26/05/2012 atualizado às 1:56
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Malditos factos

Diz-se que a nossa escola deixa para trás os mais pobres. Que a alternativa é o cheque-ensino e a liberdade de escolha, como na Suécia e na República Checa. Mas um relatório desmente a ideia feita. Pioraram com este caminho e Portugal melhorou.

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
8:00 Terça feira, 14 de dezembro de 2010

A teoria em voga tem sido esta: o nosso sistema educativo, tal como está desenhado, deixa para trás os mais pobres. A melhor alternativa seria a de instituir o cheque-ensino e, através dele, permitir o acesso de todos às escolas privadas. Garante-se liberdade de escolha, mais qualidade e mais igualdade de oportunidades. A solução seria milagrosa e já fora experimentada na Suécia. A sonhada liberdade de escolha também existiria na República Checa.

No final da semana passada saiu o relatório de Pisa, que faz uma avaliação dos vários sistemas educativos. Uma coisa aborrecida: socorre-se de números e de factos e não de postulados ideológicos.

Os dois exemplos não podiam ser mais claros: Suécia e República Checa (ver gráficos roubados ao blogue Câmara Corporativa ) viram os resultados escolares em ciências, matemática e leitura piorarem de 2000 até hoje, comparando os quatro relatórios de Pisa. Em Portugal melhoraram. Estavam os dois bem distantes de Portugal. Agora estão quase iguais. Ou seja, a receita milagrosa deixou-os muito pior. O nosso péssimo sistema deixou-nos muito melhor.

Outro dado interessante: se o nosso sistema prejudica os pobres e acentua as assimetrias, como se explica que sejamos o sexto país da OCDE (muito acima da média) e o décimo em 66 países analisados cujo sistema educativo melhor corrige as assimetrias socioeconómicas? Como se explica que sejamos um dos países em que maior percentagem de alunos pobres atingem excelentes níveis de desempenho em leitura?

O mal do monolitismo do debate político não é apenas a distorção democrática que provoca. É que permite que o discurso do mainstream não se dê ao trabalho de se basear em factos. Limita-se a repetir conversa estafada sem sequer pensar: o eduquês, o facilitismo, a degradação da escola pública. Pena existirem estudos e factos que estragam as potencialidades políticas desta narrativa.

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A Escola precisa é de PAZ
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 8:31 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
Mais relatório menos relatório vai dar sempre à propaganda do costume e para o lado que mais interessa a quem está no Governo.
Portugal precisa é de uma Escola que viva em PAZ e não em guerra permanente como até aqui.Essa é a tarefa principal de quem governa: criar as condições para que,quem lá ensina e quem lá aprende, atinja os objectivos que se esperam dela.
Essa é a obrigação da politica. dar a mão à Escola,aos Pais,aos alunos,aos Professores à Comunidade.
Caminhar com eles e aprender a caminhar com eles.
 
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    Re: A Escola precisa é de PAZ    Ver comentário
O abreu dá cá o meu (seguir utilizador), 1 ponto , 12:59 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
    Sócrates na idade da inocência?    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 16:52 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
DO
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:10 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
Penso que tínhamos de recuar mais um pouco, pois como podemos exigir mais se quem nos governa teve todo o facilitismo não podendo avaliar o esforço necessário para que se dê uma boa educação.
Pois se partimos de uma base que não temos de ter algum esforço para conseguir chegar a patamares que pela regra geríamos de ter está tudo dito.
Não estou contra a democracia mas sim o que ela nos permite por vias não legais chegar ao topo sem escrúpulos
 
