26/05/2012 atualizado às 1:56
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Manual de instruções para um país

Caro leitor: se por acaso, mérito ou azar um dia tiver que governar um país em crise, siga estas regras. Não terá glória imediata, acenos à janela nem rotundas com o seu nome. Mas talvez se safe (a si e ao país), o que já não é nada mau.

Ricardo Costa (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 6 de maio de 2010

Se Portugal fosse um electrodoméstico, a esta hora José Sócrates estaria a revirar gavetas à procura do manual de instruções e a praguejar com os assessores por não o terem obrigado a ler o documento. Enquanto não o encontra, deixo-lhe estas dicas:

1. Olhe para o espelho e diga: "porquê eu"? Mas não espere pela resposta, não é boa para si.

2. Vá jantar fora com os amigos, ao cinema (o "Homem de Ferro 2" estreou anteontem) e durma uma boa noite de sono.

3. De manhã, leia os jornais estrangeiros. Não se refugie em Pessoa ou no Padre António Vieira para não achar que está num grande país. Não está.

4. Chame o ministro das Finanças e diga-lhe: agora só nós dois é que governamos.

5. Consolide a despesa dos ministérios e entregue tudo a autorização prévia das Finanças.

6. Crie um gabinete de crise.

A gestão de informação é vital.

7. Proíba conferências de imprensa de outros ministros. Só pode haver um discurso.

8. Faça uma lista de tudo o que vai cortar de imediato.

9. Anuncie tudo de uma vez.

10. Revele o impacto orçamental das medidas e anuncie metas claras. Os objectivos devem ser transparentes.

11. Suspenda o TGV, o aeroporto, a nova travessia do Tejo e as novas auto-estradas. Negoceie o adiamento com os consórcios. Se não aceitarem, litigue. O país está do seu lado.

12. Comunique à NATO que precisa de vender (ou ceder o renting) dos submarinos.

13. Suba o IVA um por cento.

14. Tente renegociar prazos de pagamento de alguma dívida, PPP, contratos de fornecimento externos e concessões.

15. Reestruture o sector empresarial do Estado, funda empresas e institutos. Reduza os custos variáveis em 20% este ano com um forecast obrigatório.

16. Não privatize nada enquanto a crise não passar.

17. Não desorçamente nada.

18. Tente financiar-se no mercado interno. É mais barato.

19. Proíba a candidatura ao Euro 2016 e à Ryder Cup.

20. Chame o FMI e diga que não quer nenhum empréstimo.

21. Diga o mesmo, por telefone, a Angela Merkel.

22. Chame as agências de rating e explique-lhes o plano.

23. 20 e 21 de Maio pague 6,9 mil milhões de dívida vencida.

24. Depois, com os mercados calmos, reforce o investimento no parque escolar e na saúde pública. Em tempo de crise vão ser mais procuradas do que nunca.

25. Apoie as exportações (mas esqueça a Venezuela).

26. Obrigue o Estado a ser modesto, sério e implacável.

27. Não leia Keynes por uns tempos. Mais vale ver a Oprah.

Texto publicado na edição do Expresso de 1 de Maio de 2010

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A regra nº1 do livro de instruções
JNv (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 23:19 | Quinta feira, 6 de maio de 2010
Sempre ouvi dizer aos meus avós e aos meus pais e, aliás, vem nos livros: para se ter dinheiro para gastar é preciso poupar. Até existe um ditado muito popular que diz “quem não tem dinheiro não tem vícios”.

A violação desta regra ao longo das últimas 3 ou 4 décadas foi motivada e incentivada pelos políticos, pelos bancos, pelos jornalistas, e pelo ambiente poderoso da sociedade de consumo que inundou o planeta, que se esforçaram até à exaustão a prometerem-nos um mundo cor-de-rosa de prazer e de ilusão.

E qual tem sido o resultado? Gente falida, famílias falidas, empresas falidas, estados falidos, em contraponto com um sistema financeiro muito lucrativo e alguns milhares de directores gerais e administradores executivos com elevados e imerecidos saldos bancários.

