23 de maio de 2013 às 0:07
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'Melhor' aluno chegou à faculdade sem acabar o liceu

Programa Novas Oportunidades pode ser usado como 'via verde' para facilitar entrada no ensino superior.
Isabel Leiria e Joana Pereira Bastos (www.expresso.pt)
Tomás, 23 anos, chegou à universidade através do programa Novas Oportunidades
Rui Duarte Silva Tomás, 23 anos, chegou à universidade através do programa Novas Oportunidades

As dificuldades apareceram no ensino secundário, quando a Matemática se tornou uma verdadeira dor de cabeça para Tomás Bacelos. Por mais que insistisse, não conseguia passar à disciplina e os chumbos sucessivos acabaram por fazê-lo desistir da escola sem acabar o liceu.

No ano passado, Tomás Bacelos arranjou a solução ideal para contornar o problema. Inscreveu-se num Centro de Novas Oportunidades em Esposende, frequentou dois módulos (Saberes Fundamentais e Gestão) e em meses conseguiu equivalência ao 12.º ano. Acabou agora por entrar na faculdade, no curso de Tradução, na Universidade de Aveiro, e é oficialmente, segundo as listas do Ministério do Ensino Superior, o aluno com a mais alta nota de candidatura do país: 20 valores.

A questão é que a sua média não tem em conta as notas do secundário - que não terminou - e baseia-se apenas no exame nacional de Inglês, o único que teve de fazer para entrar em Tradução e onde conseguiu nota máxima. Ainda tentou concorrer a um curso de Biologia, fez a prova de ingresso, mas não foi além dos 7,4 valores.

Ao contrário de Tomás Bacelos, todos os jovens do ensino regular tiveram de realizar provas nacionais a várias disciplinas e apresentaram-se a concurso com estas classificações e com as notas do secundário.

O percurso de Tomás e dos restantes alunos não podia, por isso, ser mais diferente. Ainda assim, ele disputou as mesmas vagas e concorreu em igualdade de circunstâncias com os outros. A lei permite-o, mas o jovem, 23 anos, sente que beneficiou de uma injustiça.

"Para mim, foi ótimo. Mas é claro que é bastante injusto porque os outros passam anos a esforçar-se para terem boas médias. Com o Novas Oportunidades, uma pessoa que só tem o 7.º ano pode fazer o 9.º em seis meses e a seguir, em ano e meio, consegue tirar o 12.º. Se tiver sorte, pode passar à frente e tirar o lugar às pessoas que fizeram esse esforço. Conheço quem tenha entrado assim no ensino superior", admite.

Discriminação positiva


Contactado pelo Expresso, o Ministério do Ensino Superior não revelou, até à hora de fecho da edição impressa, quantos estudantes entraram na universidade por esta via, retirando lugares a candidatos do ensino regular. No curso de Tradução da Universidade de Aveiro, onde Tomás Bacelos entrou em primeiro lugar, por exemplo, quatro jovens que também colocaram a licenciatura como primeira opção acabaram por ficar de fora. O último a conseguir entrar teve 14,4 valores de média.

Certo é que a história de Tomás Bacelos está longe de ser a única. "O caso dele só é visível porque tirou uma grande nota no exame. Mas houve outros alunos que entraram da mesma maneira, só que não saltam à vista nas estatísticas", garante António Boaventura, do Centro Novas Oportunidades da Secundária Henrique Medina (Esposende), que Tomás frequentou. "Há uma discriminação positiva destes alunos", reconhece.

O presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior, Virgílio Meira Soares, admite que possa haver uma "injustiça", mas rejeita responsabilidades e lembra que os candidatos vindos do Novas Oportunidades também podem acabar por sair prejudicados com esta legislação. Isto porque só concorrem ao superior com uma única nota de exame, sem outras classificações a pesar na média, o que pode prejudicá-los caso a prova não corra bem.

