26/05/2012 atualizado às 1:56
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Michael Jackson: Anestesiante potente terá causado paragem cardíaca

Medicamento fatal encontrado na mesinha de cabeceira de Michael Jackson. A morte do artista apresenta um novo nome na lista dos possíveis culpados: propofol, ou Diprivan para os amigos. A droga farmacêutica potentíssima é usada como anestesiante nas salas de operações.

Clique para visitar o dossiê Michael Jackson (1958-2009)

RHC, em Los Angeles
12:16 Quarta feira, 1 de julho de 2009
Elementos daa autoridades judiciais de Los Angeles durante as investigações e recolha de material diverso na casa de Michael Jackson
Elementos daa autoridades judiciais de Los Angeles durante as investigações e recolha de material diverso na casa de Michael Jackson
Nick Ut/AP

No último capítulo, talvez tenha sido um anestesiante perigosíssimo que pôs fim ao sonho final de Michael Jackson. Na rusga que a Polícia efectuou à mansão que habitava, nas últimas 24 horas foram levados para análise laboratorial pelo menos dois sacos plásticos negros com embalagens várias contendo todo um sortido fármaco.

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ Michael Jackson morre aos 50 anos

Mas foram igualmente captadas imagens de agentes da autoridade confiscando dois outros sacos, desta vez verdes, usados nos hospitais americanos para depósito exclusivo de material tóxico. Como é o caso das seringas e ampolas.

Outra indicação perturbante: junto da cama havia sido encontrada uma embalagem de lidocaína. Qualquer Miss Marple seria capaz de concluir que a lidocaína tinha sido aplicada para alívio de uma qualquer dor - por exemplo, a dor de uma picada de agulha que tentava encontrar um vaso sanguíneo magrinho. Na injecção intravenosa de propofol a dor é sempre imensa na área cutânea espetada pela seringa.

A nutricionista Cherilyn Lee, a quem Michael Jackson pediu que lhe arranjasse Diprivan, um fármaco anestésico
A nutricionista Cherilyn Lee, a quem Michael Jackson pediu que lhe arranjasse Diprivan, um fármaco anestésico
Jae C. Hong/AP

E já que estamos a falar de anestesiantes: não foi Michael Jackson quem, um dia, pediu com demasiada insistência a uma enfermeira nutricionista que o acompanhava, Cherilyn Lee, que lhe receitasse Diprivan, por causa das insónias terríveis? A agência noticiosa Associated Press traz conversa com a senhora e o ambiente retratado é abissal.

Lee diz que, nos últimos dias de vida, Jackson gritava com dores e queixava-se de que metade do corpo estava a ferver e a outra metade um gelo. Queria Diprivan, disse ela. O nutricionista Lou Ferrigno, que auxiliava o cantor numa fase de ensaios extenuantes, disse que Jackson queria manter-se saudável mas que tinha uma enorme necessidade de dormir. Como se ansiasse ser deixado, finalmente, em paz.  

Milk of Amnesia


O propofol é uma substância delicada. Dos estagiários hospitalares que se tornaram dependentes, 40% morreram de overdose. Há casos de médicos que passaram a pescar embalagens nos caixotes do lixo da secção de cirurgia só para poderem aproveitar as últimas gotas. Um bocadinho coloca uma pessoa a dormir, mas um nadinha mais provoca facilmente uma paragem total do relógio coronário.

É usado na veterinária, nas salas de operação, e nunca, mas nunca, está disponível ao público. Controladíssima, é uma substância capaz de parar o coração se for tomada em excesso. Branca, brilhante, parece-se com leite.

Os anestesistas gostam de brincar com o poder daquela fusão química. Referem-se ao propofol com a expressão Milk of Amnesia. A evasão corpórea é total, como todos aqueles que já foram operados sabem. Não se trata de apenas estancar a dor, seja ela física ou existencial. A remissão para uma vida paralela é instantânea. O cérebro não fica apenas adormecido. Fica suspenso e vai viver outra vida melhor.

Uma luva, um chapéu e uns óculos, sobre um banco colocado num palco, representam a figura de Michael Jackson durante um tributo ao artista realizado ontem no Apollo, conhecida sala de espectáculos no bairro de Harlem, em Nova Iorque
Uma luva, um chapéu e uns óculos, sobre um banco colocado num palco, representam a figura de Michael Jackson durante um tributo ao artista realizado ontem no Apollo, conhecida sala de espectáculos no bairro de Harlem, em Nova Iorque
Jason DeCrow/AP

Curiosamente, num estudo publicado recentemente sobre o uso daquela substância entre a classe anestesista, os números apontaram numa direcção interessante. A maioria dos dependentes, sobretudo no escalão feminino, tinha sofrido traumas quando criança, por vezes violações, por vezes outros maus tratos físicos de natureza sexual. Para estes, o propofol vinha mesmo a calhar: tal como quando usado legalmente para anestesiar um paciente na sala de operações, o indivíduo necessitado injectava-se e ficava imediatamente inconsciente. Durante uns momentos era livre de flutuar para alem daquele corpo.

Omar S. Manejwala, médico que dirige o William J. Farley Center na Virgínia, um centro de recuperação e reabilitação que dá atenção especial aos casos de abuso de substâncias entre o pessoal médico, disse: "Um dos traços comuns das desordens psicológicas resultantes de um grande trauma é a hiperactividade maníaca. Há um esforço contínuo para bloquear mentalmente o que se passou".

De cura para as insónias, o fármaco evolui para cura de tudo o resto. Facilmente se torna indispensável. Manejwala reiterou a ligação entre um facto e outro. "Nunca vi uma ligação tão forte entre um medicamento e a possível incidência de trauma, sobretudo trauma de índole sexual. É realmente espantoso".

