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Montepio Rainha D. Leonor das Caldas da Rainha inaugura condomínio para seniores e mantém interesse em explorar as termas caldenses

O Montepio está a celebrar o seu 150 aniversário e tem prevista para Maio a inauguração do seu condomínio de residências assistidas, um projecto de oito milhões de euros destinado a séniores.
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Gazeta das Caldas - Montepio Rainha D. Leonor das Caldas da Rainha inaugura condomínio para seniores e mantém interesse em explorar as termas caldenses

Em entrevista à Gazeta das Caldas, Sanches de Sousa, 65 anos, presidente da direcção desta instituição, insiste que o Montepio tem capacidade para gerir o Hospital Termal e parte do património imobiliário a ele associado, que poderia ser transformado em unidades hoteleiras low cost para os aquistas. Por outro lado, a antiga Casa da Cultura poderia dar lugar a uma clínica para particulares, que ajudaria a suportar os custos e a manter a função social que ainda hoje o Hospital Termal possui.

GAZETA DAS CALDAS - Há sete anos, numa entrevista à Gazeta das Caldas, tinha previsto que no ano em que o Montepio celebraria 150 anos iria inaugurar uma clínica moderna, com várias valências, em frente às actuais instalações. A crise impossibilitou a concretização deste projecto?

SANCHES DE SOUSA - Sim, de facto o projecto não avançou por causa da crise. Trata-se de um investimento total superior a 15 milhões de euros e o Montepio não poderia assumi-lo sozinho. Não temos capacidade financeira para abraçar um projecto dessa dimensão.

Temos procurado estabelecer conversações com dois grupos económicos ligados à área da saúde para constituir uma parceria que permitisse a construção e exploração de um novo hospital, destinando as actuais instalações exclusivamente a unidades de cuidados continuados.

Estas conversações foram interrompida (num dos casos, por nossa decisão e suspensas no outro caso, por decisão da outra parte), resoluções que se prenderam com as incertezas e preocupações com a crise económico-financeira em que vivemos. Temos esperança de poder relançar o projecto, esperemos que os tempos melhorem pois não queremos criar riscos para a instituição.

GC - Quais eram esses dois grupos económicos?

SS - O primeiro grupo foi o Grupo Português de Saúde que pertencia à Sociedade Lusa de Negócios que, por sua vez, era a detentora do BPN, antes da nacionalização daquele banco.

O segundo grupo, que acabou por desistir do negócio, foi o HPP Saúde, que pertence em 75% à Caixa Geral de Depósitos.

GC - As actuais instalações são suficientes para os vossos serviços?

SS - Não são suficientes. São até demasiado exíguas e desadequadas à realidade e é com muita dificuldade que vamos conseguindo dar cumprimento a normas cada vez mais exigentes das autoridades de saúde e da própria União Europeia.

Nos últimos anos temos feito autênticos milagres de multiplicação de espaços, já que estes têm sido disputados praticamente ao milímetro.

A actividade do Montepio tem aumentado progressivamente todos os anos, logo torna-se imperiosa a construção de um pequeno hospital no terreno que foi adquirido para esse efeito, há cerca de oito anos, e cujo projecto de arquitectura se encontra aprovado na Câmara Municipal.

Tudo o que for área de ambulatório vai para o novo hospital, enquanto que as actuais instalações seriam transformadas em unidades de cuidados continuados.

GC -Quantos associados possui actualmente? Prevêem que o número aumente já que recentemente retiraram a idade máxima para se poder ser associado?

SS - O Montepio alterou recentemente os estatutos, abolindo a obrigatoriedade de residência no concelho das Caldas e o limite de idade para os novos candidatos a associados. Essa decisão fez com que a associação tenha visto crescer a sua massa associativa. Nos últimos três anos conquistámos cerca de 1.200 novos membros, o que dá uma média de 400 associados por ano.

Neste momento, com as quotas em dia, a associação tem cerca de 8.000 associados. 

Tem-se registado uma maior procura até de pessoas de outras localidades como de Peniche, Torres Vedras, Óbidos, Bombarral ou Cadaval.

GC - Quantas pessoas emprega? Pensa contratar mais colaboradores?

SS - O Montepio tem 168 trabalhadores no seu quadro, mas, directa e indirectamente, dá trabalho a cerca de 400 pessoas. Da nossa equipa fazem parte 80 médicos e cerca de 20 enfermeiros.

