Mariza, embaixadora da candidatura do Fado, frisou hoje que a distinção da UNESCO "não é de alguns é de todos, a começar pelos intérpretes, mas passando pelos instrumentistas, poetas, e todos, todos".
A fadista afirmou-se "muito contente e satisfeita" e disse que com esta distinção "vamos passar a ver o fado com outros olhos".
"Em vez de estarmos cada um a puxar para os eu lado vamos todos puxar para o mesmo, ficarmos juntos e só assim faz sentido", disse Mariza que acredita que esta distinção irá unir mais o meio fadista.
O trabalho como embaixadora "valeu mais do que a pena", e referiu as muitas pessoas que no sábado levou milhares de pessoas a irem até ao Museu do Fado em Alfama, em Lisboa.
"Uma corrente muito positiva", afirmou a criadora de "Ó gente da minha terra", que recebeu vários prémios, entre eles, o European Border Breakers Award e o Prémio Amália Internacional.
"Mas antes de ser um Património Imaterial da Humanidade é um património nosso e isto não o podemos esquecer"
Mariza salientou à Lusa que apesar do "trabalho desenvolvido nos últimos seis anos, esta candidatura começou em 2004 com Pedro Santa Lopes [então presidente da Câmara de Lisboa]" que a convidou para embaixadora. A criadora de "Cavaleiro monge" referiu ainda o "excelente trabalho, muito importante" de Carlos do Carmo, o de Rui Vieira Nery, de Sara Pereira que "esteve de alma e coração" e "de todos quantos nela colaboraram".
"Mas antes de ser um Património Imaterial da Humanidade é um património nosso e isto não o podemos esquecer. É de todos nós. De todas as pessoas que o acarinharam", vincou a fadista.
Nascida em dezembro de 1973, em Moçambique, Mariza tem pisado os mais prestigiados palcos internacionais, entre eles, o Royal Festival Hall, o Barbican Centre e Royal Albert Hall, em Londres, o Carnegie Hall, em Nova Iorque, o Walt Disney Concert Hall e o Hollywood Bowl, em Los Angeles, a Sala Pleyel e o Olympia, em Paris, a Ópera de Sydney, a Ópera de Frankfurt, Le Carré e o Concertgebouw, em Amesterdão, ou a Ópera de Alexandria.
Em 2005 recebeu o Prémio Amália Rodrigues Internacional. Tinha anteriormente sido distinguida pela imprensa estrangeira em Portugal como Personalidade do Ano e recebido a Medalha de Ouro do Turismo de Portugal.
Candidatura foi lançada em 2004
A candidatura foi lançada em 2004 pelo então presidente da Câmara de Lisboa, Pedro Santana Lopes, que escolheu como embaixadores os fadistas Mariza e Carlos do Carmo.
A candidatura foi aprovada por unanimidade pela Câmara de Municipal de Lisboa no dia 12 de maio de 2010 e apresentada publicamente na Assembleia Municipal, no dia 1 de junho, tendo sido aclamada por todas as bancadas partidárias.
No dia 28 de junho de 2010, foi apresentada ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e formalizada junto da Comissão Nacional da UNESCO. Em agosto desse ano, deu entrada na sede da organização, em Paris.
Hoje em Nusa Dua, na ilha indonésia de Bali, o VI Comité Inter-governamental da UNESCO proclamou o Fado como Património Cultural
Imaterial da Humanidade.