Mário Machado estava em prisão preventiva quando escreveu: "As ideias são como os tratados: pouco vale firmá-los com a nossa tinta quando não somos capazes de confirmá-las com uma gota do nosso sangue". À citação de Ramalho Ortigão, acrescentou: "Eu estou a dar o meu sangue, espero que todos vós possam fazer o mesmo".
Na "carta aberta a todos os camaradas", Mário Machado apelava aos nacionalistas para não esquecerem o nome do rosto da "nova inquisição": a procuradora Cândida Vilar. O líder dos skinheads tinha acabado de receber a acusação assinada pela procuradora, estava convencido que ia ser libertado mas continuou preso e não aguentou a revolta. O Ministério Publico acusa-o de ameaça, coação e difamação.
A carta aberta foi publicada no Forum Nacional, espaço da Internet frequentado por skinheads, e a magistrada passou a ter protecção policial todos os dias. Machado descrevia ainda supostas conversas com um inspector da PJ que lhe teria dito que o processo era uma vingança pessoal: "O Mário tem de pagar por tudo o que o meu pai passou no Estado Novo".
Mário Machado está a ser julgado no Tribunal do Monsanto num processo que envolve mais 35 arguidos. São todos acusados de discriminação racial e ofensas corporais, entre outros crimes. Machado, que tem uma pena suspensa por extorsão, está em liberdade mas não pode sair da freguesia onde mora.