Meteo: temperaturas vão descer
Pequena subida da temperatura e enfraquecimento do vento previstos para amanhã é sol de pouca dura. Já na sexta-feira os valores do termómetro voltam a descer no litoral oeste. Agosto será ameno.
Tudo indica que este será um verão atípico. Deveria estar a fazer mais calor, mas alterações da situação meteorológica estão a condicionar o tempo em Portugal continental, que vai continuar a oscilar em agosto.
A partir do dia 1, a tendência é para uma descida acentuada da temperatura, adverte o meteorologista Bruno Café, do Instituto de Meteorologia.
Para quinta-feira, 28, a previsão para o continente é de céu geralmente limpo, pequena subida da temperatura máxima nas regiões Norte e Centro e ligeira descida no Sul.
O vento vai passar a fraco (inferior a 15km/h) em Portugal, exceto no Algarve e zonas montanhosas, onde vai soprar moderado ( 15 a 25km/h).
Menos 4º a 5º C em agosto
O aumento do calor vai sentir-se apenas na quinta-feira (máximas de 37º C em Castelo Branco e Évora), visto que na sexta-feira Portugal volta a ter temperaturas mais amenas com nova descida da máxima no litoral oeste, e neblina ou nevoeiro matinal.
No sábado, o céu apresentar-se-á com alguma nebulosidade, situação que se vai repetir nos dias seguintes. Assim, neste sábado haverá pequena descida da temperatura, em especial da máxima no litoral oeste e da mínima no interior norte e centro.
A partir de segunda-feira, dia 1 de agosto, se se mantiver a tendência haverá uma descida acentuada da temperatura máxima, que poderá sofrer uma queda da ordem de 4º a 5º C, mantendo-se esses valores no Norte e Centro, em especial, mas também no Algarve.
Julho ventoso
De acordo com o Instituto de Meteorologia, após um período de temperaturas elevadas e de vento fraco no final de junho e início de julho, uma alteração da situação meteorológica no passado dia 3 de originou no território continental descida das temperaturas. E também aumento da intensidade de vento, que passou a soprar moderado a forte, em particular no litoral oeste, nomeadamente a partir de dia 17 de julho, dia em que se registaram 74km/h em Lisboa e 56km/h em Setúbal, como valores máximos de rajada.
A explicação do Instituto de Meteorologia é que uma grande diferença de pressão entre o Atlântico, com o anticiclone dos Açores intenso, e uma região depressionária na Europa Ocidental (uma depressão na região das ilhas britânicas associada à depressão térmica no interior da Península Ibérica), provocou esta situação de vento forte, que ocorreu mais intenso no litoral do que no interior, pelo efeito de brisa marítima que intensificou o vento de Noroeste, em especial durante a tarde.
Segundo a análise divulgada no site do Instituto de Meteorologia, o anticiclone dos Açores, que em condições normais de verão deveria ter o seu núcleo principal a norte do arquipélago, teve-o ligeiramente a sul. Posicionamento que permitiu ainda a passagem de ondulações frontais da corrente de Oeste, que nesta época do ano deveriam atingir as latitudes mais a Norte, e que acabaram por se dirigir para Sul, influenciando Portugal Continental, sobretudo o Norte, região onde se registou até alguma precipitação.
Associada a esta situação meteorológica de vento registaram-se, até ao passado dia 20, em todo o território, à exceção da região do Algarve, nomeadamente no litoral oeste, temperaturas abaixo do normal para a época. Deve, contudo, salientar-se que desde 2000 já ocorreram seis anos em que a média da temperatura máxima, em julho, foi inferior à normal do período de 1971-2000, conclui o Instituto de Meteorologia.


Paulo Cordeiro/Lusa
Menos vento mas também menos calor este fim de semana no litoral