Luís Capucha, presidente da Agência Nacional para a Qualificação e um dos responsáveis pelo programa Novas Oportunidades, recusa comentar as regras de entrada no ensino superior, por não serem da sua competência. Ainda assim, afirma que "não faz sentido aferir a dificuldade de ingresso pelo número de exames exigidos" aos estudantes.

O que diz a lei


Os alunos que concluíram o secundário através de vias de formação que não preveem a atribuição de notas (como os cursos de Educação e Formação de Adultos do programa Novas Oportunidades) e que pretendem aceder à universidade concorrem apenas com as classificações que obtêm nos exames nacionais exigidos como prova(s) de ingresso no curso que querem. Dispensam todos os restantes exames nacionais. A nota que obtiverem na(s) prova(s) de ingresso vale como nota de conclusão do secundário.

Por exemplo, como Tomás Bacelos teve 20 no exame de Inglês, foi-lhe atribuída "administrativamente" essa classificação como média do secundário. Outro regime excecional de ingresso é o que abrange quem tem mais de 23 anos: os candidatos não precisam de ter concluído o secundário e dispensam a realização de qualquer exame nacional. A diferença é que, neste caso, o concurso tem vagas próprias (fora do concurso nacional) e cada instituição fixa os critérios de entrada.

Texto publicado na edição do Expresso de 18 de setembro de 2010

Comentários 121 Comentar
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JÁ SE ENTRA NA UNIVERSIDADE SEM ESTUDAR

