Manuel Pinho voltou à política
Manuel Pinho igual a si próprio. Confessou que, em 2009, quando se demitiu do Governo (na sequência de um gesto célebre que dirigiu ao comunista Bernardino Soares, durante um debate parlamentar), fez três promessas: nunca mais ir a um Telejornal; nunca mais participar num debate com políticos; nunca mais ir a um comício.
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O antigo ministro da Economia no Governo de José Sócrates tem cumprido as duas primeiras. Mas ontem à noite, em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, quebrou a terceira: "Não podia deixar de vir apoiar o PS e este primeiro-ministro", explicou.
Sorriso garoto, cabelo despenteado, Manuel Pinho pôs a assistência a rir quando ilustrou o chumbo do PEC IV pela oposição com uma metáfora futebolística: "Transformámos um livre direto num penálti". Ou quando confessou ter trabalhado no FMI durante a década de 1980: "Ninguém é perfeito".
E fê-la sorrir (sorriso amarelo) ao recusar uma vitória do PSD a 5 de junho: "Só quero que no domingo não pioremos a nossa imagem no estrangeiro ainda mais, ao eleger um primeiro-ministro que nem sequer foi secretário de Estado e um presidente da Assembleia da República que há dois anos era mandatário do Bloco de Esquerda ", disse, numa referência a Passos Coelho e Fernando Nobre.
José Sócrates "já tinha saudades"
Depois, numa alusão politicamente muito significativa para quem se diz não ser um político profissional, Manuel Pinho recuou aos tempos do Bloco Central entre o PS de Mário Soares e o PSD de Mota Pinto para justificar que "perante uma situação difícil há toda a vantagem em ter a maior unidade possível". O exemplo é transposto para a atualidade, para cimentar a convicção do ex-ministro de que "o nosso futuro depende de haver ou não unidade" e de que só o PS está em condições de garantir essa unidade.
A encerrar o comício, José Sócrates agradeceu a Manuel Pinho e confessou que "já tinha saudades" do seu ex-ministro. O líder socialista lamentou que o PSD recorra a "barões de segunda linha" para o atacarem pessoalmente - num referência indireta a Francisco Balsemão que, na véspera, num comício do PSD, lhe chamou "um velho ilusionista" - e, sem nomear, insurgiu-se contra declarações de Nogueira Leite à TSF.
O economista afirmara que renegociar a dívida é uma inevitabilidade. José Sócrates acusou o social-democrata de estar a "tentar chantagear o eleitorado" e contestou: "Renegociar a dívida significa não a pagar, entrar no conjunto dos países caloteiros".


Miguel A. Lopes/Lusa
«Não podia deixar de vir apoiar o PS e este primeiro-ministro», justificou Manuel Pinho