Somos das poucas entidades caldenses que, apesar da crise, tem aumentado o número de postos de trabalho, criando emprego a jovens que procuram a primeira oportunidade de entrar no mercado de trabalho. O Montepio, em colaboração com o Centro de Emprego, tem proporcionado estágios profissionais a grupos de enfermeiras e enfermeiros recém-licenciados, que por evidenciarem qualidades suficientes e corresponderem às exigências e expectativas dos estágios, têm sido integrados no quadro de pessoal da instituição quando terminam os seus estágios. Já estão integrados sete enfermeiros que estagiaram connosco e, dentro de dois meses, mais um grupo de quatro será integrado.

Durante o ano passado também foram admitidos três jovens licenciados: um farmacêutico para gerir a farmácia hospitalar, uma técnica de radiologia e uma enfermeira chefe. Iremos igualmente contratar novos funcionários para o condomínio da Bela Vista.

GC - O Condomínio da Bela Vista - residências assistidas para idosos - deveria estar concluído no final de 2009. Quando será inaugurado?

SS - Gostaríamos de inaugurá-lo no dia do aniversário, a 11 de Março, mas com os atrasos nas obras - devido a vários factores entre os quais o Inverno muito chuvoso -, foi-nos retirada essa possibilidade. Será, contudo, inaugurado a curto prazo, provavelmente a 15 de Maio, associando-nos às festas da cidade. Tudo depende das licenças de habitabilidade que por vezes as entidades demoram a emitir. Está a correr muito bem, metade das casas já estão vendidas. No total são 95 fracções, 64 das quais são T1. Destes, já vendemos 30 a sócios do Montepio das Caldas, mas também dos concelhos de Alcobaça, do Bombarral e até de Lisboa. Ficaremos a gerir os 30 T0 deste condomínio. A procura, sem que tenhamos feito qualquer promoção de vendas, tem excedido as nossas expectativas. 

GC -A vossa clínica dentária continua em crescimento, ou é um serviço que estabilizou?

SS - A clínica dentária é um dos nossos serviços de excelência, apesar das instalações exíguas. A estratégia tem sido a da especialização. Possuímos médicos especialistas em todas as áreas da medicina dentária que trabalham segundo altos padrões de qualidade. Realizam a chamada reabilitação oral integrada (que inclui cirurgia guiada por computador) em que o plano de tratamento é feito de forma coordenada entre as várias especialidades.

A clínica possui um ficheiro com 19.000 utentes realizando cerca de 1.200 consultas por mês. Tem ao seu serviço 15 médicos, cinco higienistas orais e 14 funcionários. Possui seis gabinetes abertos durante seis dias por semana, das 8h30 às 20h30 e ainda possui serviço de urgência.

Lar do Montepio tem 200 pessoas em lista de espera

GC - O Lar de Idosos tem quantos utentes? É um serviço que irá expandir-se?

SS - Do Centro de Apoio a Idosos Dr. Ernesto Moreira faz parte um Lar com 60 residentes e o Centro de Dia que tem 10 utentes. Estes últimos vêm logo de manhã, fazem tudo no lar, mas ao fim do dia vão dormir às suas casas. Temos uma lista de espera de 200 pessoas, mas salvo raríssimas excepções de desistência, só podemos voltar a ter novos elementos, no caso de alguém falecer.

Entre os utentes a média de idades é de 90 anos e temos alguns com 100 anos. O nosso lar continua a ser uma referência no panorama nacional de apoio à idade sénior, com uma equipa de trabalho muito motivada e bem dirigida. Há uma relação afectiva forte entre os funcionários e os utentes do lar e isso nota-se.

Apesar de ser um equipamento recente (1995) tem sido alvo de fortes investimentos e recentemente foi equipado com um sistema de segurança de risco de incêndio que incluiu o alargamento das portas dos quartos de modo a, em caso de catástrofe, se possa retirar os utentes altamente dependentes sem sair das suas próprias camas. 

O Centro de Dia funciona dentro do Lar e é curioso pois quem vai para o centro acaba por pedir, mais tarde, quando abre alguma vaga, para ficar no lar. É uma atitude diferente da habitual resistência pois a maioria dos seniores resiste a mudar-se de sua casa.