De acordo com a lei americana, um médico pode ser acusado de homicídio não premeditado se o cliente falecer devido a excesso medicamentoso.

 

 

 

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A procissão ainda vai no adro...
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 13:07 | Quarta feira, 1 de julho de 2009
... e a polícia ainda vai encontrar facas, pistolas de todos os tipos, navalhas de ponta e mola, escafandros, caves para protecção anti-nuclear etc., e tudo isso na casa de Michael Jackson, para alimentar os tablóides como o National Enquirer que por estes dias está a ter vendas quase absurdas. E quando acabar... há-de se arranjar qualquer coisinha que cenda jornais!
 
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Drª Helena, permita-me
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 22:14 | Quarta feira, 1 de julho de 2009
Em 1º lugar, agradecer a disponibilidade em prestar os esclarecimentos específicos.

Em seguida...makiavelicamente...pedir-lhe que não esclareça mais.
Há conhecimento que é melhor não estar disponível on-line, principalmente no que diz respeito a determinados fármacos, que usados pelas mãos erradas, se transformam em drogas letais.

MJ ainda estaria vivo se não fizesse a mínima idéia do uso a dar ao propofol.
 
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Até os anestesistas se suicidam com estes fármacos
kukakente (seguir utilizador), 1 ponto , 12:35 | Quarta feira, 1 de julho de 2009
Acompanhei de perto o suicidio da Drª. Teresa Soveral Rodrigues, médica anestesista do Bloco Operatório do Hospital de Setúbal, que por questões de «desespero conjugal», levou um anestésico que induzia aos doentes quando estes iam ser oprerados, e induzio ela própria na veia do seu braço, na sua casa, tendo morte imediata por «choque cárdio-toráxico».
No caso de Michael Jakson, 40 anos de fama acabaram num segundo de quimica, pela má prática clinica de quem lhe receitou ou aplicou o fármaco.
 
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Jornalismo?
Helena Gomes (seguir utilizador), 1 ponto , 15:26 | Quarta feira, 1 de julho de 2009
Em primeiro lugar, não existem medicamentos anestesiantes, mas sim medicamente anestésicos. Em segundo lugar, a utilização abusiva do superlativo desta peça retira-lhe qualquer isenção jornalistica - "droga farmacêutica potentissima", "anestesiante perigosissimo", "controladíssima!". O tom casual também não é indicado em jornalismo "um nadinha mais provoca facilmente uma paragem total". "Qualquer Miss Marple seria capaz de concluir..."
Sou médica veterinária, uso propofol e já fui anestesiada com propofol num hospital português. Propofol é um anestésico que como todos os outros anestésicos é de uso controlado e tem riscos. Não é nem perigosissimo, nem potentissimo nem controladíssimo.
Este peça é insinuosa quanto ao conteúdo, está mal escrita e não tem qualquer valor em termos de informação. Não tenho qualquer dúvida de que este texto é uma tradução de fraca qualidade de uma qualquer revista cor de rosa americana.
Era de esperar que o Expresso fizesse melhor!
Cordialmente, Helena
 
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    Re: Jornalismo? A FORÇA DO «LAITE»...    Ver comentário
userEX30860 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:18 | Quarta feira, 1 de julho de 2009
    Re: Jornalismo?    Ver comentário
MJoana (seguir utilizador), 1 ponto , 16:45 | Quarta feira, 1 de julho de 2009
    Re: Jornalismo?    Ver comentário
vnf (seguir utilizador), 1 ponto , 2:11 | Domingo, 5 de julho de 2009
    Re: Jornalismo? continuação    Ver comentário
vnf (seguir utilizador), 1 ponto , 2:16 | Domingo, 5 de julho de 2009
resposta
Helena Gomes (seguir utilizador), 1 ponto , 17:11 | Quarta feira, 1 de julho de 2009
Caro, obrigada pelo apoio. Às vezes parece que estes senhores se esquecem a diferença entre um artigo escrito para um blog e um artigo para jornal. O Propofol é uma anestésico de acção curta e acordar suave. A sua utilização em cirurgia é como agente de indução - o agente que "adormece", sendo a manutenção da anestesia durante a cirurgia feita com auxilio a outras drogas, normalmente drogas inalatórias. A Ketamina é uma droga anestésica com um mecânismo de acção diferente e é mais utilizada na medicina veterinária do que na medicina humana. Todas as drogas podem ser utilizadas para fins diferentes daqueles para os quais a medicina os aconselha. Quando assim é, todas as drogas são perigosas.
 
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    Benefício da dúvida.    Ver comentário
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 21:18 | Quarta feira, 1 de julho de 2009
    Mau jornalismo    Ver comentário
BcL (seguir utilizador), 1 ponto , 19:25 | Quarta feira, 1 de julho de 2009
anestesiante vs anestésico
BcL (seguir utilizador), 1 ponto , 19:30 | Quarta feira, 1 de julho de 2009
Cara Helena, por acaso anestesiante e anestésico são sinónimos quando utilizados como adjectivo.

Cmpts
 
 
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O texto pode estar mau...
Platão Lisbonense (seguir utilizador), 1 ponto , 21:41 | Quarta feira, 1 de julho de 2009
...E quem sou eu para duvidar da Dr.ª Helena... Mas percebe-se muito bem qual a mensagem que se quer passar... Que todos os excessos matam e o MJ morreu fruto dos muitos excessos que toda a sua vida teve!... Tenham uma boa noite!...
 
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