24 de abril de 2014 às 11:57
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Rebeldes tuaregues declaram independência no norte do Mali

Movimento Nacional de Libertação de Azawad promete "respeitar as fronteiras com os países limítrofes". União Africana rejeita "totalmente" a proclamação e a UE deixa aviso.
Lusa

 Os rebeldes do Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA), importante componente da rebelião tuaregue no Mali, proclamaram hoje "a independência de Azawad", vasta região do norte do país.

"Proclamamos solenemente a independência do Azawad a partir de hoje", declarou Mossa Ag Attaher, em declarações à cadeia de televisão "France 24", que se comprometeu a respeitar "as fronteiras" que separam o Estado autoproclamado "dos países limítrofes".

"Temos uma cultura milenar de tolerância"


"Assumimos completamente o papel que nos incumbe para dar segurança a esses territórios", acrescentou Mossa Ag Attaher. "Temos uma cultura milenar de tolerância", de "não impor a ninguém nenhuma  religião (...) e vamos seguir assim", assegurou.

Azawad, que tem uma área semelhante à França e Bélgica juntas, é uma região considerada como o berço natural dos tuaregues.  

Golpe derrubou Presidente a 22 de março


A rebelião tuaregue, que se insurgiu a 17 de janeiro, foi o principal detonador do golpe que derrubou o Presidente, Amadou Toumani Touré, a 22 de março. 
 
Entretanto, a frente anti-junta no Mali, que agrupa partidos políticos  e organizações da sociedade civil, apelou às Nações Unidas para intervir  com urgência "para evitar uma catástrofe humanitária em Gao, cidade a norte  do país que está sob o controlo dos rebeldes e islamitas armados". 
 
Em Gao, a "população está sitiada e a ficar sem comida", alertou a frente unida para a salvaguarda da democracia e da República (FRD) num comunicado.


Reações

UE contra desafio à integridade regional


A União Europeia (UE) rejeita qualquer desafio à integridade territorial do Mali, alertou hoje a porta-voz da representante da diplomacia europeia, Catherine Ashton, depois da proclamação da independência da rebelião tuaregue.

"A União Europeia pronunciou-se claramente depois do início da crise a favor da integridade territorial do Mali", disse Maja Kocijancic.

"Enquanto a ordem constitucional não for restaurada, nenhuma solução poderá ser encontrada", alertou.

"A União Europeia apoia todos os esforços realizados pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para resolver essa crise e continuar a enviar ajuda humanitária para apoiar as comunidades carentes", acrescentou.

União Africana considera anúncio "nulo"


A União Africana (UA) rejeitou "totalmente" a declaração de independência do Norte de Mali, proclamada pelos rebeldes tuaregues, considerando-a "nula e sem valor".

O presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, disse em comunicado que a organização "condenou firmemente o anúncio, que é nulo e sem valor", e apelou à comunidade internacional para "apoiar plenamente esta posição de princípio de África".

França: declaração "não faz sentido" sem reconhecimento


A França defende que uma "declaração de independência unilateral" do norte do Mali "não faz sentido" se não for reconhecida pelos Estados africanos.

"Uma declaração de independência unilateral que não seja reconhecida pelos Estados africanos não faz sentido", disse o ministro da Defesa francês, Gérard Longuet, numa conferência de imprensa.

Na terça-feira, o chefe da diplomacia francesa, Alain Juppé, mostrou a oposição da França à reivindicação independentista do MNLA.

"Isso não é aceitável para nós, que estamos muito comprometidos com a integridade territorial do Mali", sublinhou.


Argélia "jamais aceitará"


Argélia também rejeita a declaração de independência, afirmando que "não aceitará jamais que seja posta em causa a integridade territorial do Mali" e propõe o "diálogo" para regular a crise que atinge o seu vizinho a sul, disse o primeiro-ministro, Ahmed Ouyahia, ao jornal francês Le Monde.

Numa entrevista ao jornal, o chefe do Governo argelino também se manifestou contra uma intervenção estrangeira.

"Somos a favor de uma solução que passe pelo diálogo", disse o primeiro-ministro, acrescentando que a "situação é muito, muito preocupante".

"A Argélia exige o restabelecimento da ordem constitucional no Mali. O CEMOC (que agrupa os Estados-maiores militares da Argélia, Níger, Mali e Mauritânia) está ativo. Vai reunir-se nos próximos dias em Nouackchott", anunciou.


Comentários 1 Comentar
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Coversa entre dois eurodeputados!
A-Epa os tuaregues andaram a rapinar no Mali e proclamaram a independência de uma porção do país!
B-Epa, isso é grave- E lá tem petróleo?
A-Não.Que eu saiba não!
B-Então não é assim tão grave!
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