O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, desafiou hoje em Bruxelas a presidente do PSD a dizer quais as novas infra-estruturas que considera "supérfluas", em resposta às críticas de Manuela Ferreira Leite aos investimentos do Governo.
Domingo, em Guimarães, a nova líder dos sociais-democratas afirmou que "a vaga avassaladora de propostas de infra-estruturas que este Governo anuncia e de que o país nem sempre carece, e para os quais manifestamente não tem dinheiro, ficará para a história como um dos maiores erros políticos cometidos".
Sem referir infra-estruturas em concreto, a presidente do PSD afirmou que a política de investimentos públicos tem de ser muito criteriosa, pois "passada a glória dos anúncios e das inaugurações" fica "uma enorme factura a pagar" e "faltarão os meios para acudir às verdadeiras questões que afligem os portugueses", de "natureza social".
"As infra-estruturas só são feitas porque produzem riqueza, visam promover o desenvolvimento do país, para termos melhores condições para atacar os problemas sociais, e não o contrário. Por isso essas declarações não me parecem fazer sentido", contrapôs o governante.
Apontando a título de exemplo o investimento em auto-estradas, e desafiando Ferreira Leite a perguntar aos autarcas, "a começar pelos do PSD", se concordam ou discordam desses investimentos, Mário Lino admitiu não saber quais as infra-estruturas criticadas pela líder dos sociais-democratas.
"Talvez fosse bom, para clarificar, que a dra. Manuela Ferreira Leite esclarecesse os portugueses quais são os investimentos que ela acha que são supérfluos", disse, sugerindo que se pergunte "às pessoas que vivem em Trás-os-Montes se acham que a auto-estrada de Vila Real para Bragança é um luxo" ou "aos alentejanos o que pensam da importância da auto-estrada que liga Sines a Beja" ou ainda da requalificação da Estrada Nacional (EN) 125.
Mário Lino considerou ainda que a posição de Manuela Ferreira Leite "representa de alguma forma uma volta do PSD a um passado recente", afirmando lembrar-se, sem grande precisão, de um frase em 2002 do executivo então liderado por Durão Barroso, "que marcou muito o comportamento do Governo social-democrata nos tempos que se seguiram", e que era "qualquer coisa como "enquanto houver uma criancinha com fome não pode haver mais auto-estradas"", estabelecendo "uma ligação entre as duas coisas".
"As infra-estruturas não são um custo, são um investimento para o país. Se não investirmos ficamos mais pobres, temos menos condições para tratar das questões sociais", reforçou.