A entrada no lar está directamente relacionada com a situação em que vive a pessoa. Fazemos uma análise ao agregado familiar e se a pessoa tiver boas condições sociais em sua casa, não entra antes de uma que esteja a viver uma situação difícil.

GC - Recentemente surgiu a ideia de possuir um hospital de retaguarda (hoje designa-se unidade de cuidados continuados) para doentes terminais que não são aceites nos hospitais e que as famílias também não os podem acolher. Qual a situação actual?

SS - A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados abrange as unidades de Convalescença, de Média Duração e Reabilitação, bem como as de Longa Duração e Manutenção e também as unidades de Cuidados Paliativos. No Montepio existe uma Unidade de Convalescença que se destina a doentes cuja recuperação se prevê que ocorra no prazo de 30 dias.

Tem tido, desde a sua criação, em Março de 2009, uma taxa de ocupação muito próxima dos 100%. Esta unidade é dirigida por Henrique Pinto, médico especialista em medicina interna e pós-graduado em Cuidados Paliativos, que foi director do Serviço de Medicina Interna do Hospital Distrital das Caldas. Da equipa fazem parte uma assistente social, fisioterapeutas, enfermeiros e outros profissionais. Os seus utentes são sempre e obrigatoriamente referenciados pelo Serviço Nacional de Saúde.

Há muitos anos que o Montepio se dedica aos cuidados paliativos para os seus associados e clientes particulares. É algo que faz parte da actividade desta instituição. Doentes que se encontrem em fase terminal podem usar as prerrogativas de associado, podem vir como particulares ou ao abrigo dos vários sub-sistemas com quem temos acordos. Os doentes vêm para aqui em fase terminal e perecem com dignidade e toda a assistência médica de que precisam.

GC - Como tem decorrido a parceria com o Centro Hospitalar para reduzir as listas de espera?

SS - Os protocolos que temos assinados com o então Centro Hospitalar das Caldas da Rainha para a utilização de camas - em situação pós-cirúrgica ou em doentes de medicina - mantém-se em vigor dado que nenhuma das partes os denunciou. De qualquer modo, não têm sido usados pois a gestão conjunta dos três hospitais (Caldas, Peniche e Alcobaça) permitiu-lhes aumentar o numero de camas e a gestão reapreciou e não têm tido utilização prática. Agora, como temos a Unidade de Convalescença que pertence à rede nacional, isso permitiu-nos libertar o hospital desses doentes que vêm para aqui convalescer.

Alojamento "low cost" para aquistas

GC - O Montepio já revelou interesse em explorar o Hospital Termal e a Casa da Cultura. Passará pelo Montepio a dinamização das termas caldenses?

SS - O Montepio fez saber, em tempo oportuno, ao presidente da Câmara das Caldas, ao presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e ao Conselho de Administração de CHON, que estaria disponível para participar num projecto de futuro para o termalismo caldense. Dada a natureza social da nossa instituição e o seu enraizamento na região, o assunto foi recebido com muito entusiasmo pelas duas primeiras entidades. Contudo, notámos algumas reservas por parte da Administração do CHON.

A ideia do Montepio seria a de gerir o Hospital Termal, mantendo a sua função social. Gostaríamos também de edificar uma clínica termal para particulares - de médio e alto rendimento - na ex-Casa da Cultura, que decerto iria contribuir para movimentar de novo a cidade e favorecer também outros sectores de actividade. Acreditamos que esta clínica teria sucesso garantido tendo em conta todas as infra-estruturas de apoio ao termalismo que existem como a mata ou o parque.

Apostar-se-ia na recuperação do património imobiliário que o CHON possui na cidade, como as antigas cavalariças do Largo João de Deus, o antigo Lar das enfermeiras e as casas da antiga Rua do Hospício, transformando tudo em unidades de alojamento "low cost" (baixo custo) destinadas a aquistas do actual Hospital Termal.

De qualquer modo, esta unidade hospitalar seria sempre do Estado, assim como os funcionários. O Montepio cobraria uma comissão de gestão do hospital que seria zero até aquela unidade de saúde ter resultados financeiros positivos.

Quando, em 15 de Maio do ano passado, foi anunciada pelo secretário de Estado da Saúde, a constituição de mais uma comissão para estudar o assunto, ficámos com a certeza de que o mesmo não teria desenvolvimento imediato. Assim foi perdida mais uma oportunidade...