Esta é das tais noticias q eu considero prejudicial e mais prejudicial num país com um dos maiores níveis d abandono escolar e d menor entrada no ensino superior da Europa. Anda um pai a educar um filho numa cultura d trabalho, disciplina, persistência e cumprimento com vista ao resultado e é-nos apresentado como exemplo nacional, quase d excelência, este rapazinho como o “Melhor Aluno”. As dificuldades da Matemática ditaram o seu abandono do liceu. O governo facilitou o seu reingresso no ensino e agora é apresentado, a todo o país, como o exemplo talvez a seguir por todos…. Sem duvida alguma um exemplo q irá colher negativamente muita simpatia dos jovens q se encontram a estudar e q naturalmente vão tendo q enfrentar e superar os obstáculos do processo de aprendizagem. Confesso q não entendo este tipo de pedagogia. Demasiado hedonística e muito irresponsável convida á não exigência, ao facilitismo. É uma mensagem essencialmente não pedagógica. Independentemente dos méritos q este jovem deve e tem q ter acho q se trata de uma propaganda que só incentivará muitos a abandonarem os estudos porque o “melhor” do país também o fez e não deixou de ser considerado como tal… os portugueses em geral e os portugueses jovens em particular adoram este tipo d raciocínios fáceis. Tenho 5 filhos, todos a estudar em Portugal. Ainda são d tenra idade mas fico preocupado quando vejo uma cultura d ensino em q as virtudes parecem ter sido esquecidas ou estar a ser todas alteradas no mau sentido
Re: JÁ SE ENTRA NA UNIVERSIDADE SEM ESTUDAR Ver comentário
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A vergonha da educação, assim até o meu cão Ver comentário
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Novas oportunidades ou novas benesses...
Da história deste rapaz apenas saliento o mérito q obteve a Inglês. Duvido q alguém conteste a notação q lhe foi atribuída por 1 simples razão: ñ dispomos de elementos q nos permitam, legitima/, questioná-la. Logo, teremos q aceitar q os seus resultados a Inglês foram excelentes.
Em traços gerais, as novas oportunidades resumem-se a isso mmo: criar 1 sistema em q determinadas pessoas possam recuperar o tempo perdido, mas bem "à portuguesa". O q interessa é o formalismo, o q importa são as estatísticas, fiquemo-nos pelas aparências pois a substância custa demasiado. Se 18 meses se substituem a 4 anos lectivos, por q razão obrigamos as nossas crianças a frequentar 9 a 12 anos de escolaridade? Se o ensino obrigatório termina ao fim de 9 anos, por q razão se exige menos a quem, em devido tempo, ñ o concluiu?
Reconheço q devem ser concedidas possibilidades a quem ñ as teve ou pq ñ pôde ou pq ñ as soube aproveitar, mas as "oportunidades" deverão ser concedidas nos mms termos e nas mms condições q aqueles q são exigidos aos outros. Como tal ñ sucede, as novas oportunidades ñ são mais do q novas benesses.
Infeliz/, o q se pretende c as "novas oportunidades" é o mm q o PM pretendeu p si: 1 licenciatura como o fim em si mma! Ñ se frequenta 1 curso superior p aprender e obter formação, mas c o objectivo de se ser "licenciado!
Como esse é o fim, p q razão ñ se "facilitará a vida às pessoas?" Se o fim fosse outro, o custo seria maior, assim como o valor q os próprios lhe dariam...
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Desculpem lá...
Isto é o resultado da educação para atrasados mentais que existe neste país!
Eu fui até ao 12º ano, sempre com boas notas, mas deixei inglês para trás. E hoje olho para os meus colegas de turma que acabaram e mal sabem ter uma conversa em inglês.
Se há injustiça nesta história, ela está nas escolas, na maneira de dar aulas, na ignorância dos superiores de educação deste país.
Injustiça é alguém estar no 12º ano, ao lado de pessoas que ainda nem aprenderam a ler, para não falar em escrever… e ver estas pessoas a acabarem o secundário, e seguirem para cursos patéticos e hoje choram por que não há futuro na área deles.
Eu quero que, alguma pessoa inteligente venha cá dizer me que é “preciso esforço” para passar de ano, em uma escola publica portuguesa.
Injusto? Ele teve o mérito, ele esforçou se e conseguiu um lugar. Parabéns
Pois eu quando tiver 23 anos farei o mesmo!
Este rapaz está a esfregar nos na cara a ridícula situação da educação em Portugal.
Mas ele é apenas o mensageiro!
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EU FUI EXPULSO Á FALSA FÉ POR UMA SEITA DE Ver comentário
Re: EU FUI EXPULSO Á FALSA FÉ POR UMA SEITA DE Ver comentário
Acha que gastar dinheiro ao contribuinte e ao Ver comentário
Umas correcções apenas: Ver comentário
Futuros Médicos.
Já não falta muito para sermos atendidos por médicos provenientes das NO.
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Obrigado Expresso!
Isto sim, é uma notícia! Exponham as Verdades Inconvenientes deste país... Ele precisa de uma revira-volta!!!
Ecotretas
http://ecotretas.blogspot...
Centro de Novos Oportunistas...
Portanto, que não quiser que as suas notas do secundário contem para acesso à universidade.. tem bom remédio: NÃO ACABE O LICEU.

É assim que se formam os espertalhaços que vão gerir este país daqui a uns anos. Depois queixem-se que estamos na cauda da Europa...
Outros tempos
Eu ainda não sei como é que os jovens lidam com este tipo de coisas hoje em dia. Mas, no meu tempo sei que havia contestação. Eu não entrei para a pública. Tive uma média de 17,3 (0-20) e precisava de pelo menos 18,6 para entrar no curso e faculdade que escolhi. Paciência. Tive oportunidade de ir para a privada, coisa que muitos e muitos não puderam. Agora, uma coisa é certa, se uma coisa destas acontecesse, permitida pelas regras de acesso ou não, garanto que a Assembleia da República não ia ter sossego, pelo menos nas proximidades. Não se admite e não se admitiria. Mesmo os que entrassem participariam em solidariedade com os restantes. O que vão fazer os jovens de hoje?
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Grande jogada!
É realmente uma grande jogada mas uma péssima notícia para o País.

Ou fazemos já um sistema com exames de admissão às universidades ou vamos encher as universidades de analfabrutos dos quais só com muita dificuldade nos livraremos deles no futuro.

