Sessenta e seis mineiros espanhóis estão fechados, por vontade própria, em duas minas de carvão, a 500 metros de profundidade, por não receberem salários há dois meses. Na região de Palencia encontram-se 52 mineiros, estando os restantes 14 na região de Bierzo, em Leão.
"Só queremos que a empresa nos pague e que o Governo faça o que prometeu", diz um dos mineiros.
Primeiros sinais de cansaço
O facto de os mineiros não receberem salários há dois meses não é o único problema. Há um ano e meio que o carvão que produzem se vai acumulando à entrada das minas, porque as centrais elétricas estão paradas.
Desde julho de 2009 que as centrais não compram o carvão produzido. O Governo acionou um "plano estratégico temporal" mas este acabou por não resultar.
O responsável de um dos sectores da mina de Bierzo, Augusto Pires, afirma que a menos que algum fique doente, a intenção dos mineiros é manter-se no interior das minas até a situação se resolver.
Os mineiros que estão na região de Bierzo não falam aos meios de comunicação, mas um familiar, também mineiro, diz que está tranquilo porque eles estão numa zona segura, embora corram riscos por causa da humidade e do frio.
Os mineiros têm recebido comida e apoio moral dos que colegas e familiares que se encontram do lado de fora, e o presidente da comissão, Rubén Fernández, garante que estão com força suficiente. Mas a verdade é que alguns já começam a mostrar sinais de cansaço físico.