19 de abril de 2015
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Herberto e Manoel

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Haverá um arbusto de sangue nas jovens mulheres dos filmes de Manoel de Oliveira? O arbusto fui buscá-lo a um verso de Herberto que o meu pelotão da Escola de Aplicação Militar de Angola ia murmurando nos 30 quilómetros de mato das marchas finais: "Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra e seu arbusto de sangue. Com ela encantarei a noite."  

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A freira de Marlon Brando

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Marlon Brando amou sempre mais do que uma mulher ao mesmo tempo. E ressonava. Não sei se a irmã Raphael, linda freirinha católica de um hospital de Los Angeles, algum dia ouviu Marlon Brando ressonar. E já estou a adiantar-me, quase a estragar a surpresa aos meus pacientes leitores.
  

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O sono de Manoel

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Manoel de Oliveira tinha 74 anos, acabara de filmar "Francisca", filme tão perverso como os filmes de amores torcidos, doentios, que tinham sido "O Passado e o Presente" ou "Benilde ou a Virgem Mãe", a onírica visão do camiliano "Amor de Perdição". A Cinemateca, ou o seu demiurgo, chamado Bénard, dedicou-lhe um ciclo e um catálogo, tributo ao criador que pensávamos em final de carreira. Oliveira teria mais uns poucos anos activos, dizíamos, sem saber ainda que ele era imortal.

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Morreu Lenine

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Os mortos estão a ver tudo. Essa ciência dos mortos, do que eles observam e gostam, aprende-se no cinema. Os mais cépticos deixam-se levar pelas prosaicas lições da vida e não acreditam em nada. Enganam-se. O morto que me convenceu foi William Holden. Está morto e flutua na piscina de "Sunset Boulevard". Virando-se para uma sala escura, virou-se também para mim e disse: "Tem piada como as pessoas se desfazem em gentilezas connosco, depois de estarmos mortos." Já podem ver que eles ouvem tudo. 

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A mulher autónoma

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Éramos só homens, centenas, e apareceu a mulher autónoma, senhora de si. Descobri a mulher autónoma, a que decide sobre a sua vida e sobre a sua solidão, aos 16 anos.Chamávamos-lhe o cinema dos sargentos e era num quartel, perto do colégio dos Maristas. Mesmo com pais civis e desarmados, a tropa deixava-nos entrar. Nessa noite, ao ar livre, num cinema que, se não fossem as filas e as cadeiras, podia muito bem ser um drive-in americano, apareceu na tela uma mulher. Conduzia uma dessas indiferentes stations yankees.    

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Não há beijos no rabo em Michelet

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Não foi por ter ido a Copenhaga de propósito escolhê-lo, mas o mais bizarro "melhor filme" que já vi foi "Heksen", um filme mudo dinamarquês, realizado pelo sueco Benjamin Christensen. "Heksen" é mais conhecido pelo subtítulo "A feitiçaria através dos tempos", e só não digo que foi um amor à primeira vista porque já o tinha visto, letra a letra, num livro que é o "mais estranho melhor livro" que já li.   

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Playboy

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O mau feitio nasceu com ele, mas Francis Coppola emprestou-lhe as cores da lenda. Falo de James Caan, que foi, no "The Godfather", o filho primogénito de Don Corleone, herdeiro de um império em que o crime e o amor à família se beijam na boca. Caan era Sonny, filho mais velho de Marlon Brando. E era um poço de virilidade e energia física que mal cabia nos três centímetros apertadinhos do seu cérebro, insofismável prova de que o tamanho conta.  

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O homem de Marilyn

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Na altura, roubava-se. Johnny Hyde roubou Marilyn Monroe a outro agente que nem desatava nem saía de cima. Foi Marilyn quem se pôs nas mãos de Hyde. Pôs-lhe nas mãos a nua perna direita. Hyde gozava as delícias epicuristas de 1947, no Racquet Club, em Palm Springs, e ouviu um loiríssimo grito vindo da piscina.    

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Minto com os dentes todos

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Por um bom sorriso, minto com todos os dentes que tenho na boca. Não sou só eu: a esquerda derrete-se por um pensamento mágico, a direita para se exaltar precisa de uma orgulhosa e solitária epopeia. E eu preciso de Garson Kanin. Kanin escreveu, filmou, fez o pino numa Hollywood de festas e piscinas, pernas a roçarem-se por baixo da mesa, Hollywood de muitas camas. Num livro, "Moviola", mistura tão bem a ficção e os factos que, no fim, já só pode ser tudo verdade.  

 

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A Dama de Xangai

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Honesto à sua maneira, bruto como as casas, Harry Cohn era o boss da Columbia, o estúdio de Rita Hayworth. A falsa ruiva era a sua pérola. Tinha aquela cabeça rubra toda em fogo, um corpo de fazer Nosso Senhor sair da cruz e uma forma de dançar que fazia de qualquer homem um Herodes. 

 

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