19 de junho de 2013 às 9:39
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Mercado automóvel manipula estatísticas

Número de matrículas pedidas e depois devolvidas pelas marcas automóveis tem vindo a aumentar e os números das vendas oficiais não são reais.
J. F. Palma-Ferreira (www.expresso.pt)
O secretário geral da ACAP, Helder Pedro, refere que os dados sobre reexportações de veículos são internos da associação automóvel O secretário geral da ACAP, Helder Pedro, refere que os dados sobre reexportações de veículos são internos da associação automóvel

As matrículas que têm vindo a ser pedidas pelas marcas de automóveis para vender veículos novos em Portugal não refletem as vendas efetivas, confirmou o Expresso junto de várias fontes do sector. Estas fontes explicam que há um considerável número de viaturas que são reexportadas, sendo pedido ao Estado o reembolso parcial do respetivo Imposto sobre Veículos (ISV).

A própria Associação Automóvel de Portugal (ACAP) já fez internamente um levantamento desta realidade, mas, segundo o seu secretário-geral, Helder Pedro, ainda não há números definitivos que permitam ter uma noção exacta sobre a dimensão do número de veículos novos que são reexportados.

Alguns responsáveis de marcas referem que o número de matrículas novas que são devolvidas e canceladas por reexportação de veículos novos pode envolver entre 9% e 10% do número de unidades de veículos ligeiros de passageiros vendidos.

De janeiro a agosto foram vendidos em Portugal apenas 68.103 veículos ligeiros de passageiros, o que representa uma quebra de 40,4% relativamente a igual período do ano passado. Até julho, a quebra do ISV encaixado pelos cofres do Estado ronda os 45,1% em termos homólogos.

Quebra real de vendas pode atingir 50%


Perante a possibilidade da devolução de matrículas poder atingir 10% do mercado, a quebra efetiva de vendas aproxima-se dos 50%. Mas como a ACAP não divulga os dados internos sobre este assunto, não se sabe quais são as marcas mais afetadas.

Uma das razões que podem levar algumas marcas a recorrerem à reexportação de viatura tem a ver com a necessidade de fazerem volume de importações dentro dos objetivos que fixaram para o mercado nacional, cujas vendas estão manifestamente abaixo da rentabilidade necessária para manter as estruturas de algumas redes comerciais.

Helder Pedro diz que há cerca de 2600 empresas do sector automóvel que correm risco iminente de encerrar. Ou seja, estão verdadeiramente em causa cerca de 20 mil postos de trabalho, que até ao fim do ano podem fazer aumentar os números do desemprego em Portugal.

"Até à data, o Governo português não deu qualquer resposta às proposta que a ACAP fez para tentar salvaguardar empresas e postos de trabalho", refere Helder Pedro ao Expresso, admitindo que os empresários do sector, os gestores e os trabalhadores estão em pânico perante a situação dramática em que vivem".

Comentários 11 Comentar
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Não há qualquer motivo para preocupação!!!
Com a nova medida do Governo, a transferência de 7% da TSU para as empresas, vai ser um gostinho vê-los a vender automóveis e mais automóveis!!!! Não só não vão despedir ninguém, como vão até contratar mais gente!
É só preciso mais um bocadinho de paciência, uma vez que a maravilhosa medida só entra em acção em 2013...
Re: Não há qualquer motivo para preocupação!!! Ver comentário
Que descoberta fantástica!?
Só o comércio automóvel é que manipula as estatísticas??? Francamente devem ser tão distraídos que só agora estrategicamente acordaram para o assunto. A pergunta é qual é a estatística que não é MANIPULADA??? Daí que a avaliação que transmitem ter sempre um objectivo escondido. O resto são tretas... E vender tretas é o vosso negócio.
Qual o valor desta noticia? ZERO
Nao e so em Portugal que esta pratica verifique-se e nao e so no presente ano, por isso as estatisticas sao comparaveis ano vs. ano passado. O mercado cair -45% or -50% quer dizer a mesma coisa, diminuicao de procura. Nao vale a pena analisar uma diferenca minima.

Seria noticia com mais valor analisar o imposto absurdo aplicado ao automovel. Os governos ao longo dos anos queriam sempre "comer" de uma so vez. Se o imposto fosse mais baixo como noutros paises as vendas seriam menos volateis.

ACAP diz que sempre apresenta solucoes mas nao passa dai, ficamos sempre na mesma ... Sera verdade?
Uma pergunta!!!
Qual o tempo médio de vida real de um automóvel???
Qual o tempo médio de renovação do parque automóvel??
Se andamos a renovar o parque automóvel mais depressa que o tempo médio de vida do automóvel é porque temos desperdício. Em Portugal acho que temos demasiado desperdício nessa área. Eu pessoalmente não concebo a ideia da necessidade de comprar sempre o ultimo modelo.
Neste caso seria exemplar o Estado só renovar o seu parque automóvel quando REALMENTE fosse necessário, o Estado deveria dar o exemplo. Mas como no fundo é tudo uma cambada de bimbos que medem o seu tamanho pelo tamanho do seu popó isto está nesta situação.
O mundo português anda á volta de carros, casas, restaurantes e futebol.... vem uma crise e tudo cai, o mercado está todo saturado.
Re: Uma pergunta!!! Ver comentário
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VEJAM COMO É NA SUÉCIA! Ver comentário
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É verdade...
Fizeram bem em salientar e juntar os números para uma leitura lúcida, mas isto não é nada de novo. É tão velho quanto a existência de concessionários das marcas automóveis.
As fábricas de automóveis na UE trabalham com margens de lucro de menos de 5% e para compensar tem de haver um grande dinamismo dos concessionários a escoar o produto senão qualquer dia ainda vão meter carros novos na sucata. Não há margem para erros.
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