O ministro da Economia da Grécia, Michalis Chrysochoidis, confessou não ter lido o memorando de entendimento assinado com a troika.
"Não li o memorando. Tive outras obrigações e responsabilidades", disse o ministro. "Como ministro que deve zelar pela proteção dos cidadãos tinha que combater o crime. Não tive tempo para estudar o memorando", acrescentou o responsável, citado pelo jornal "Ekathimerini" de Atenas.
Para Chrysochoidis, o acordo de assistência financeira foi assinado numa altura complicada, incluindo medidas de austeridade que afundaram a economia já debilitada.
"As negociações foram muito horizontais e basearam-se numa projeção simplista e otimista que previam que as coisas poderiam melhorar de certa forma ", disse o ministro.
"No entanto, nada caminhou nesse sentido, dado que as sucessivas medidas de austeridade provocaram uma recessão mais profunda, porque reduziu-se a liquidez"
O governante afirmou ainda que se distancia da visão do ministro das Finanças Evangelos Venizelos, sublinhando que é contra a perspetiva de "salvar o país, mas tornar a vida dos cidadãos mais amarga".
O FMI e a UE estão a pressionar a Grécia para alcançarem um acordo que permita reduzir o peso da dívida dos atuais 160% do produto interno bruto (PIB) para 120%.
Acordo de reestruturação da dívida
O ministro das Finanças anunciou hoje que a Grécia está prestes a concluir o acordo de reestruturação da dívida com os credores privados e agora a preparar as medidas de austeridade para assegurar o segundo resgate internacional.
"Estamos a um passo - e eu diria que é uma formalidade - de finalizar o acordo" de reestruturação da dívida, disse o ministro, que falava em conferência de imprensa.
"Os próximos dias determinarão o que vai acontecer na próxima década", acrescentou Venizelos, afirmando que os ministros das Finanças da zona euro deverão reunir-se na segunda-feira para debater a crise da dívida grega.
No entanto, o porta-voz de Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, afirmou que ainda não há nenhuma decisão quanto a um eventual encontro dos ministros a 6 de fevereiro.