O sonho de qualquer historiador seria recuar no tempo e assistir à vida doutras eras. No caso das Invasões Francesas a tecnologia digital já permite recriar os acontecimentos, pelo menos no que respeita à movimentação das tropas no terreno. É isto que o Instituto Geográfico do Exército (IGEO) está a fazer no âmbito das comemorações do Bicentenário da Guerra Peninsular.
O instituto elabora, entre outras coisas, a cartografia do território nacional às escalas 1/25.000 e 1/50.000 para fins militares. O projecto em curso junta a cartografia digital existente, aos mapas do Google e a cartas do séc. XIX. Sobre esta base é marcada a movimentação das tropas invasoras e das forças anglo-portuguesas que as combateram, com base nas descrições conhecidas das operações.
Resulta uma animação em três dimensões e a cores onde se visualizam o relevo, as localidades e os trajectos seguidos pelos exércitos em presença."Foi um trabalho em que fomos aprendendo a apresentar da forma visualmente mais eficaz a movimentação das diferentes forças. Por exemplo, as primeiras versões ainda não tinham uma bússola no ecrã para ajudar o espectador a não perder a orientação quando o mapa roda", explicou o tenente-coronel Luis Nunes, responsável técnico do projecto.
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| Recriação dos combates pela posse de Chaves (II Invasão Francesa) |
| Alberto Frias |
Para já estão editados dois DVD, um sobre as batalhas da Roliça e do Vimeiro (I Invasão Francesa, Agosto de 1808) e outro sobre alguns dos principais combates da II Invasão Francesa (Fevereiro a Maio de 1809). Aproveitando o levantamento já feito, com o auxílio de estações virtuais de GPS, dos fortes das Linhas de Torres Vedras (1810), está em curso a edição de novo disco, agora sobre as fortificações a norte de Lisboa que travaram a III Invasão Francesa.
A este se juntará uma recriação da Batalha do Buçaco (Setembro de 1810), principal combate da última invasão das tropas napoleónicas. Estes DVD poderão vir a ser usados pelas escolas, hipótese que está em estudo.
"Sendo uma unidade militar, trabalhamos numa lógica de serviço público. Da mesma forma que colaboramos comercialmente com empresas de cartografia e planeamento, neste caso damos à sociedade acesso aos nossos trabalhos de reconstituição histórica", explicou o coronel José Rossa, director do instituto.