O secretário geral do
PSD
, Miguel Relvas, recorreu hoje às histórias infantis para ilustrar o "país de ilusão" em que José Sócrates vive, considerando que o primeiro ministro sofre da "síndroma da bruxa má".
"Temos um primeiro ministro que sofre da síndroma da bruxa má. Um primeiro ministro que todos os dias se vê ao espelho e diz 'espelho meu, espelho meu, quem é melhor do que eu'", afirmou Miguel Relvas, em declarações aos jornalistas no final da sessão de abertura da Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide até domingo.
Recuperando um ideia que já tinha transmitido no seu discurso, o secretário geral do PSD considerou que José Sócrates "vive uma visão bipolar da vida".
"Há dois países para ele"
"Há dois países para ele: o país dos problemas, o país dos outros e do povo português e o seu país que é um país de irrealidades e de ilusão, mas que não tem nada a ver com o dia a dia e com a dureza e a dificuldades com que os portugueses são confrontados", criticou.
Defendendo que o executivo é que tem de encontrar respostas concretas para os problemas e de governar em vez de tentar "permanentemente criar um clima de conflitualidade política", Miguel Relvas recusou que o PSD tenha feito um "ultimato" relativamente ao dia 09 de setembro, quando se esgota o prazo para o Presidente da República poder dissolver a Assembleia da República antes das eleições presidenciais de janeiro.
Pelo contrário, frisou, os sociais democratas apenas avançaram com aqueles que consideram ser os princípios base para aprovarem o Orçamento de Estado para 2011, nomeadamente impedir que a despesa continue a aumentar e acabar com "ataque permanente" à classe média.
"Sacrifícios têm que começar por quem tem mais condições"
"O que o PSD quer é dizer que não queremos que se aumentem mais impostos e achamos que o caminho está em cortar na despesa", reiterou, considerando que Portugal já tem uma carga fiscal muito elevada.
Questionado se o PSD poderá vir a aceitar que se mexa nas deduções dos escalões mais altos, Miguel Relvas disse que para o seu partido o problema que se coloca não é nas classes mais altas.
"Temos dito sempre que há sacrifícios que têm de ser feitos e esses sacrifícios têm que começar por aqueles que têm mais condições, não podemos tratar por igual o que não é igual", afirmou.
Contudo, continuou, o "grande problema não é o Governo querer mexer nos escalões mais altos", o grande problema e que para o PSD é "inaceitável" é o executivo querer mexer a partir do terceiro escalão. "Isso é que nós não aceitamos", garantiu, considerando que "apenas na cabeça deste Governo" uma pessoa que ganhe €1300 é uma pessoa rica.