A intriga que rodeia a morte inesperada de Michael Jackson acaba de ganhar ainda mais velocidade noticiosa: o Departamento da Polícia de Los Angeles (LAPD) considera que Michael Jackson faleceu vítima de homicídio, isto de acordo com fontes informativas colocadas no interior da investigação que as autoridades continuam a executar sobre a morte do cantor ocorrida a 25 de Junho.
Embora não tenham sido avançados mais pormenores, acredita-se que a qualificação oficial de homicídio venha na variante mais atenuada, quando, por falta de planeamento e dolo, se considera que o acto do qual resultou a morte do indivíduo foi cometido involuntariamente e sem intenção. As últimas análises referem que Michael Jackson morreu vítima de uma dose excessiva de Propofol
.
Conrad Murray, o médico que acompanhava o cantor, mantém-se como pessoa de grande interesse na investigação, uma expressão que, no circuito policial, denuncia o sujeito considerado suspeito principal.
Conrad Murray
já confessou que Michael Jackson precisava diariamente de 50 miligramas de Propofol, a substância anestesiante que o 'rei da pop' usava para dormir. Murray confirmou igualmente que, depois da administração intravenosa de Propofol, foi dar atenção a outros afazeres, tendo deixado o cantor sozinho no quarto da mansão em Bel Air onde o corpo foi encontrado já sem respiração.
O Propofol é uma droga delicada geralmente usada nas salas de operações. As doses têm de ser bastantes para permitir a operação sem dor, mas, se houver um erro de excesso, podem provocar a paragem respiratória e dos músculos coronários.
Confirmando-se que o doutor Conrad Murray é o único arguido num dos processos legais mais mediáticos da década, é possível que os pormenores da vida do cantor sejam trazidos para o foro público. Conrad Murray colocou recentemente um vídeo no YouTube
em que se diz inocente, especialmente, declara, porque não suspeitava que o cantor tivesse tantos problemas médicos quando este o contratou.
É natural que, daqui para a frente, o confronto legal oponha duas visões irreconciliáveis: Conrad Murray tentando provar que Michael Jackson morreu por mão própria e tem de ser remetido para a categoria de vítima de overdose; e a LAPD apresentando testes laboratoriais afirmando que Conrad Murray, através de receitas médicas falsas e outros truques ilegais, não usou do cuidado necessário quando assumiu a responsabilidade de médico privado e residente.
A meio da investigação, e à medida que os colegas e assistentes do cantor iam revelando os hábitos farmacêuticos do cantor, a LAPD começou a tratar Michael Jackson como addicted (viciado). É especialmente grave quando um profissional da carreira médica, mediante pagamentos regulares, possibilita um caso de dependência do qual resulta uma morte.
Outra implicação: a companhia de seguros não vai pagar à promotora de concertos AEG se ficar confirmado que a morte resultou do consumo ilegal de drogas. É, de momento, impossível prever se, com Michael no papel de vítima acidental, a família Jackson irá tirar partido da situação e processar uma qualquer entidade mais vulnerável.