Os delegados que começaram a chegar a Mafra pela manhã dividem-se. Há quem prefira despachar tudo hoje e voltar para casa (alguns, do Norte, nem sequer marcaram dormida no Oeste); e há quem ache "incrível" diminuir o tempo de intervenção dos militantes, que é o que acontece se for para a frente a decisão de resumir o Congresso a um dia.
Para o secretário -geral do partido, Luís Marques Guedes, essa decisão é "bizarra". E o mesmo pensam Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes, o promotor da reunião. Santana e Manuela falaram sexta-feira à noite, Santana ameaçou não ir a Mafra, Manuela pediu-lhe que tivesse e a aposta da actual direcção do partido é conseguir votar, logo no arranque dos trabalhos, que o Congresso se pode prolongar por amanhã.
Pedro Passos e Aguiar Branco estão pelo encurtamento dos trabalhos, mas Paulo Rangel já veio dizer que é contra a limitação das intervenções porque interessa-lhe "ouvir os militantes".
"Chapelada" é o que alguns consideram estar subjacente a esta tentativa de encurtar o Congresso. Quem teria mais vantagens a retirar do novo formato seria Passos Coelho, que surge neste Congresso como vencedor antecipado. A aposta de Paulo Rangel é ter tempo para dar a volta ao texto.