Marcha LGBT hoje em Lisboa
A 11.ª Marcha do Orgulho LGBT vai celebrar conquistas recentes e "recordar as muitas que ainda há por fazer", afirmou Salomé Coelho, da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), uma das 18 estruturas que organizam a iniciativa.
A marcha "vai ser um momento para celebrar as recentes conquistas - como o casamento entre pessoas do mesmo sexo - e para recordar que ainda há muitas outras por fazer, nomeadamente no que diz respeito à parentalidade e co-parentalidade e à adoção", declarou Salomé Coelho à agência Lusa.
Entre as reivindicações figura "a urgência de uma lei de identidade de género que permita responder célere às pessoas transgénero e transexuais" e "o acesso de lésbicas à procriação medicamente assistida".
No que respeita a esta questão, o Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida informou hoje que o acesso àquelas técnicas continua "legalmente vedado às pessoas do mesmo sexo casadas entre si", proibição que se manterá se não houver uma alteração legislativa.
Orgulho LGBT contra a homofobia
Salomé Coelho não quis, todavia, avançar qualquer comentário, assinalando que a marcha - ao ser organizada por entidades "com uma grande diversidade" de opiniões - "não tem posição em relação ao parecer".
Ainda de acordo com a representante da UMAR, a marcha "pretende ocupar o espaço público com o orgulho LGBT [lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros] por oposição à vergonha imposta pela homofobia, pela bifobia e pela transfobia", não sendo "esperadas nem desejadas" reações negativas dos transeuntes.
"Nos anos anteriores as reações foram muito diversas, mas a maioria de apoio à marcha, porque é um momento de ocupação pela diversidade e aquilo que se está a reivindicar são direitos humanos. Acho que essa mensagem passa, apesar de ser clara a homofobia e a transfobia no quotidiano", declarou à Lusa.
Visibilidade promove aceitação
A responsável disse também acreditar que "a crescente visibilidade das questões das pessoas LGBT também promove uma maior aceitação e uma maior consciência" de que a diversidade sexual é "um direito humano".
"Denunciar o facto de, pelo mundo fora, existirem sete países em que a homossexualidade é punida com pena capital e que em 93 outros qualquer pessoa pode ser julgada e punida com multa ou prisão por ser lésbica, gay, bissexual ou transgénero" é outro dos objetivos da marcha, que tem início sábado, pelas 17:00, no Príncipe Real, em Lisboa.
Entre as 18 entidades que organizam o evento contam-se, além da UMAR, SOS Racismo, Associação para o Planeamento da Família, Panteras Rosa, ILGA Portugal e Médicos pela Escolha.
Participam na organização pela primeira vez estruturas como o Núcleo LGBT da Amnistia Internacional Portugal ou o Grupo de Trabalho Identidade X/Y que integra o Sindicato Unificado da Polícia de Segurança Pública.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***


Baz Ratner/Reuters
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