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Médicos portugueses capazes de salvar americanos

O Expresso chegou a Cabul num voo militar com uma equipa médica portuguesa que vai tentar salvar a vida dos soldados que estão na frente de combate. O novo hospital militar do Afeganistão está preparado para uma guerra maior, mais exigente e mais mortífera.
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Equipa médica militar a bordo do Hércules C-130 que os levou para o Afeganistão
Equipa médica militar a bordo do Hércules C-130 que os levou para o Afeganistão /  Micael Pereira

Entrar no espaço aéreo do Afeganistão funciona como uma pequena injecção de adrenalina. Até aí, nos dois dias que ficaram para trás desde que saí de Lisboa, o pesado e barulhento Hércules C-130 da Força Aérea Portuguesa voara como se estivesse a navegar num lago parado.

O major que comandava a tripulação explicou o que se ia passar: por razões de segurança, poderiam acontecer manobras imprevisíveis. "Vamos entrar na zona de turbulência", disse ele a brincar. Para a maioria dos 15 médicos, enfermeiras e socorristas militares que viajavam comigo, este era o nosso baptismo de fogo no "C", como carinhosamente é tratado o C-130 entre oficiais. E uma estreia também no Afeganistão.

O avião desceu quase a pique, colando-nos às redes laterais da espécie de armazém que o C-130 é por dentro, e rapidamente se fez à pista. Cabul está num vale rodeado de montanhas - o maciço Hindu Kush - como se fosse uma cratera de muitos quilómetros, despovoada de árvores e inundada pelo pó do Verão. Tudo é castanho e seco à volta.

Foi uma viagem interessante, ao contrário dos avisos que me fizeram em Lisboa, em relação às condições que o C-130 improvisa para os passageiros. O verdadeiro desconforto no avião é o rugido incessante dos motores a hélice, mas que se resolve com tampões ou auscultadores. As duas noites de paragem pelo caminho, em Salónica (Grécia) e Baku (Azerbeijão) ajudaram. Deu para dormir e ler um pouco mais sobre o Afeganistão. O teatro da guerra está a mudar rapidamente e um dos muitos sinais disso é o novo hospital militar que vai ser estreado esta semana em KAIA, a sigla para Kabul International Airport, e onde a equipa de médicos que veio no avião vai trabalhar, debaixo das ordens dos militares franceses.

A equipa médica, na verdade, só tem dois médicos: Alípio Araújo, especialista em medicina, e Olavo Gomes. Os outros militares são enfermeiros (quase todos mulheres), socorristas e técnicos de laboratório e análise. Vêm montar uma enfermaria e gerir os internamentos dos feridos em combate, dos feridos ou doentes nos quartéis da missão da NATO no país (a ISAF, International Security Assistance Force) e, em terceiro lugar, de alguma população civil afegã. Outras equipas virão mais tarde revezar esta, que ficará em comissão até Outubro.

Na pista, o calor estava suportável. Mais do que seria de esperar. Eu e os dois jornalistas da agência Lusa, que aproveitaram também o voo para virem em reportagem, fomos avisados que era provável que nos primeiros dias pudéssemos sangrar do nariz, por causa do clima tão seco.

KAIA é um aeroporto misto, onde aterram também as ligações comerciais, mas a maior da sua área e das áreas envolventes foi transformada num enorme complexo militar, com a presença de soldados de 11 países da NATO, incluindo Portugal, que tem instalada dentro do seu perímetro uma unidade de formação e treino ao exército afegão da divisão de Cabul.

Na gare, soldados americanos acabados de chegar dos Estados Unidos aguardavam pacientemente que os viessem buscar em carros blindados para as suas unidades. Um batalhão de centenas de legionários franceses passou por nós em passo acelerado. Disseram-me que vão substituir soldados de infantaria, o que é uma indicação de que a guerra, se já era séria, está a ficar ainda mais séria.

