24 de maio de 2013 às 0:19
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'Manif': Portugal não pode ficar a passo de Coelho

João Lemos Esteves (www.expresso.pt)

1. A maior manifestação de sempre desde o 25 de Abril - assim foi a manifestação de sábado que ficará inelutavelmente na história como a "manifestação de 15 de Setembro de 2012". Como a manifestação de um povo revoltado - e já não somente indignado - pelo ciclo da austeridade sem fim. Sem fim e sem justiça. É impressionante: desde o fim do guterrismo que, sucessivamente, temos ouvido falar de austeridade, da imperatividade de "apertar o cinto", da crise, do desemprego, dos sacrifícios absolutamente necessários para reformar o país...Isto tudo, invariavelmente, desde 2001. Passaram-se onze anos desde que a austeridade tomou conta do discurso político português. Onze anos! E cada dia, cada ano que passa, a situação de Portugal é cada vez pior. Por motivos de urgência financeira, a Educação foi sofrendo sucessivos cortes (uns meritórios, outros altamente criticáveis) - mas houve dinheiro para esbanjar em estudos, pareceres, projectos técnicos e até iniciar a construção de infra-estruturas tendo em vista a construção do TGV. O Serviço Nacional de Saúde que apresenta inúmeros problemas que têm de ser resolvidos, mas que constitui uma das conquistas mais nobres da nossa Democracia e tem, apesar de tudo, merecido o elogio de instâncias internacionais de saúde (e não só), é o objecto preferido das críticas da nova "geração de políticos". Já assisti a episódios lamentáveis de pessoas idosas a praticamente serem despachadas de hospitais para poupar tempo e dinheiro. É sempre o mesmo argumento: não há dinheiro para a saúde dos portugueses - mas há sempre dinheiro para dar uma ajudinha aos "coitadinhos" que fizeram milhões praticando ilícitos criminais gravíssimos à frente da gestão do BPN.

1.1. O Estado - ou seja, todos nós, contribuintes - gastou milhões na nacionalização deste banco para depois...vendê-lo a "preço de uva". O Estado praticamente ofereceu o BPN a um banco privado angolano. E lembre-se que a nacionalização do BPN gerou um buraco nas finanças públicas portuguesas que, em boa parte, provocou a catadupa de sacríficos que agora nos exigem. Tudo isto se passa, sem que a Justiça portuguesa tome uma decisão definitiva sobre os arguidos do caso BPN. Parece que os poderosos e ricos são inatacáveis. Parece que o Estado perde toda a sua autoridade quando se trata de atacar poderes instalados mais ou menos difusos. A EDP - agora vendida por Passos Coelho ao Estado chinês - lá vai facturando milhões, mantendo preços que oneram inexplicavelmente os cidadãos portugueses e as empresas portuguesas. Claro que os accionistas da EDP, no final do ano, lá distribuem dividendos chorudos à custa da economia nacional. Fala-se até, a este propósito, em figuras do regime. António Mexia, presidente da EDP, é uma figura do regime - fazendo um jogo de cintura política sem igual, Mexia consegue agradar ao PS, ao PSD e ao CDS. E a sua sedução política estende-se aos chineses (a língua e a diferença de culturas, quer política, quer geográfica, não são obstáculos para Mexia). Os Governos vão passando, mas a crise fica -e António Mexia lá factura mais uns milhões a liderar um empresa que funciona em regime de monopólio, sempre abençoada pelo Estado. São estas figuras de regime que mandam em Portugal. E Passos Coelho, que é tão forte para com os portugueses, para o cidadão comum, é fraco, muito fraquinho quando se trata de atacar interesses instalados - esses sim prejudiciais para o nosso futuro colectivo.

Fim da TSU até sexta-feira


2.O Governo de Passos Coelho tem de tirar rapidamente conclusões da enorme manifestação do passado sábado. Rapidamente e em força. Até ao final da próxima semana, Passos tem de remodelar o Governo - nem que seja apenas trocar Miguel Relvas por Jorge Moreira da Silva ou Luís Marques Mendes. E até sexta-feira, Passos Coelho terá de anunciar ao país que recuou na medida da TSU. Não há tempo para jogos políticos. Se o Governo não reagir até ao final da semana, perde as condições objectivas para continuar no poder. Desenvolveremos este ponto amanhã.

3.Por último, devo dizer que admiro os portugueses que saíram à rua no sábado. Perderam o medo de aparecer publicamente a lutar por ideais e convicções políticas. Perderam a vergonha de gritar que amam Portugal e que querem - sobretudo os mais jovens - trabalhar e viver nesta nossa ditosa Pátria. Nós não queremos sair de Portugal - a Pátria investiu em nós, na nossa educação; nós queremos retribuir colocando o nosso talento ao seu serviço. Porque o nosso sucesso individual, será o sucesso de Portugal - e o sucesso de Portugal será a confirmação do sucesso de cada português.

