Merkel quer alterar tratados europeus
É uma condição imprescindível para a Europa combater de forma mais eficaz a crise da dívida soberana, defendeu hoje a chanceler alemã.
A chanceler alemã, Angela Merkel, disse hoje que os tratados europeus devem ser alterados para a Europa combater de forma mais eficaz a crise da dívida soberana e admitiu recorrer a mais financiamento por parte do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Num discurso no Parlamento alemão, Merkel afirmou que a Alemanha não pode prosperar com a Europa em sofrimento, endereçou os parabéns à Grécia por ter encetado reformas "dolorosas, mas necessárias" e considerou que o país helénico vai enfrentar "um longo e duro caminho" até equilibrar as contas públicas.
No discurso que antecede a cimeira europeia desta noite, a chanceler alemã afirmou ainda que o setor privado deve aguentar um fardo "significativamente mais elevado" na restruturação da dívida grega e que são precisas mais medidas para conter a crise da dívida, independentemente das decisões que sejam tomadas na cimeira marcada para esta noite, em Bruxelas.
Merkel elogia Portugal
A chanceler alemã lembrou ainda que Portugal "está firmemente disposto a impor" o programa de ajustamento económico negociado com a troika.
Para Merkel a Alemanha "não pode estar duradouramente bem se a Europa estiver mal", preconizando que o velho continente "saia da atual crise mais forte do que entrou".
Angela Merkel defendeu ainda uma "união de estabilidade para superar a crise e encontrar soluções sustentáveis" contra o endividamento e a falta de competitividade de
alguns Estados, sublinhando que é também necessário "corrigir os erros do passado e evitar o contágio a outros países".
A chanceler prometeu ainda empenhar-se no conselho europeu e na cimeira de líderes da zona euro de hoje à noite "a favor de soluções sustentáveis", garantindo que tem havido "bons avanços" nas negociações.
Após a intervenção da chanceler, o Bundestag iniciou o debate sobre o reforço do FEEF, e votará em seguida uma moção conjunta dos partidos do Governo, democratas-cristãos e liberais, e de dois partidos da oposição, sociais-democratas e Verdes, favorável às alterações, mandatando a chanceler para negociar com os parceiros europeus esta noite, em Bruxelas, o pacote de medidas para estabilizar a zona euro.



Rainer Jensen/EPA
Angela Merkel admitiu recorrer a mais financiamento por parte do Fundo Monetário Internacional
