26/05/2012 atualizado às 10:14
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Debate

Mira Amaral defende solução Ibérica para nuclear

Os sistemas de segurança imprescindíveis ao correcto funcionamento de uma central são de tal forma dispendiosos que o ex-ministro da Energia de Cavaco Silva gostava de ver Portugal e Espanha a estudarem o assunto.

Carlos Abreu
19:15 Quinta feira, 4 de setembro de 2008
Mira Amaral: "Na minha perspectiva o dossiê do nuclear deveria ser pensado num contexto ibérico"
Mira Amaral: "Na minha perspectiva o dossiê do nuclear deveria ser pensado num contexto ibérico"
Nuno Botelho

O ex-ministro da Indústria e Energia, Mira Amaral, defendeu quarta-feira uma solução ibérica para o problema da energia nuclear em Portugal.

"Na minha perspectiva o dossiê do nuclear deveria ser pensado num contexto ibérico", afirmou o ex-governante e actual presidente do banco BIC, justificando esta ideia com a inexistência em Portugal de recursos humanos altamente qualificados, imprescindíveis para este tipo de projectos, e com os elevadíssimos custos relativos aos sistemas de segurança que seria necessário implementar caso se construísse uma central nuclear no nosso país.

Mira Amaral falava durante um debate moderado por José Paulo Santos, presidente da comissão organizadora da conferência Física 2008 na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, na Caparica, que contou ainda com as intervenções de Pedro Sampaio Nunes, consultor do empresário Patrick Monteiro de Barros no projecto da construção de uma central nuclear em Portugal, e Augusto Barroso, presidente da Sociedade Portuguesa de Física e investigador na área da Física das Partículas e Altas Energias.

Da audiência, constituída sobretudo por investigadores e docentes nos domínios da Física, chegou mesmo, já no período do debate, uma proposta concreta.

Conceição Abreu, da Universidade do Algarve, defendeu que a central espanhola de Almaraz, constituída por dois reactores e localizada nas margens do Tejo, a pouco mais de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, deveria ser desactivada e substituída por uma central de terceira geração. Um projecto que, em seu entender, deveria ser assumido conjuntamente pelos dois países.

Esta solução teria como vantagem imediata resolver o problema da localização de uma central nuclear em Portugal, tal como referiu Joanaz de Melo, especialista em questões de Ambiente e ex-presidente a associação ambientalista Geota, também presente na assistência.

"Quando, a propósito do processo da co-incineração, que é perfume de rosas em comparação com uma central nuclear, houve o estardalhaço que houve, gostava de ver onde é que se vai encontrar um sítio para construir uma central nuclear em Portugal", questionou Joanaz de Melo.

Prós e contras
Central Nuclear de Almaraz, nas margens do Tejo
Central Nuclear de Almaraz, nas margens do Tejo
João Carlos Santos

O debate acabou por servir, sobretudo, para identificar os prós e os contras da energia nuclear mas também das renováveis (solar, eólica e hidroeléctrica).

Sampaio Nunes, partidário da construção de uma central nuclear em Portugal, lembrou que "as renováveis não são assim tão limpas", já que da produção deste tipo de equipamentos resulta a emissão de dióxido de carbono (CO2), enquanto uma central nuclear apenas liberta vapor de água para a atmosfera.

Na sua opinião será ainda necessário dispor de uma solução alternativa  para quando não há sol, vento ou água. "É evidente que é o nuclear que nos pode trazer uma solução para este problema", afirmou.

Mira Amaral lembrou ainda o impacto na paisagem, nomeadamente dos parques eólicos.

Já a propósito dos resíduos nucleares, urânio enriquecido (235), que servem de combustível aos reactores, e empobrecido (238), um subproduto do enriquecimento do urânio, Joanaz de Melo contradisse em absoluto a versão avançada por Sampaio Nunes, para quem se resolve este problema isolando os produtos radioactivos.

"Não é verdade que o problema da extracção de resíduos esteja resolvido. Não há nenhum país do mundo que neste momento tenha uma solução definitiva", contrapôs Joanaz de Melo lembrando que há 22 anos, estava no Governo Mira Amaral, Espanha manifestou a intenção de guardar em Aldeadávila de la Ribera, junto à fronteira portuguesa, os resíduos produzidos pelas suas centrais.

