Não são só os apoiantes de Fernando Nobre às presidenciais de 2010 que se têm manifestado contra a integração do médico da AMI nas listas do PSD por Lisboa. As críticas também vêm de dentro partidos políticos.
No seio do PSD a escolha de Passos Coelho para a presidência da Assembleia da República não é consensual. Morais Sarmento disse ontem, no programa Falar Claro da Rádio Renascença, que Fernando Nobre não tem perfil para ser a segunda figura do Estado.
"Fernando Nobre, alcandorado a segunda figura do Estado, estamos a falar do Fernando Nobre que foi mandatário de Francisco Louçã há poucos anos e, portanto, se me perguntar se me revejo nele como segunda figura do Estado, respondo com dificuldade. Por outro lado, como presidente da Assembleia da República arriscamo-nos a ter um menos bom presidente e a perder aquilo que poderia ser um óptimo protagonista político na linha da frente, entenda-se, com responsabilidades governativas ou executivas", disse o antigo ministro de Durão Barroso.
Em entrevista ontem à noite na RTP, Mário Soares, amigo pessoal de Nobre, relembrou que o médico não tem experiência parlamentar. "Só vendo", frisou o ex-Presidente da República.
Edmundo Pedro, o histórico socialista que esteve ao lado de Nobre nas últimas eleições, disse ontem estar arrependido do apoio que deu ao agora cabeça-de-lista do PSD.
"Erro de cálculo"
"É um grande erro de cálculo porque ele pensa que leva atrás os tais 600 mil votos. Não leva. Eles são resultado da posição que tomou. A sociedade estava afastada da política e ele trouxe-a à participação. A posição que ele toma agora é a negação disso tudo", disse à TSF.
Do PS veio a já esperada reprovação com José Lello a classificar a escolha dos social-democratas como um erro.
O dirigente socialista lembrou à agência Lusa que são os deputados, por maioria, que elegem o presidente do Parlamento. "Depois de projetarem um putativo governo com o estatuto de estagiário, o PSD agora também quereria um presidente da Assembleia estagiário, sem currículo, sem ter sido jamais deputado, sem conhecer as regras", criticou.
Vítor Ramalho, presidente da Federação Distrital de Setúbal do PS e amigo pessoal do presidente da AMI, mostrou-se "perplexo" com a escolha do PSD para Lisboa. "Sou amigo do Fernando Nobre e não compreendo porque aceitou e não sei que mais valia traz para o PSD. Também não compreendo porque foi já indicado como candidato a presidente da Assembleia da República. É uma inovação estranha", disse à Lusa.