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    Re: DO    Ver comentário
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 2 pontos , 12:44 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
    Re: DO    Ver comentário
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:47 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
    Re: DO    Ver comentário
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 15:14 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
    errata    Ver comentário
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 15:35 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
Diferentes relatórios
MSS1 (seguir utilizador), 1 ponto , 9:20 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
Antes de se avançarem conclusões a partir dos resultados destes estudos, convém averiguar as condições que o tornam (ou não!) válido. Se tivermos em conta os níveis de abandono escolar, certamente Portugal liderava essa triste tabela. Mas não, o Ministério da Educação tem optado por uma política de facilitismo, onde a mediocridade é privilegiada. Um exemplo disso são os níveis de dificuldade dos exames nacionais dos últimos anos (ferramenta essencial para o acesso ao ensino superior). Actualmente, mais do que nunca, é necessário apostar numa boa educação nas escolas públicas onde, para além de ser necesária uma boa reforma a nível das temáticas leccionadas, se deveriam transmitir valores (cada vez mais úteis) de empreendorismo e gestão.
 
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E porquê?
Ricardo37 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:25 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
Melhoraram mas foi por causa do impoluto, não tem nada a ver com cheques ou não. Hohohoho.
 
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últimos a rir
pejotita (seguir utilizador), 1 ponto , 10:39 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
Parece que foi bom Portugal ser (quase) sempre dos últimos países ditos "desenvolvidos" a implementar reformas, no caso a reforma do ensino com o tal "cheque-ensino" pois parece que não deu os resultados previstos pelos "liberais-reformistas", e a aposta do ensino vai voltar para a escola pública. Parece que os críticos deste sistema são fãs da máxima "chama aos outros antes que chamem a ti", dado que fartaram-se de chamar aos alunos nacionais de preguiçosos, chico-espertos, iliterados, irresponsáveis e mais sei-lá-o-quê e afinal são esses mesmo críticos tudo isto e muito mais pois não se dão ao trabalho de analisarem o que quer que seja. Mas pior de tudo é que os factos não os demovem de mudar um pouco os seus julgamentos acerca da evolução da educação dos alunos portugueses. Pelo que dão a entender, queriam e querem uma educação só para elites, só para quem é ou pode vir a ser de bom a excelente aluno e educados preferencialmente em colégios/seminários de renome e, claro, financiados pelo Estado com o tal cheque-ensino.
 
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Quais factos?
bonjardim (seguir utilizador), 1 ponto , 11:30 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
Afinal o "cheque-ensino "é ou não é o modelo vigente na Suécia e na República Checa?
 
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APROVAR AS MUDANÇAS INICIALMENTE TÃO CRITICADAS
Anamanacosta (seguir utilizador), 1 ponto , 13:21 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
A nossa escola em 2003 e 2006 fazia parte de um sistema educativo que a alunos diferentes oferecia o mesmo tipo de ensino. O que mudou foi a implementação de uma política de governo para a educação que levou à introdução de estratégias/recursos de actuação como o Plano da Matemática, o Plano Nacional de Leitura, o investimento nas novas tecnologias de informação e comunicação e o prolongamento do horário de funcionamento das escolas do 1º ciclo. Simultaneamente os professores passaram a estar mais tempo na escola, possibilitando as aulas de substituição e as parcerias pedagógicas. Foram estes projectos que tornaram a escola pública mais eficaz e melhoraram o sucesso escolar, diminuindo o abandono.
 
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    Re: APROVAR AS MUDANÇAS INICIALMENTE TÃO CRITICADA    Ver comentário
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 2 pontos , 14:48 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
Essa dos "factos" tem que se lhe diga
Cruzadas (seguir utilizador), 1 ponto , 15:38 | Terça feira, 14 de dezembro de 2010
Algo como um relatório, que têm centenas ou milhares de variáveis, ser considerado como um facto, tem que se lhe diga.

Se eu e o DO estivermos numa sala e eu comer uma laranja inteira, estatisticamente, para uma pessoa que não me tivesse visto a comer a laranja, esta diria e bem, matematicamente, que o DO tem uma probabilidade de 50% de ter comido a laranja.

Cuidado com os tais "factos". Principalmente quando o nível de exigência do nosso ensino, comparativamente com o dos outros países, estar longe de ser um "facto" mensurável com precisão.

Facto é o DO ser um esquerdóide, que ambiciona sentar-se no parlamento, um dia. Isso sim, é factual.
 
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