Aliás já se nota uma grande impreparação nos alunos dos primeiros anos da faculdade.

Falam mal do Brasil mas isto era impossível nesse grande país. Ali todas as pessoas estudam matemática e física e se não trabalharem não se safam.

Portugal não pode continuar a permitir estas baldas.
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Parabéns
Não vejo porque não seja dada uma oportunidade a quem demonstrar merece-la.
Mas também não deixa de ser injusto para quem tem de andar vários anos a estudar para conseguir o mesmo em pouco tempo.
Penso que o programa novas oportunidades não seja mais que calar o povo por consequência de diplomas passados aos domingos.
Este puto vai chegar a primeiro-ministro
Basta inscrever-se no PS ou no PSD, et voilá, temos aqui o sucessor do engenheiro (ahahahahahah... por questões sociais...ahahahahahah) José Sócrates.
Eu, por questões sociais, sou advogado quando um amigo me mostra um cheque sem cobertura que lhe passaram, sou, por questões sociais, médico quando uma amiga se queixa de uma dor de cabeça, sou, por questões sociais, engenheiro mecânico quando o carro do vizinho não pega, sou, por questões sociais, engenheiro electrotécnico quando a minha candidata a namorada me pede para mudar a lâmpada fluorescente da cozinha, sou, por questões sociais, arquitecto quando visito a moradia de uns amigos, sou, por questões sociais, psiquiatra quando a minha prima me aparece num pranto a dizer que foi abandonada pelo marido...Etc.
Por questões sociais pode-se ser tudo o que o Homem quiser...
Re: Este puto vai chegar a primeiro-ministro Ver comentário
Via verde
Este jovem que seguiu a "via verde" para chegar à universidade e certamente seguirá a mesma via quando for o momento do "job for the boys", assim Sócrates se aguente até lá.
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A fraude pura
O Simplex de Sócrates na Educação,via "novas oportunidades" é a passagem administrativa generalizada a quem a ela recorre.
Este caso é, no pior exemplo, a fraude pura que devia fazer corar de vergonha quem,politicamente, organizou "as novas oportunidades".
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Os "esquemas" são passos em falso Ver comentário
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Exemplo
Falem o que quizerem mas através deste processo poderá não se perder muita gente que tem vocações bem defenidas no seu ser e não ficarão pelo caminho só porque não têem geito, vocação ou motivação para outras áreas. Como o saber não ocupa espaço e é sempre enriquecedor, os outros nunca estão a perder nem são prejudicados, quem lhes tira o saber? Se realmente foi adquerido.
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Onde está a diferença?
Já ouvimos falar sobre o Inglês técnico ou como se aprovam determinadas coisas por baixo da mesa, qual é o espanto em ver beneficios para quem não estuda e se aplica, mas que recorre ao mais fácil. Pior, é o aval que este governo concede para estas incongruências. E se nada se perde, porque é uma aprendizagem, estou de acordo, mas quem deve ficar de fora da faculdade é o tipo que apenas tem a nota de um exame. Qual é a justiça? A resposta é igual a uns comentários: Nada se perde, fica com a experiência do exame e estudos que efectuou para o realizar! Agora não sejam hipócritas.
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Com exemplos destes...
Onde se recompensa o abandono e o facilitismo, o que é que se tenta promover? O rapaz em questão não tem culpa, mas isto só confirma que em Portugal se recompensa o chico-espertismo e não o trabalho. O programa novas oportunidades é uma boa iniciativa, até porque permite que muitas pessoas info-excluidas aprendam alguma coisa. Mas a ser assim, estes alunos deviam ter um numero limitado de vagas na entrada para a universidade num regime especial e não concorrer no regime geral em pé de igualdade com os outros. Algo muito simples de fazer, mas que alguém simplesmente ignorou.
Re: Com exemplos destes... Ver comentário
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