Lisboa é a 48.ª cidade com mais riscos associados ao mercado de trabalho entre 90 analisadas pelo estudo mundial People Risk 2010, que avalia os riscos de recrutamento, emprego, educação, despedimentos e flexibilidade laboral.
Segundo o estudo, "Lisboa apresenta um risco médio", com um 'rating' de 125, numa escala de 01 a 250, destacando-se o risco demográfico que está associado à densidade populacional, imigração, rendimentos e envelhecimento da população.
Cidades italianas, gregas e russas em pior situação
"Das cidades europeias apenas as capitais e cidades italianas, gregas e russas apresentam um maior risco do que a capital portuguesa", realça o estudo hoje divulgado pela Aon, líder mundial em serviços de gestão de riscos.
Toronto é a cidade que apresenta menor risco, seguida de perto por Nova Iorque, Londres, Singapura, Londres e Montreal. Contrariamente, Dhaka, Bangladesh; Phnom Penh, Camboja; Lagos, Nigéria; Karachi, Paquistão; e Teerão no Irão, representam as cidades menos desejáveis da lista de 90 cidades para os que procuram emprego.
O diretor geral da AON Portugal defende que "os 'rating' podem ajudar as empresas, de uma forma sistemática e consistente a avaliarem os riscos relativos com que se depara, quando recrutam, contratam, realocam ou transferem colaboradores".
Segundo Pedro Penalva, "as cidades com um menor risco têm tipicamente um governo que é transparente, que evita o confronto, e lida com os problemas de emprego de uma forma imparcial e honesta", acrescentando que, nestes casos, "os empregadores estão menos suscetíveis de serem surpreendidos por medidas nas políticas governamentais, saúde e aposentação".
País tem mais de 600 mil desempregados
A taxa de desemprego aumentou no terceiro trimestre do ano em Portugal e atingiu o valor histórico de 10,9%, mas a subida foi a menor observada nos últimos dois anos entre o segundo e o terceiro trimestres.
De acordo com os dados ontem divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego entre julho e setembro aumentou 0,3 pontos percentuais face ao trimestre anterior, quando em 2009 a variação tinha sido de 0,7% e em 2008 de 0,5 %.
Em termos homólogos, a taxa de desemprego aumentou 1,1 pontos percentuais no terceiro trimestre deste ano e 2,1 pontos percentuais em igual período de 2009, enquanto em 2008 tinha recuado 0,2 pontos percentuais.
No terceiro trimestre deste ano, o INE contabilizou um total de 609,4 mil desempregados, uma subida de 11,3 por cento face ao trimestre homólogo e de 3,3 por cento em relação ao trimestre anterior.
Resultado da crise
Após ter estabilizado nos 10,6% no trimestre passado, o número ontem divulgado retoma assim o ciclo de subidas da taxa de desemprego em Portugal iniciado há dois anos atrás (no segundo trimestre 2008), com o mercado laboral a sofrer os efeitos da crise económica que se alastrou por toda a Europa.
Na altura, a taxa de desemprego situava-se nos 7,3%, o equivalente a 409,9 mil desempregados.
Em declarações aos jornalistas ontem na Assembleia da República, o deputado Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, considerou que os números do desemprego são "extremamente preocupantes. Representam o cenário negro, muito pior do que aquele que o Governo previa no agravamento da crise do próximo ano, e são o primeiro reflexo das medidas de austeridade", demonstrando que o caminho que o Governo seguiu foi um erro.