recente incluiu a participação no disco "Motor" de André Fernandes (ed. Tone of a Pitch), a escrita de um tema para o disco "Different Time" (ed. Sony) de Marta Hugon e a presença no CD "DocTetos" (ed. edição JORSOM), de António José de Barros Veloso. O pianista compôs ainda uma parte da música original para o espectáculo multimédia "Lisboa, quem és tu?", estreado a 30 de março último no Castelo de São Jorge, em Lisboa.



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Que horror!
Que notícia pavorosa, meu Deus... Estou chocada... Gostava tanto do Bernardo Sassetti... Como deve ser duro para a família...
PORRA!
PORRA!
BADAMERDA!

Porque é que isto só acontece aos bons e àqueles que fazem falta!
Re: PORRA!
Lamento muito

Um dos músicos que eu mais admirava e que tinha muitos anos à sua frente para evoluir ainda mais.

Sei que parece um elogio estúpido mas é o que consigo fazer neste momento.
estou chocado.
Saída de cena.
A saída de cena até pode ser um alívio para o actor, mas provoca sempre desgosto a quem o aprecia; uma saída tão dramática não deixa ninguém indiferente e fere particularmente quem lhe é mais próximo. As minhas condolências.
Injusto!!
Porque é que, nesta altura de veneração a Nossa Senhora, Esta não amparou o genial compositor/pianista Bernardo Sassetti como amparou a bala que acertou em João Paulo II?! Até nas coisas da religião há injustiça, desigualdade, filhos e enteados! Deus ganhou um grande, enorme músico! Requiem Aeternam, Bernardo Sassetti!... :(
NÃO TIVERAM CORAGEM...
Maneira eufemistica de dizerem que Sassetti se suicidou. Paz à sua alma. Portugal perdeu excelente musico e compositor.
...
Oh! Esta notícia chocou ... é triste perder a vida assim ... e o mundo da cultura feita música fica mais pobre!
Fiquei muito triste!
E para os crentes direi, apenas, que afinal a Justiça divina anda como a Portuguesa!!
Como diria Brian May dos Queen...
"One by one, only the good die young..." não era particular seguidor do seu trabalho (vou agora inteirar-me dele), mas com 41 anos, casado, com 2 filhas e com uma carreira emergente à sua frente é sem dúvida uma perda.
Os meus sentimentos para a sua família, amigos e seguidores.
Grande Perda
Não o conhecia pessoalmente .
Mas foi aluno de piano do Pai do meu teclista e pelo que o mesmo dizia . Musico Brilhante .
Deixou-nos demasiado cedo :(
Os meus sinceros pesames aos familiares deste grande compositor e pianista português. Faço parte dos que conheciam a sua obra desde o início da sua carreira! Deixa-nos a suas belas composições como poesias .. eternas serão elas! RIP Bernardo Sassetti!
Triste
Fico triste por Portugal perder mais um talento. Condulencias à familia e amigos.
Lamento...
... a morte do homem. Lamento a morte do artista.

As minhas condolências à família e amigos. Perderam um homem bom.

A minha condolência aos apreciadores de Jazz, de música em geral - perdemos um músico excelente.
A obra, essa, perdurará.

Obrigada, Bernardo Sassetti.
Bernardo Sassetti
Só há minutos, através do blog Bitaites, tive conhecimento desta horrível notícia, e encontro-me ainda em choque. Dou os parabéns ao Expresso por assinalar o infeliz acontecimento, ao contrário do que muitas vezes faz a comunicação social, ao noticiar apenas o que interessa aos políticos, ou simples fait divers. Considero assim que o Expresso (não vi ainda outros jornais) prestou uma pequena homenagem a um jovem bom e com uma maravilhosa carreira a decorrer. Vai fazer-nos falta, o Bernardo Sassetti. Que ele fique em paz.
Inacreditável
Há noticias que nos chegam, em que a primeira reação que nos surge é “isto não pode ser verdade”, mas por muito que nos custe é irremediavelmente verdade.
Obrigado, mil vezes obrigado, pela deliciante música que nos ofereceste, pelo bom gosto e boa figura, pela arte multicultural, pela contagiante simpatia e a esmerada educação, pela constante tolerância, excepto para os intolerantes, contrários aos princípios da liberdade.
Espero e desejo ardentemente que os músicos, cantores, compositores, amigos da música e artistas de todas as artes estejam presentes no último adeus a este grande vulto da cultura.
Que grande perda para a música e para a cultura, e uma inestimável perda para a família. À viúva, a excelente atriz Beatriz Batarda, os meus sentidos pêsames.
Até um dia destes, Bernardo Sassetti.
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