4. Diz-se que a voz do povo é voz de Deus. Pois bem, na questão da TSU, Deus (o povo) já falou: basta! É preciso recuar. Assim Passos Coelho tenha o bom senso de seguir a voz do povo. Que é voz de Deus.

Email:politicoesfera@gmail.com

Comentários 30 Comentar
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Tocadores de sino,
é o que Portugal tem mais.Mas quem acuda ao incêndio são cada vez menos!
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Passos Coelho anda à deriva!
Há uma linha que separa "sensatez de desfaçatez"!
Acho que o governo está a dar cabo do capital de confiança que granjeou nas últimas eleições. Ora, isso é mau, porque andamos á deriva.
À mediocridade socialista, restava-nos a coligação de direita que prometia por o país de novo no caminho certo.
Mas esse caminho está a ser feito só à custa dos mesmos. Assim não dá!
Passos Coelho não sabe ou não quer explicar as medidas que toma, o que é mau... e tem medo do quê?
Da falta de equidade?
Temo bem que não queira explicar porque também ele não saiba muito bem para onde vai!
Quando lhe perguntam porque não cortou ainda nas PPP's, na EDP e GALP, não sabe bem ou está ainda em estudo como e quando cortará. Está-se mesmo a ver que é nunca!!!
Diagnosticar os erros passados e atirar com as culpas para cima do seu antecessor, funciona bem durante um ano, mas não nos resolve os problemas.
...
Estamos perante nada menos do que o triunfo total e em toda a linha do próprio derrotismo. Neste momento a rua portuguesa sente que simplesmente não existem possibilidades de alguma vez ultrapassarmos a catástrofe. E isso é pior do que todas as derrotas que sofremos antes. Porque a certeza da derrota é também o garante da derrota. O derrotismo não é condição sine qua non para a derrota. Podemos perder mesmo com o maior dos optimismos. Mas é certamente condição suficiente. A minha maior revolta não é para com as dificuldades crescentes por que temos que passar. É sim para o fatalismo com que todos à minha volta olham para a certeza da destruição total do país. Sem alternativas, sem ideias, sem energia, sem sequer o sonho de um dia melhor.

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Manifestações para que? Qual a utilidade?
As manifestações são interessantes.

Mas de que serve a berraria, se não se apresenta nada de concreto?

A classe política sabe há muito que não gostamos da forma como os políticos desgovernam o País.

Mas a mesma classe política está tranquila, porque ninguém os incomoda com exigências de competências, seriedade, honestidade.

Ninguém os responsabiliza!

Ninguém pede contas à classe política!

E esta manhosa classe política, conseguiu convencer alguns que o juízo e a responsabilização, são o resultado dos actos eleitorais.

E pronto... fica as mãos, a alma e a consciência lavadas.

Pobre povo português que tão facilmente se deixa enganar...
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Governo inimputável
Pior que a incompetência , ignorância política é a inimputabilidade.

Cavaco Silva e os deputados da maioria que cumpram o seu papel como portugueses , porque já se viu que este governo são como ursos numa loja de doces , já não param por eles.

Excelente crónica!
Mais uma excelente crónica! Parabens., caro JLF.
Passos não é o problema
Este comentador pensa que se Passos se for embora tudo vai melhorar e acaba a austeridade. Está muito enganado, o próximo que vier vai fazer exactamente o mesmo.
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A TSU resolve -se com a frase do "Patrão":
Parafraseando o "patrão" realmente é mesmo a frase que pode ser aplicada aos "patrões":

BARDAMERDA E CALADINHOS.

ENTÃO BAIXA-SE-LHES O CORRESPONDENTE NA TSU EM 5,75% E VÊEM-SE QUEIXAR QUE NÃO LHES RESOLVE NADA?

Estão preocupados com o poder de compra dos seus trabalhadores? AUMENTEM-NOS !!!!!!

OU SERÁ QUE QUEREM QUE OS TRABALHADORES PASSEM PARA 4% E ELES PASSEM A PAGAR 30,75%?

Seria a solução justa para os trabalhadores.

Não querem esta solução? então

BARDAMERDA E CALADINHOS.

Ler mais: expresso.sapo.pt/como-um-patrao-classificou-a-austeridade-em-30-segundos-na-sic-not icias=f753054#ixzz26RqP0MCq
No comments!!!!
VIDEO ABSOLUTAMENTE OBRIGATÓRIO!!!!!!
www.tvi.iol.pt/videos/13700193

Estamos fartos de gatunos!!!!Devolvam-nos as nossas vidas!
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