Marques Mendes: a caminho do Governo Passos Coelho?
1.Parece que Miguel Relvas não tem a hombridade suficiente para se demitir, mesmo após os escândalos (quando sairá o próximo?) sobre a vida política, profissional e académica. O único feito de Relvas é embaraçar o Governo, o PSD e a...JSD, depois das mais do que infelizes declarações de Duarte Marques (presidente da jota). Enfim, Miguel Relvas é a "maçã podre" (invocando uma expressão futebolística) do Governo Passos Coelho. O Primeiro-Ministro, se for politicamente corajoso, só tem uma alternativa: demitir o Ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares. E rapidamente! Cada dia que passa, mantendo Relvas no Governo, é mais um passo na caminhada lenta e gradual para a queda do Governo: os portugueses não aguentam mais Governos compostos (e liderados!) por "chico-espertas". Num momento de grande austeridade exige-se máxima credibilidade aos políticos. Miguel Relvas, a bem de Portugal, tem de se demitir. Já!
2. E quem o substituirá no cargo de braço-direito de Passos Coelho e de Ministro dos Assuntos Parlamentares? Aqui o nome mais forte é, sem dúvida, o de Luís Marques Mendes. Por quatro razões:
a) Passos Coelho, após o desempenho de funções como presidente da JSD e deputado à Assembleia da República, dedicou-se à vida empresarial na empresa de Ângelo Correia. E voltou à política, em 2005, justamente pela mão de Marques Mendes. Isto é, Passos Coelho e Marques Mendes são amigos pessoais, relacionam-se muito bem e Passos Coelho deve a Marques Mendes a sua ascensão repentina no PSD (depois de tanto tempo de ausência). Com um pormenor interessante: Marques Mendes nunca trairia, nem iria contra Passos Coelho; ao contrário de Passos Coelho, que já traiu politicamente Marques Mendes, ao abandonar a sua direcção política e a patrocinar silenciosamente a candidatura de Luís Filipe Menezes (para a História fica que Passos Coelho abandonou Marques Mendes e - coincidência das coincidências! - Ângelo Correio foi o principal impulsionador da candidatura de Menezes...há cada ironia na vida!);
b) Marques Mendes é, de longe, o militante do PSD que conhece melhor a máquina do partido. Não é Relvas: este apenas é conhecido internamente pelas demonstrações arrogantes de poder e pelas ameaças a dirigentes distritais e concelhios. Marques Mendes conhece a dinâmica da máquina, tem grande empatia - e não tem o "passado obscuro" de Miguel Relvas. E Mendes tem uma grande empatia junto dos militantes de base do PSD. Ora, num momento, em que o PSD (sobretudo as bases) se revela cada vez mais distante do Governo, convinha ter alguém que estabelecesse a ponte, explicando aos portugueses (em geral) e aos PSD's (em particular) as políticas do Governo, suas opções, méritos e remédios para as suas limitações;
c) Além disso, Marques Mendes tem experiência política, que lhe confere um peso específico e forte dentro de um Governo PSD. Lembremo-nos que o Governo Passos Coelho peca por não ter nenhum Ministro com experiência governativa, à excepção de Paulo Portas. Que é o Ministro mais popular e tem imprimido uma dinâmica própria ao CDS dentro da coligação. Se Marques Mendes entrar para o Governo, será um contraponto importante ao peso político de Paulo Portas, com evidentes benefícios para Passos Coelho;
d) Marques Mendes está no pico da sua popularidade (que, mesmo assim, não é muito alta, mas já atinge patamares razoáveis) - enquanto o Governo está em queda. Seria positivo para a revitalização do Governo fazer entrar alguém relativamente popular, com uma boa relação com a comunicação social e que comunica bem. O que até poderia ajudar na criação de pontes de diálogo e entendimento com o PS, na Assembleia da República.
3. Posto isto, resta a questão: será que Marques Mendes quer entrar para o Governo? Responderemos, amanhã aqui no Politicoesfera, em pormenor. Avanço, desde já, que Marques Mendes está ansioso por voltar à política activa. Ele não sabe viver de outra forma.
Email:politicoesfera@gmail.com