Proibidos de ir à cidade

As medidas de segurança são extremas. Os médicos portugueses estão proibidos de sair do campo militar do aeroporto durante os quatro meses que vão cá permanecer. E a circulação fora dos quartéis é planeada e feita como se tratasse quase de uma saída para combate.

Desde que cheguei, faz agora 24 horas, ainda não pisei um metro de chão que não fosse solo militar. Para nos levarem do aeroporto para um outro campo da NATO, baptizado de Warehouse, a 13 quilómetros de distância, foi formada uma coluna de nove carros, com um grupo operacional de comandos em prontidão máxima, a conduzirem típicos Hummers americanos. Às entradas e saídas dos checkpoints, todos os veículos militares ou civis são inspeccionados por um detector de explosivos.

Há uma razão para tanta cautela: as ameaças mais séria à segurança dos militares no Afeganistão são hoje as bombas de fabrico caseiro que os insurgentes, como é aqui chamado o inimigo, colocam nas bermas das estradas ou em carros incaracterísticos que se metem pelo caminho. Por isso, os veículos da ISAF tem um letreiro vermelho à retaguarda para que ninguém se aproxime e não deixam que ninguém se meta pelo meio de uma coluna de transporte.

Em 2006, quando os Comandos portugueses andavam em operações de busca e combate no sul do país, onde a situação é mais crítica do que em Cabul, os procedimentos de segurança adoptados eram menores. O perigo vinha das balas das Kalashnikovs. Mas os insurgentes adaptaram-se e evoluíram, importando do Iraque, ainda que não na mesma escala, o método do bombista suicida. É por isso que o novo hospital onde os médicos portugueses vão trabalhar está preparado para um perfil muito particular de feridos em combate. Os amputados.


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É UM MARTÍRIO.
Já viajei algumas vezes em Hercules c-130. Já fiz Beirute - Paris. É um inferno.
No Afeganistão está em curso, com tendência a recrudescer, uma guerra universal. Estão em jogo estágios de civilização antagónicos, que envolvem interesses globais.
Entre o Afeganistão e o Paquistão, sob a batuta do fundamentalismo islâmico, está sediado o maior quartel general do terrorismo internacional.
Se o mundo civilizado permitir que esta célula assuma uma postura de Estado, num ou noutro país, a escalada terrorista torna-se incontrolável.
Obama, de forma mais discreta, por ventura mais eficaz, segue a determinação de Bush. O Ocidente tem, agora, a oportunidade de pressionar, enquanto o estado de graça de Obama estiver no ar. É o momento de usar toda a força para debelar este quisto internacional.
Se Portugal poder dar o seu contributo, não lhe ficará mal. Que o não faça apenas por exigências diplomáticas. É necessário muita preparação e muita exigência, porque são muitas as adversidades.
Eu sei o que digo.
Re: É UM MARTÍRIO.
4 DE DEZEMBRO ao Top Mais
Re: 4 DE DEZEMBRO ao Top Mais
Re: 4 DE DEZEMBRO ao Top Mais
Re: 4 DE DEZEMBRO ao Top Mais
marimbando literalmente
Chá , muita falta de chá ....
Besta quadrada!
mais um cházinho sff , ou dois ...
Quem mais podia falar nesse tom?
WAKE UP ...
Vou passar a informar o forum
Informa , informa ...
Espera-se que este diário continue...
... porque será do maior interesse conhecer os meandros. Mesmo que sejam curtos no espaço nunca o serão na narrativa de estar dentro da guerra. Já agora, diga-se que viajar num C-130 para o Afeganistão deve ser um autêntico martírio... Já fiz viagens curtas, com veículos no interior e... se não fosse a super simpatia dos nossos heróis do ar, teria sido um pesadelo.
O (-1)
Alguém me sabe dizer, porque não saio nos pontos do (-1).
Re: O (-1)
Re: O (-1)
Re: O (-1)
a presença dos portugueses
Nunca percebi a presença dos portugueses no Afeganistão! Se calhar também não é para perceber...
Re: a presença dos portugueses = servilismo
A minha médica de familia não é de certeza.
A minha médica de família não é de certeza. Ela até já me disse que quando a gripe A atacar, vai meter atestado médico para não ir para o centro de saúde dar consultas e ficar lá de quarentena. Conheço pessoas que nestas alturas são capaz de partirem pernas e braços (SEUS) para não irem trabalhar. Isto está a ficar bonito.
MAS PORQUE NÃO HAVERIAM?
Os americanos têm uma fisiologia diferente?

