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Mirandela: Testemunhos confirmam agressões a Leandro

Alunos, professores e familiares de Leandro (jovem de Mirandela que se terá suicidado, atirando-se ao Tua) ouvidos em inquérito judicial confirmam episódios de violência escolar.

15:24 Segunda feira, 8 de março de 2010

Os testemunhos recolhidos pelas autoridades confirmam a existência de agressões no caso de Mirandela, não falam em suicídio e descrevem o Leandro como "uma criança reguila", disse hoje à Lusa fonte ligada ao processo. 

A criança de 12 anos atirou-se ao rio Tua, terça feira, com alguns relatos a indicarem que se tratou de suicídio por alegada violência na escola e o caso a gerar um debate nacional sobre a problemática do bullying (agressões físicas e/ou psicológicas continuadas sobre a mesma pessoa).

De acordo com a fonte, as versões recolhidas no inquérito judicial em curso, nomeadamente de alunos, professores e familiares, "coincidem no essencial" com o que tem sido veiculado na Comunicação Social relativamente ao percurso da criança no dia do sucedido. 

Agredido e a chorar


Leandro terá sido agredido por um aluno mais velho de "17/18 anos", que frequenta as turmas de Educação e Formação na mesma escola. Colegas relatam que o viram a chorar, enquanto jogavam à bola, e a sair do recinto da escola dizendo que "ia atirar-se ao rio". "Os amigos pensam que, de facto, ele não se queria afogar. Ele nunca disse que se queria matar", relatou a fonte. 

Dos testemunhos recolhidos, conclui-se ainda que a criança "é (era) interveniente em muitas zaragatas, muitas vezes provocadas pelo próprio, que, nas situações de agressões, resistia e não demonstrava medo" 

As versões indicam também que "ele é uma criança reguila, não é apático" e "tem alguns problemas de indisciplina". "Há disciplinas, História e Ciências, em que é mal educado com os professores", acrescentam. 

Os testemunhos relatam que "às vezes faltava a aulas, como aconteceu no dia dos factos, em que não foi á última aula da manhã". Os testemunhos recolhidos indicam ainda que devia "haver por parte da escola um reforço do controlo e das medidas de apoio e vigilância". 

Escola ainda em silêncio


O inquérito judicial está a cargo do Ministério Público, que delegou na PSP de Mirandela a sua condução, nomeadamente a audição de testemunhas, cabendo ao procurador avaliar as diligências. 

A escola Luciano Cordeiro continua sem prestar esclarecimentos públicos sobre o sucedido, mas abriu também um inquérito interno que se espera "esteja concluído hoje e seja entregue amanhã (terça feira) à Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), segundo disse à Lusa o gabinete de imprensa do Ministério da Educação. 

As autoridades começaram por colocar a hipótese de "acidente" na queda do jovem ao rio, tendo em conta indicadores como o facto de ter tirado a roupa antes de entrar na água. 

Colegas e familiares associaram o caso à violência na escola e nos últimos dias várias pais têm denunciado publicamente outros alegados casos, falando mesmo de bullying e da "inação da escola". 

Queixa em 2008 confirmada pela polícia


O comandante distrital da PSP de Bragança, Amândio Correia, confirmou hoje à Lusa que "de facto, há uma queixa" de 2008 relativamente a uma alegada agressão sofrida pela criança em causa, que a polícia comunicou ao Ministério Público, naquela ocasião. O comandante desconhece "qual o resultado" dessa participação. 

A PSP de Mirandela registou também no ano letivo anterior, de 2008/2009, "três ocorrências em que foram reportadas agressões e outras tantas já neste ano letivo, a que se soma ainda o furto de um telemóvel". 

"São toda situações nas imediações, no exterior das escolas", esclareceu o comandante, referindo-se aos estabelecimentos de ensino que constituem o agrupamento Luciano Cordeiro de Mirandela. 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Nota da Direcção do Expresso

O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.

Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.

O facto de a agência Lusa adoptar o Acordo Ortográfico, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.

Pedimos, pois, a compreensão dos nossos leitores.

