O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, exonerou hoje o diretor nacional da Polícia de Segurança Pública, superintendente Guilherme Guedes da Silva, substituindo-o por Paulo Jorge Valente Gomes.
O ministro da Administração Interna disse hoje que a PSP precisa de começar uma nova etapa, com novos desafios, e que essa mudança começou com a exoneração do diretor nacional.
Miguel Macedo falava no programa da RTP "prós e contras" no dia em que decidiu demitir o superintendente Guedes da Silva do cargo de diretor nacional da PSP, substituindo-o por Paulo Valente Gomes.
"Fiz uma ponderação cuidada"
"Fiz uma ponderação cuidada da situação na PSP e, avaliando várias questões, considerei que era adequado proceder a esta mudança", afirmou o ministro.
Para Miguel Macedo "é importante que a PSP comece uma nova etapa, com novos desafios, com um impulso reformador, focando a atenção da instituição e do seus elementos naquilo que é a sua atividade: assegurar a paz social e a segurança pública".
No mesmo programa, o novo diretor nacional da PSP, que é o primeiro oficial da escola superior de polícia a chegar ao topo da hierarquia, afirmou estar "consciente das dificuldades", garantindo que tudo fará "para conseguir coesão, disciplina e trabalho" na Polícia de Segurança Pública.
Paulo Valente dirigia Unidade Orgânica de Recursos Humanos
O superintendente Paulo Valente Gomes era, desde 2 março, director nacional adjunto para a Unidade Orgânica de Recursos Humanos da PSP e antes tinha ocupado a direcção do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna.
Guilherme Guedes da Silva ocupava o cargo de diretor nacional da PSP desde 28 de março, tendo sido o número dois da direcção na Unidade Orgânica de Operações e Segurança, Comandante Regional da PSP da Madeira e posteriormente dirigiu o Comando Metropolitano de Lisboa (COMETLIS).
Novo diretor nacional é um"marco histórico" para a polícia
O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP) saudou a nomeação do novo diretor nacional da PSP, considerando que é "um marco histórico" para aquela força passar a ser dirigida por um oficial de polícia.
Em declarações à agência Lusa, Carlos Ferreira, dirigente do SNOP, afirmou que "é o início de uma nova era" para a PSP, até agora dirigida por militares, passar a ter um diretor nacional, Paulo Valente Gomes, que "foi o primeiro classificado do primeiro curso da então Escola Superior de Polícia, em 1984".
Carlos Ferreira destacou que é "fundamental que o Ministério da Administração Interna e Governo deem condições para que [Paulo Valente Gomes] possa de facto desempenhar com êxito as suas funções e resolver os problemas urgentes que continuam por resolver", ressalvando que sem meios, "é difícil fazer milagres".
"Era uma questão de tempo"
A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP) recebeu "com alguma naturalidade" a exoneração do diretor-nacional, realçando que "era uma questão de tempo", depois da mudança de Governo.
Comentando à Agência Lusa a decisão, o presidente da ASPP, Paulo Rodrigues, disse que a associação a recebeu "com alguma naturalidade" e que "era uma questão de tempo", já que "costuma ser tradicional" substituir o diretor-nacional da polícia quando há mudança de Governo.
Sobre o diretor-nacional da PSP que agora cessa funções, Paulo Rodrigues disse que "fez praticamente aquilo que pôde e não teve as condições necessárias" para trabalhar.
Quanto o seu substituto, o dirigente sindical considerou que "reúne os requisitos em termos de antiguidade", esperando que Valente Gomes "lidere a Direção-Nacional da polícia apoiado numa boa equipa", para que, "em diálogo com o Governo", possa ultrapassar os "constrangimentos financeiros" com que se debate a PSP e "repor a justiça" nas tabelas remuneratórias dos agentes.
Veja vídeo SIC com Miguel Macedo:
Veja vídeo SIC com o novo diretor da PSP: