Primeiro, as boas notícias: a AEG Live, promotora de espectáculos que organizava a revoada de concertos em Londres, informou que filmara para cima de 100 horas de material digital mostrando Michael Jackson nos ensaios do seu show "This Is It". Afinal, ainda vamos ter direito a uma última dança.
Não deixa de ser excitante: dois dias antes de falecer, Michael Jackson é visto em palco a dançar e a cantar. A polémica já começou. Há quem veja nas imagens um homem exibindo outra vez as suas enormes capacidades físicas e vocais, e há quem veja apenas um corpo que se arrasta, uma enorme falta de vontade e quase que um entusiasmo automático. Prevê-se que as imagens venham a ser transformadas em filme documental que, mais tarde, possa ser exibido em Imax.
Mudando de assunto: enquanto é feita outra ronda de testes laboratoriais aos pulmões, ao cérebro e aos tecidos neurológicos, os restos mortais de Michael Jackson continuam encerrados numa câmara frigorífica do cemitério Forest Lawn de Hollywood Hills, onde serão sepultados se a família não optar pela cremação ou por dar ao cantor um repouso maior em Neverland, longe da cidade.
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| Com capacidade para apenas 20 mil pessoas, o Staples Center será pequeno para acolher a peregrinação de fãs aguardados em Los Angeles para a homenagem pública a Michael Jackson |
| Jae C. Hong/AP |
Continua por determinar, oficialmente, a causa da morte. Mas a cerimónia de homenagem pública já está marcada para o Staples Center, na baixa de Los Angeles. As portas abrem-se às 8 da manhã de terça-feira e os elogios ao microfone vão ser ouvidos em directo para todo o mundo a partir das 10. O desfile de vedetas será, certamente, exuberante.
A arena tem capacidade para 20 mil pessoas mas, porque decorrem já os festejos do 4 de Julho, há quem preveja que vão aparecer muitas mais, até porque o pavilhão estará apinhado de luminárias do entretenimento. E o ingresso é grátis.
Se aparecer uma multidão em estilo peregrinação vai ser preciso montar barricadas e contratar agentes da ordem, mas com a Califórnia na bancarrota a classe política local voltou a lembrar que não há dinheiro nenhum para gastar em exibições públicas de tristeza.
Na frente familiar, Debbie Rowe deu indicações de que estaria interessada em ficar com as suas crianças, pelo menos, senão mesmo com os três miúdos (o nome de Debbie Rowe só consta das intenções sucessórias apresentadas a tribunal numa ocasião: como sendo a mãe biológica de duas das crianças, sendo que um dos filhos de Jackson se mantém como nascido de mãe anónima).
Foi numa entrevista que Debbie Rowe clarificou que, naturalmente, queria as crianças de volta, agora que o pai morreu. O tom peremptório não caiu bem neste momento de choque colectivo e o advogado dela veio apressadamente a público pedir que não isolassem as palavras do contexto, porque seria um erro inferir que Debbie Rowe tinha dado a conhecer a sua intenção final.
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| Debbie Rowe e Michael Jackson no dia do casamento, 14 de Novembro de 1996 |
| Reuters |
Tudo muito estranho. Porque razão um representante legal diria que a cliente não está interessada em participar não só na vida divertida dos filhos mas, nunca desprezando, também na vida daquela fortuna que se vai multiplicar muitas vezes no futuro? Estratégia. Michael Jackson está em fase de endeusamento e, tal como disse o advogado de Deborah Rowe, "as batalhas legais para obtenção de custódia parental são a fase mais delicada de todas. É um assunto muito íntimo. As crianças, agora órfãs de pai, precisam de ser deixadas em paz".
Na última sondagem de opinião, Rowe, a mulher que aceitou dinheiro para se manter afastada dos filhos, é apenas bem vista por 40% dos inquiridos, contra 60% que a acham uma megera interesseira.
Felizmente para Rowe, um falecido não pode decidir em testamento o destino dos filhos. Um filho não é posse material, crédito bancário ou direito de autor. Os vivos terão de fazer a guerra e decidir. Um trunfo que ela guarda na manga: o próprio Michael Jackson declarou há tempos que tinha sido muitíssimo mal tratado pelo pai. Debbie Rowe pode sempre alegar que não faz sentido confiar os miúdos à mãe do cantor, dado que esta continua casada com um senhor, agora avô, com tendência para o abuso físico de menores.
O advogado tem razão. Antes de mostrar as suas intenções futuras, é aconselhável que Debbie Rowe deixe que a reputação de Jackson aterre. Pode ser que, com a autópsia aberta ao escrutínio, as emoções populares se equilibrem, sobretudo se aparecerem provas científicas sobre o uso de drogas farmacêuticas.
Talvez Debbie deva saltar e abocanhar a presa quando o nome Jackson, manchado pelo uso de drogas e da violência infantil, voltar a ser arrastado pela lama. Aí sim, ela deve apresentar as credenciais de mãe lutando contra um clã chamado, coincidentalmente, Jackson.