Milhares de egípcios pedem pena de morte para Mubarak
No clima já tenso da segunda volta da eleição presidencial, marcadas para 16 e 17 deste mês, milhares de egípcios protestaram hoje no Cairo e outras cidades egípcias contra as sentenças consideradas muito brandas no processo do ex-Presidente Hosni Mubarak e de vários colaboradores.
No Cairo, a multidão juntou-se na célebre praça Tahrir, mas registaram-se também concentrações em Alexandria (norte), nas cidades do canal de Suez (Suez, Port-Saïd e Ismaïliya) ou ainda em Assiout (sul), segundo as forças de segurança.
Seis responsáveis da Polícia foram absolvidos
A polémica sobre este processo veio tornar ainda mais pesada a atmosfera política da segunda volta da eleição presidencial, em que se confrontam o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Morsi, e o último primeiro-ministro de Mubarak, Ahmad Chafiq.
Os apelos à manifestação foram lançados por organizações de jovens laicos pró-democracia e alguns candidatos à Presidência eliminados na primeira volta.
Mubarak e o seu antigo ministro do Interior, Habib al-Adli, passíveis de serem punidos com a pena capital, foram condenados a prisão perpétua. Seis altos responsáveis da Polícia igualmente perseguidos pelo homicídio de cerca de 850 pessoas durante a
revolta do início de 2011 foram absolvidos.
As acusações por corrupção que pesavam sobre Mubarak e os seus dois filhos, Alaa e Gamal, não foram consideradas.
Estado de saúde de Mubarak agrava-se
Entretanto, o estado de saúde de Hosni Mubarak agravou-se nos últimos três dias, desde que foi condenado a prisão perpétua pela morte de manifestantes, disse hoje um responsável da segurança da prisão de Tora.
O responsável, que pediu anonimato, disse à agência noticiosa norte-americana AP que o ex-presidente egípcio desmaiou várias vezes durante o dia de hoje e teve de ser ventilado devido a dificuldades respiratórias.
Mubarak, Presidente do Egito durante 30 anos, foi condenado no sábado por não ter impedido que as forças de segurança matassem mais de 800 manifestantes durante a revolta popular que acabou por levar à sua demissão em fevereiro de 2011.
Desde que foi detido, há 13 meses, até à condenação, Mubarak tem estado internado em hospitais, primeiro na estância de Charm el-Cheikh e, depois, num hospital militar nos arredores do Cairo.


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Protestos hoje no Cairo
