26/05/2012 atualizado às 10:06

Ministério reduz provas de ingresso para candidatos a professor

Falta de controlo da qualidade do ensino superior obriga a testar competência dos candidatos, explica o secretário de Estado Adjunto.

Isabel Leiria
9:00 Sábado, 24 de janeiro de 2009
Uma prova igual para todos em vez de duas, o fim de uma nota mínima de acesso e a redução do número de candidatos que terão de se sujeitar a este teste. São estas as propostas relativas às condições de ingresso na carreira docente que o Ministério da Educação vai apresentar na próxima quarta-feira aos sindicatos.

Apesar de o novo modelo de acesso à profissão, contemplado no Estatuto da Carreira Docente, nem sequer ter sido ainda experimentado, este é um dos dossiers incluídos no processo negocial em curso.

O facto de estar a haver esta revisão e de o Ministério da Educação dar razão a quem aponta riscos de subjectividade na correcção das provas que estão previstas, levaram a avançar com estas propostas, explica o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira.

Assim, o teste de língua portuguesa e raciocínio lógico e ainda a prova que devia avaliar os conhecimentos disciplinares específicos dos candidatos a professor deverão ser substituídos por um único exame. "É uma prova que se baseia fundamentalmente na avaliação da capacidade de raciocínio e resolução de problemas, constituída essencialmente por perguntas de resposta múltipla, o que elimina dúvidas de rigor na correcção", adianta Jorge Pedreira.

Este tipo de prova é elaborado por uma agência australiana (Australian Council for Educational Research), que também trabalha nos testes internacionais de literacia conduzidos pela OCDE, informa o secretário de Estado. Mas quem quiser ver as suas competências avaliadas por um teste relativo à sua área disciplinar também o poderá solicitar.

Com este teste deixa ser necessário a obtenção de uma classificação mínima de 14 valores para se poder ambicionar a entrar na carreira. "O objectivo é despistar quem tem condições para ser professor e perceber se está apto ou não", afirma Jorge Pedreira.

Mas esta triagem continua a ser necessária, continua o governante, porque "o sistema de garantia de qualidade das formações de ensino superior [a nova agência de avaliação e acreditação] ainda não produziram as consequências necessárias".

O secretário de Estado aponta mesmo dois exemplos que, na sua opinião, causam "perplexidade". "Não deixa de ser estranho que duas instituições privadas - o Instituto Piaget e o Instituto Superior de Ciências Educativas - tenham colocado nas escolas tantos professores do 1.º ciclo e educadores de infância nos últimos dez anos quanto o conjunto de todas as escolas superiores de educação", nota. Sendo que a selecção dos docentes se baseia sobretudo na classificação final de licenciatura.

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Vergonha
aguafria (seguir utilizador), 1 ponto , 12:26 | Sábado, 24 de janeiro de 2009

"Apesar de o novo modelo de acesso à profissão, contemplado no Estatuto da Carreira Docente, nem sequer ter sido ainda experimentado, este é um dos dossiers incluídos no processo negocial em curso."

A isto chama-se legislação de qualidade!
 
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Algumas observações
Maria Mar (seguir utilizador), 1 ponto , 11:27 | Segunda feira, 26 de janeiro de 2009
Apesar de o novo modelo de acesso à profissão, contemplado no Estatuto da Carreira Docente nem sequer ter sido ainda experimentado, este é um dos dossiers que o Ministério quer experimentar, desculpem implementar. Primeiro pagamos impostos para as pessoas tirarem os cursos (que não prestam), depois pagamos impostos para uma empresa fazer exames a dizer que esses cursos não prestam e para as pessoas não poderem trabalhar, e depois? Deixamos essas pessoas no desemprego ou mandamo-las tirar outro curso? Não é mais barato e verdadeiro fechar os cursos que não prestam??? As estatísticas não ficam tão bonitas mas a eficiência aumenta...
E para que serve a Agência de Avaliação e Acreditação para a Garantia da Qualidade do Ensino Superior (em banho maria desde que foi criada, após a extinção do INAFOP que tinha essa missão e que estava a trabalhar na acreditação dos cursos de formação inicial)? Esta agência vai fazer o quê (está criada há mais de 1 ano e ainda não fez nada!)? E se a Agência Nacional acreditar bem um curso e os mestres formados neste curso reprovarem no exame do ME? E se avaliássemos os políticos pela mesma bitola? Santa incapacidade de raciocínio!
Última observação: se com este exame se quer separar o trigo do joio dos cursos de formação de professores, como é que um exame que avalia “a capacidade de raciocínio e a resolução de problemas” pode ser capaz de dar indicações sobre a qualidade de alguns cursos?É que esse tipo de exame não verifica a qualidade dos cursos
 
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