Que Treta pá...

Inspiração angloTRETA mete nojo pá...
Saloiada!
Uma perna amputada de um americano é igual a uma perna amputada de um português assim como uma diarreia.Os nossos médicos na guerra colonial trabalhavam sem condições, com temperaturas de 35 a 40 graus. Andavam de DO, Helio,Nordatlas, Dakota, etc. Os novos médicos são feitos de quê? De porcelana, para não dizer outra coisa?
Mas os médicos portugueses vão para o
Afeganistão para salvar só americanos? e os milhares de civis, mulheres e crianças vitimas dos bombardeamentos americanos, não precisam também de serem tratados? É que em 5/5/2007, bombardeamento americano mata 21 civis na provincia de Helmand. Em 18/6/2007, pelomenos sete crianças morreram num ataque aereo americano na provincia de Paktia. Em 6/7/2008, bombardeo americano mata 47 civis no distrito de Deh Bala. Em 22/8/2008 ataque aereo dos EUA mata 90 civis na provincia de Herat e em 4/5/2009 bombardeio dos EUA mata 147 civis no vilarejo de Granai. Ao mesmo tempo que uma familia Afegâ acusa a Nato de usar bombas de fósforo. De então para cá não posso adiantar mais nada porque não tenho tido acesso a comunicação social livre e independente, porque estou em Portugal.
Nota: As informações atraz referidas foram tiradas do Jornal O Estado de S.paulo de 9/5/2009, considerado um jornal politicamente de direita.
Pois...é!
Este servilismo embalado por estas noticias, acaba por ser mais chato e até mais desconfortável do que andar num C130, onde andei por duas vezes. Sáo noticias que nos tentam impingir medicriodade de se ser português e de fazermos algo pelos americanos, fica-se inchado por esse facto e na conta do tio sam, já náo pertencemos a espanha... Que até somos um pais simpático com um sotaque mexicano...esta a visão do tipico americano em relação aos portugueses e num passado não muito distante. Somos quem somos e pela nossa maneira de ser e pelo que já fomos deveriamos mais fazer do que esperar palmadinhas nas costa para tornarmos a fazer...Saudações do Kimbo!
Ca fora la dentro
Só tenho pena e que estejam debaixo das ordems de franceses!
guindar o 4 DE DEZEMBRO ao Top Mais
Pela maneira como o 4 DE DEZEMBRO escreve é por demais evidente que ou os comentadores do Expresso.pt têm um grau de exigência muito duvidoso ou ele se pontua a si mesmo através de outros nomes de código. Não tenho grandes dúvidas que esta última seja a hipótese mais plausível. Até porque as razões possíveis para esse tipo de comportamento obtuso rondarão um orgulho desmedido, uma vaidade doentia, e, de facto, os seus comentários, se bem analisados (e descontando o chorrilho de erros de sintaxe e ortografia…) mostram bem essas mesmas “qualidades”… Não seria muito difícil comprovar a falcatrua, mas seria trabalho entediante já que procuraríamos outros textos, também eles, sem qualquer interesse.
Não quero crer que a primeira hipótese, a de serem os comentadores a guindar o 4 DE DEZEMBRO ao Top Mais, possa ter efectivamente acontecido…
mecs (meios de comunicação social)!

O título da notícia é provinciano, mesquinho e humilhante...
Re: mecs - Uma guerra suja +uma
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