26/05/2012 atualizado às 1:56

Mais de 100 mil cães infectados com leishmaniose

Queda de pêlo, emagrecimento, apatia e crescimento exagerado das unhas são alguns dos sintomas da leishmaniose canina.  Luís Madeira de Carvalho, médico veterinário e membro do Observatório Nacional das Leishmanioses (ONLEISH), escreve sobre esta doença.

Luís Madeira Carvalho
14:45 Sexta feira, 14 de agosto de 2009
Luis Madeira Carvalho é médico veterinário e membro do Observatório Nacional das Leishmanioses (ONLEISH)
Luis Madeira Carvalho é médico veterinário e membro do Observatório Nacional das Leishmanioses (ONLEISH)

A Leishmaniose Canina é uma doença parasitária infecciosa causada por um mosquito, o flebótomo, também chamado de "mosca da areia". Trata-se de um insecto pequeno, de 2 a 3 mm, com uma coloração cor de palha que transmite a doença aos cães, a animais silvestres como a raposa, mas também ao Homem.  

Normalmente, a Leishmaniose Canina surge em cães com mais de 1 ano de idade e mais frequentemente em animais de pêlo curto ou que vivem no exterior. Frequentemente o cão tem um aspecto saudável, mesmo já estando infectado, e os primeiros sintomas surgem já numa fase mais avançada da doença.

O parasita multiplica-se na pele, na medula óssea, no baço, no fígado e nos linfonodos, originando um quadro de sintomas tardio, de progressão lenta e muito variável. Os sintomas mais comuns são a queda de pêlo; emagrecimento; fraqueza geral; apatia; febre irregular; feridas cutâneas persistentes que não cicatrizam, aumento exagerado das unhas (Leishmaniose cutânea); dilatação do fígado ou do baço; diarreia e vómitos (Leishmaniose visceral).  

O maior risco de infecção está directamente relacionado com a época activa do insecto transmissor que começa com o início do calor - normalmente em Abril, estendendo-se até Outubro. Em anos mais quentes pode iniciar-se em Março e terminar em Novembro. 

Recentemente, o Observatório Nacional das Leishmanioses, com o apoio da Intervet Schering-Plough, realizou um rastreio nacional a mais de 4000 cães, e concluiu que na amostra estudada existe uma prevalência total de 6%, o equivalente a cerca de 110 mil cães infectados, se os dados do estudo forem extrapolados para o total da população canina em Portugal. Foram abrangidas 53 Cidades e Vilas, sendo que Beja, Castelo Branco e Portalegre são os três distritos mais afectados, com uma prevalência superior a 10%.  

Este estudo dá-nos um real conhecimento da infecção no nosso país, da sua distribuição pelo território nacional no mesmo período de estudo e permite dar uma resposta mais adequada às necessidades de cada região. Pretende-se que as conclusões desta investigação possam esclarecer e sensibilizar as populações para a Leishmaniose Canina.

Ao sensibilizarmos as entidades mais envolvidas no combate à doença, estamos a proteger os cães da doença. Estudos sobre o aquecimento global e a evolução climática mostram que há uma tendência para o alargamento das zonas endémicas para áreas mais a norte.

A Organização Mundial de Saúde recomenda que perante este quadro os países devem colocar rapidamente em prática sistemas de alerta e de controlo que permitam proteger as populações desta e de outras patologias infecciosas directamente afectadas pelo aumento da temperatura global. 

É recomendado que se encoraje os donos dos cães a colocarem nos seus animais as coleiras impregnadas de deltametrina. A utilização destas coleiras poderá reduzir o contacto entre o Flebótomo e os cães, de tal forma que poderá diminuir o risco de transmissão ao Homem e a outros animais.

Os proprietários de cães melhor esclarecidos permitirão, pelo menos, uma redução do crescimento da prevalência desta doença.  A evolução da Leishmaniose Canina deve ser seguida de perto, pois constitui um risco para a Saúde Animal e para a Saúde Pública.

Para saber mais sobre esta doença, deixo aqui o site www.onleish.org .  

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Teoria da conspiração...
mpreto (seguir utilizador), 1 ponto , 17:17 | Sábado, 15 de agosto de 2009
Não sou muito dado a teorias da conspiração, mas ouvi dizer (de fonte veterinária bastante segura), que a cura para esta doença já podia estar no mercado, mas que apenas não está, porque os laboratórios ganham mais com o tratamento actual que prolonga a vida do animal sem no entanto nunca o curar.
 
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