Para este ex-dirigente ambientalista, "falar apenas destes resíduos não é sério porque há ainda a extracção". Joanaz de Melo lembrou a grave situação que se vive actualmente nas desactivadas minas de urânio da Urgeiriça, Viseu, onde ainda se registam elevados níveis de radioactividade. "No dia em que, seja onde for, se instale uma extracção de urânio, acabou a agricultura e o turismo nessa região", concluiu.

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Hipóteses
Leiki (seguir utilizador), 1 ponto , 20:00 | Quinta feira, 4 de setembro de 2008
Creio que Portugal, país periférico, sem recursos naturais, económicamente dependente, deve fomentar a investigação séria e efectiva de todas as formas de obtenção de energias alternativas ao petróleo. Encarar todas as alternativas sem ideias pré-concebidas (sejam a favor ou contra) e sem "lobbys".
O futuro não se avizinha nada risonho no que a este tema toca. Inclusivamente no que respeita ás necessidades de água doce.
 
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obviamente
Tokarev (seguir utilizador), 1 ponto , 20:01 | Quinta feira, 4 de setembro de 2008
No nuclear como em todas as matérias estruturantes Portugal é apenas um anexo da Espanha.
 
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Ka Grande Chimpanzé
Joao Cruz (seguir utilizador), 1 ponto , 20:38 | Quinta feira, 4 de setembro de 2008
"O ex-ministro da Indústria e Energia, Mira Amaral, defendeu quarta-feira uma solução ibérica para o problema da energia nuclear em Portugal"

E que vantagens teria a Espanha deste iberismo makakóide ?
________________________

para este iberismo makakóide só há uma resposta:

Portugal região autónoma de Espanha
Independência da Madeira
Açores Estado Americano
 
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    Re: Ka Grande Chimpanzé    Ver comentário
aukistuxego (seguir utilizador), 1 ponto , 21:38 | Quinta feira, 4 de setembro de 2008
...Solução ibérica para o núclear
alrane (seguir utilizador), 1 ponto , 21:56 | Quinta feira, 4 de setembro de 2008
Se essa hipótse avançasse, onde é que se iria construir essa ou essas centrais nucleares? e à "porta" de quem? Naturalmente que os espanhóis iriam "empurrá-las" para o território
português e tirar o máximo partido das mesmas.Ao longo da história,só D. João II lhes levou a melhor no tratado de Tordesilhas, de resto, perdemos sempre com eles nos "negócios" que tinham alguma relevância.
Temos imenso sol, vento e mar.Para que é que precisamos do nuclear?
É minha convicção pessoal, de que por trás da ideia do nuclear estarão grandes negócios,
dos quais só alguns (sempre os mesmos) irão beneficiar. Na mira de nos arranjarem postos
de trabalho e outras migalhas do género, metem-nos o nuclear dentro de casa.Só gostaria
que os meus concidadãos portugueses não se deixassem enganar. Esses senhores que
vão lá pôr o nuclear no quintal deles.

 
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A baba, o cuspo e a energia
userEX180203 (seguir utilizador), 1 ponto , 23:46 | Quinta feira, 4 de setembro de 2008
A temática da energia, à semelhança do que aconteceu durante e após os anteriores choques petrolíferos, afigura-se de grande importância. Lamento que em Portugal, nesta matéria e em muitas outras haja uma total ausência de estratégia.
Este fulano, que tem um problema de dicção e que se baba e cospe quando fala (triste espectáculo) teve um papel importante nessa área, pois na altura o ministério que tutelava, que até incluía o substantivo energia, o seu contributo foi nenhum.
Actualmente aparece como sumidade nesta matéria, como noutras mais, nomeadamente na banca como recordista de “papa” reformas da CGD, mas o que diz são meras balelas.
É o mediatismo. São questões complexas e, um fulano que seja ex ministro, engenheiro (não do ramo de energias) e que por essa via se promoveu, venha dizer banalidades como esta, na medida em que somos Ibéricos antes de sermos portugueses, é obvio que muitas soluções devem ser Ibéricas, quer do ponto de vista geográfico quer económico. O tempo do orgulhosamente sós já nos penalizou o suficiente.
É confrangedor ver estes tipos que quando tiveram oportunidade de ajudar a desenvolver uma estratégia para o país se limitaram a assinar contratos de subsídios ao investimento suportados por fundos comunitários, venham agora armados em visionários. Vá-se babar e cuspir para outra freguesia!
 
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    Re: A baba, o cuspo e a energia    Ver comentário
Jonas Savimbi (seguir utilizador), 1 ponto , 10:34 | Sexta feira, 5 de setembro de 2008
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