A regra nº1 do livro de instruções deveria ser sobre a poupança. A poupança interna não tem qualquer estímulo: o estado português continua a ser pressionado para pagar elevadas taxas de 5% ou ainda maiores ao mercado internacional em vez de pagar essas taxas aos investidores ou aforradores nacionais, os bancos continuam a viver à custa do dinheiro dos depositantes a quem pagam taxas miseráveis inferiores a 0,5%, etc.

Poupar, senhores. Poupar, poupar. Os jornais e as televisões poderiam ajudar civicamente nesta enorme e redentora tarefa, em vez de andarem só atrás de escândalos e mentiras, mistificações e exageros, pânicos e enviados especiais.
 
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Manual de instruções para um País
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 23:41 | Quinta feira, 13 de maio de 2010
E foi assim que o Salazar deixou ouro, mas tudo por fazer, o povo passava fome tinha de imigrar e havia uma guerra injusta, até mesmo para aquele tempo, eramos um País atrasado com um rendimento de 30% da média Europeia. Hoje com todos os problemas e não são poucos temos 75%, mas também autoestradas por tudo o que é sitio e todas as famílias têm automovel. Sonhamos com um TGV de Lisboa-Madrid, com uma TTT, e com um aeroporto em Alcochete de fazer inveja a qualquer um. Se o sonho comanda a vida deixem-nos sonhar, porque a esperança é a última coisa a morrer, mesmo que já tenha acontecido a estes projectos. Um dia quem sabe se não será possivel realizar o milagre, nem que para tal Nossa Senhora de Fátima seja chamada ao assunto. Gastamos o que não produzimos e o merceeiro bateu à porta para cobrar e acabou com o regabofe. O sonho foi lindo enquanto durou.
 
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IVA!
felicidade (seguir utilizador), 1 ponto , 1:24 | Quinta feira, 6 de maio de 2010
Essa do IVA, Não!
(para desgoverno já basta o que tenho!)
 
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No Parque Escolar???
Luís Bastos (seguir utilizador), 1 ponto , 14:45 | Quinta feira, 6 de maio de 2010
Por favor Caro Ricardo Costa
Reforçar o investimento no parque escolar?? Para fazer mamarrachos de arquitectura pseudo-pós-modernista a destruirem edifícios escolares que só precisam de reabilitação do que já está feito (respeitando os seus arquitectos originais)? Para fazer escolas gigantes que daqui por 15 anos, com a nossa evolução demográfica, estaremos a discutir se se devem fechar, demolir ou transformar em lares de idosos? Para dar mais "projectos" à parque expo ou sucedâneos e evitar a sua falência?
Essa da parque escolar foi um bom maná para manter tudo na mesma, entregue à lógica da "obra nova" com que há trinta anos se anda a dar cabo do país.
Digo eu, vá, pronto....
 
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Ricardo para 1º ministro, já!
pjcaldeira (seguir utilizador), 1 ponto , 16:02 | Sábado, 8 de maio de 2010
eh! eh! eh!
 
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Manual de instruções
Mjoao silva (seguir utilizador), 1 ponto , 16:25 | Sábado, 8 de maio de 2010
Caramba... o meu vem escrito em todas as línguas menos em português. Os números estão todos trocados. A etiqueta do IVA deve querer dizer LIVRA... livre, isento, verdadeiro, responsável,atento...
 
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Temos chatice
CãodaRosa (seguir utilizador), 1 ponto , 18:47 | Sábado, 8 de maio de 2010
De boas intenções está o inferno cheio e, este manual de boas práticas governativas, no dizer do seu autor, não passa disso de um escrito bem intencionado feito por alguém que se esqueceu que em Portugal o analfabetismo é uma realidade. Por isso, temos uma grande chatice, como é que os interessados na governação o vão ler se não vêem uma letra do tamanho de um boi, ou boy quer dizer.
 
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