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Morreu Antoine Sibertin-Blanc

Organista da Sé de Lisboa, nascido em Paris mas radicado em Lisboa há meio século, Antoine Sibertin-Blanc morreu aos 81 anos. O funeral é domingo, pelas 14h, da Sé Patriarcal de Lisboa para o cemitério de S. Pedro de Sintra.
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Antoine Sibertin-Blanc, numa foto do Festival Internacional de Órgão de Lisboa, do ano passado
Antoine Sibertin-Blanc, numa foto do Festival Internacional de Órgão de Lisboa, do ano passado / DR

Professor aposentado de Órgão e de Improvisação da Escola Superior de Música, organista titular da Sé de Lisboa há 51 anos, desde os seus 30, morreu hoje, no ano em que completava 81 anos, soube o Expresso.

Antoine Sibertin-Blanc nasceu em França, em Paris, mas daí saiu pouco depois de fazer 20 anos para ir viver no Luxemburgo. Em 1961, rumou a Lisboa e nunca mais saiu de cá, agora considerava-se "mais apreciador de Portugal do que os próprios portugueses".

Na capital francesa, foi discípulo de Maurice Duruflé, no Conservatório Nacional Superior, e de Edouard Souberbielle e G. Lioncourt, na escola César Frank, onde concluiu os cursos de Piano, Órgão, Improvisação, Canto Gregoriano, Direção Coral e Composição. Antes de ir tocar, aos 24 anos, na Igreja de Saint Joseph, foi organista e mestre de capela nas igrejas de La Madeleine e de Saint Merry.

O seu repertório abrangia compositores desde a época pré-clássica até à atualidade, mas interessava-se, sobretudo, pela música ibérica. 

Como é que este parisiense veio parar a Lisboa, ele próprio contou à "Voz da Verdade", em abril do ano passado, naquela que será a sua última entrevista: "Por volta do ano 1955, estava imigrado no Luxemburgo onde era organista em Saint Joseph. Cinco anos depois, senti vontade de ir embora. Foi então que um colega francês, que estava contratado para assinar pelo Centro de Estudos Gregorianos de Lisboa, desistiu e telefonou-me para saber se eu estava interessado naquele cargo... e eu estava interessado, evidentemente! Cheguei então a Lisboa em 1961, há 50 anos, e comecei a lecionar órgão e harmonia musical".

Quatro anos após a sua chegada, foi inaugurado o órgão da Sé Patriarcal de Lisboa e  Antoine Sibertin-Blanc apresentou uma candidatura, tendo sido selecionado. E assim, cumpriu-se o seu sonho de ser organista de uma catedral, uma paixão que cultivava desde miúdo, desde que ouvira os órgãos da Catedral de Notre Dame.

Da sua primeira atuação na Sé de Lisboa, lembrava-se "perfeitamente", foi no dia da inauguração do órgão, como participante do terceiro de muitos concertos que assinalaram a data. 

Considerado um especialista no improviso, Sibertin-Blanc não conseguia definir de onde vinha a inspiração. À "Voz da Verdade" diria: "Por vezes há pouca inspiração, outras sai tudo naturalmente. O melhor é não pensar antes. Tudo tem de vir automaticamente, segundo o sentimento do momento. Temos de estar muito calmos e serenos para acompanhar momentos especiais da liturgia".

Era, desde 27 de Setembro de 2006, comendador da Ordem de Santiago de Espada. 


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O mundo musical +prtugues ficou mais pobre com a morte do "Senhor Orgão" de Lisboa. Um grande homem, humilde e generoso que tantas vezes me preencheu com a sua música e a sua virtuosa capacidade de improvisação. Descanse em paz
Descanse em Paz...
Que descanse em Paz...!!
Horas mágicas
Muito jovem ainda, era com alvoroço que esperava pela temporada para ir ouvir este intérprete maravilhoso. Aos domingos lá ia eu e eram lindas aquelas horas. Ouvi-o anos a fio. Fica a saudade.
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