O exemplo de uma simples criada de um hotel de Nova Iorque, que levou à prisão
Dominique Strauss-Khan
, socialista francês e director do FMI, encorajou as mulheres francesas a apresentarem queixas nos tribunais por agressões sexuais.
Em poucas semanas, as queixas por assédio sexual, agressões e violações foram multiplicadas por sete em todo o país e os políticos não escapam ao fenómeno.
Dias depois do caso DSK, três funcionárias da Câmara de Draveil (região parisiense), presidida por Georges Tron, até há pouco tempo secretário de Estado da função pública, apresentaram queixa contra ele.
Massagens nos pés
Tron, que acumulava a função de governante com a de edil, demitiu-se da primeira mas manteve-se à frente da Câmara. Ao princípio da tarde de hoje foi detido, bem como uma sua adjunta, em Draveil pela polícia judiciária, para ser confrontado com as queixosas.
O político da UMP, partido do presidente Nicolas Sarkozy, é acusado de tentativa de violação por uma funcionária municipal e de agressão sexual por duas outras. As queixosas disseram à Polícia que ele lhes pediu, primeiro, para lhe massajarem os pés e que, depois, as tentou agredir sexualmente.
Apesar de ter sido obrigado a demitir-se do Governo, Georges Tron nega as acusações contra ele e recusou demitir-se da presidência da Câmara da região parisiense.
"Orgia pedófila em Marraquexe"
Depois do escândalo com DSK, que continua a aguardar julgamento em Nova Iorque, rebentou em França um terceiro caso envolvendo políticos, que deu igualmente origem a um processo judicial: Luc Ferry, filósofo e ex-ministro da Educação, próximo de Nicolas Sarkozy, acusou "um ex-ministro" de ter sido preso, em Marraquexe, no início deste século, "numa orgia pedófila com rapazes".
Segundo Ferry, que tal como responsáveis da polícia secreta, já foi ouvido pelos investigadores de Paris, diz que o caso foi na altura abafado pelas autoridades francesas e marroquinas.
O ministro visado seria Jack Lang, figura de proa da época dourada do socialismo francês durante a presidência do falecido François Mitterrand.
Lang reagiu de imediato às acusações, ameaçando com processos "todos os que evocassem o seu nome" em relação com este último caso.