O Montepio não tomará mais qualquer iniciativa sobre a matéria mantendo-se, contudo, atento a qualquer desenvolvimento. 

GC -Que actividades fazem parte da comemoração dos 150 anos desta instituição?

SS - As actividades vão realizar-se ao longo do ano de 2010. Iniciámos o programa com a distribuição de cinco mil calendários de bolso para este ano e dotámos as entradas dos nossos prédios e todas as viaturas com material gráfico alusivo ao aniversário.

No sábado, dia 13 de Març,o vamos dar a conhecer as novas entidades que passarão a figurar no Quadro de Honra da Associação e descerrar no átrio das instalações uma escultura, cuja concepção foi oferecida pelo mestre Herculano Elias. Este artista é ainda o autor das medalhas em porcelana comemorativas do 150º aniversário. No mesmo dia será servido um almoço, no restaurante Lareira, onde serão entregues as medalhas "Fidelidade e Gratidão" aos associados e colaboradores que completaram, respectivamente 50 e 25 anos de ligação ao Montepio. Serão também homenageadas pessoas que, pelos relevantes serviços prestados à associação, foram recentemente elevados à categoria de associados honorários.

No dia 19 de Março vai realizar-se um concerto com a fadista Carminho, cuja procura de bilhetes está a ter um êxito, prevendo-se lotação esgotada. Esta fadista tem um espírito humanitário que se compagina com o espírito humanista desta associação.

Pensamos ainda durante o primeiro semestre de 2010 inaugurar o Condomínio Residencial do Montepio - Residências Assistidas.

Queremos organizar, no Verão, uma grande concentração de pessoas nascidas na maternidade do Montepio e dos seus progenitores e familiares com a realização de uma caminhada que tenha início na Casa de Saúde e termo nos jardins do Lar e do Condomínio Residencial, onde será servido um almoço ao ar livre.

Faremos uma exposição de arte em que intervenham artistas caldenses e um concurso de poesia.

O Dia Nacional do Mutualismo será este ano comemorado nas Caldas da Rainha, no dia 23 de Outubro, e no mês seguinte gostaríamos de editar a continuação da história do Montepio, um trabalho da autoria de Rui Correia que realizou o seu mestrado sobre esta instituição.

GC - Como perspectiva o futuro do Montepio? Em que áreas e que equipamentos prevêem fazer maior investimento?

SS - A curto prazo não se prevêem novos investimentos de vulto, apesar de estar no nosso horizonte a construção da nova clínica desde que se encontre um parceiro credível.

A longo prazo temos prevista a edificação de uma creche nos prédios que possuímos no Bairro da Ponte, mas que ainda têm antigos inquilinos antigos. Avançaremos logo que a obra do condomínio estiver pronta e paga.

Como vamos ficar com as 30 fracções do condomínio, teremos também que investir contratando a equipa que vai trabalhar e prestar serviços no condomínio.

Montepio em números:


168 trabalhadores no quadro

400 colaboradores directo e indirecto

8000 associados

Volume de negócios (em milhões de euros)

2009 - 6,5

2008 - 6,3

2007 - 6

2006- 5,6

2005 - 6

2004 - 6

Subsídios à Exploração - Seg. Social (LAR)

2008 - 340,2 mil euros

2007 - 332,7 mil euros

2006 - 321,4 mil euros

2005 - 312,9 mil euros

2004 - 305,9 mil euros

Resultados Líquidos

2008 - 262,9 mil euros

2007- 182,4 mil euros

2006 - 10,5 mil euros

2005 - 235,9 mil euros

2004 - 156,8 mil euros

Associados Honorários:

António Alfredo Martins AnicetoFrancisco José Jesus MartinsJoaquim BatistaJorge Nobre (a título póstumo)José Francisco Veludo ClaroEnfª Lídia Gomes Ribeiro (a título póstumo)Maria do Carmo Costa (a título póstumo)Maria Esmeralda Santos Ferreira DuarteVítor Manuel Ferreira SantosNomes a incluir no quadro de honra:Comissão Pró Prédio (1922/1934)Comissão Pró RX (1939/1944)Direcção do 1º Centenário (1960)Cap. José Luís Manique da Silva


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