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A espiral
Miranda07 (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 18:14 | Segunda feira, 8 de março de 2010
A violência, passiva ou activa, desenvolve-se em espiral. Um acto de violência sofrido, não processado devidamente, pode gerar numa criança sentimentos de menor valia, de inferioridade, de não-aceitação de si. A violência praticada e não confrontada pela devida autoridade, pode gerar uma espiral de falta de responsabilidade, de falsa incolumidade, etc. Em meu entender, a violência é, sobretudo, um vício; a violência é, pois, um mal. E repito: como vício e como mal, a violência tanto pode ser activa como passiva. Num ou no outro caso importa reagir, importa remediar, importa conversar, importa ajustar atitudes, importa, numa palavra, mudar paradigmas de comportamento. Não faço ideia de como fosse o menino Leandro de Mirandela. Mas pergunto: os sinais dados da sua eventual agressividade foram devidamente processados, conversados, articulados, admoestados, integrados? Os sinais da sua impaciência, da sua, possivelmente excessiva, incapacidade de manifestar a raiva que lhe ia na alma, a sua eventual falta de capacidade de pedir ajuda a quem o podia fazer, a sua falta de vontade de se deixar guiar por adultos de confiança: será que tudo isso foi devidamente tido em conta, medidas foram tomadas, os pais foram chamados procuraram a ajuda de que também precisavam? Numa palavra: o Leandro de Mirandela já não está connosco e é possível que ninguém tenha culpa do sucedido. Mas o sistema, todo ele, passado este momento de luto, não pode fazer de conta que uma tragédia não aconteceu!
 
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Runaldinho (seguir utilizador), 1 ponto , 19:08 | Segunda feira, 8 de março de 2010
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Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 20:16 | Segunda feira, 8 de março de 2010
Há testemunhos, há ?
certo iactu (seguir utilizador), 1 ponto , 18:40 | Segunda feira, 8 de março de 2010
E onde estavam ? onde estavam há apenas... 15 dias? E antes ?
Todos sabiam, os testemunhos testemunham AGORA.
Por isto, aquilo, aqueloutro. Por causa do " não te metas" do " isso é lá com eles " do " se falares, só vai dar chatice "... Tudo como antigamente quando se dizia : - " a minha politica é o trabalho"...
Para além das muitas diferenças, há esta enorme semelhança que é terrível, porque está interiorizada nas pessoas, nos portugueses, em nós, e parece que em 35 anos nada mudou nessa interiorização!
Afinal os três " D 's " onde ficaram ?
Bem pensado, apenas na descolonização. Tinha de ser... Porque afinal, não desenvolveram nem democratizaram. É dificil chegar aqui, mas parece não haver outra conclusão !

 
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É complicado
Professor.com.muita. (seguir utilizador), 1 ponto , 19:41 | Segunda feira, 8 de março de 2010
Este caso ainda não está suficientemente conhecido para se opinar com conhecimento.

No entanto, é errado pressionar a mudança total de procedimentos baseado na emotividade de um caso.

No que toca a vigilância nos recreios das escolas, controlo de portarias, passos a dar quando um aluno vai parar a um hospital por agressão, é fundamental chegar à melhor solução possível em termos de custo/benefìcio, e assumir que mesmo assim há falhas.

Crucificar a portaria por ter deixado sair o aluno (caso isso seja verdade), pode levar a um fundamentalismo no controlo de saída, e um dia temos montes de pais a protestar porque o seu menino não foi autorizado a sair da escola numa qualquer circustância, por exemplo exigir a presencialidade do E.E. devidamente identificado para sair com o aluno (reparem que se o E.E. é o pai, nem a mãe nem o avô o podem legalmente...).

Contaram-me há uns anos uma história que não sei se é verdadeira, mas é exemplar:
- Um funcionário do hospital de faro, aqui e acolá deixava passar pela porta pessoas não identificadas (amigos dele, cunhas de funcionários, médicos enfermeiros, quem sabe?). Uma ocasião o chefe dele deu-lhe um tremendo sermão, em frente a colegas, humilhando-o para lá do necessário, e frizando-lhe que por ali não entrava nem o presidente se não tivesse BI. ...
 
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Professor.com.muita. (seguir utilizador), 1 ponto , 20:01 | Segunda feira, 8 de março de 2010
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