Perante o efeito alemão (o imposto extraordinário de Passos & Gaspar), convém olhar para as causas gregas. Sim, nós não somos a Grécia, pois claro, mas temos dentro de portas situações de abuso bem gregas, situações que revelam como o Tesouro público é um alvo fácil para lóbis e sindicatos com a lengalenga dos "direitos adquiridos" na ponta da língua. Repare-se, por exemplo, na CP. Os trabalhadores da CP, aqueles senhores que estão sempre em greve, são muito bem pagos. Muito - mas mesmo muito - acima da média nacional.
O meu exemplo favorito é o dos revisores, aqueles senhores que têm a magna e difícil tarefa de picar os bilhetes. Bom, como é preciso tirar um phd para picar bilhetes, estes senhores têm um vencimento anual acima dos 30 mil euros. Mais do que um jovem médico, por exemplo. Medicina? Ná, isso está sobrevalorizado. Ser um pica com salário de Einstein é que é. E também é muito divertido saber que, no total, os trabalhadores da CP têm cerca de 200 itens que permitem a engorda do seu salário. Por exemplo, "só por se apresentar ao trabalho, cada maquinista recebe mais de seis euros por dia, devido ao subsídio de assiduidade".
A minha mãe queria que eu fosse médico. Como é óbvio, a minha madrecita estava completamente enganada. O que está a dar é ser revisor ou maquinista da CP. E, já agora, também não é mau ser secretária do Metro. Nesta excelsa organização subterrânea, uma senhora secretária recebeu 65 mil euros em 2009.
Para quê estudar a sério, meus amigos? Para quê estudar quando se pode entrar num bom sindicato, um daqueles que está sempre a fazer chantagem sobre os governos, um daqueles que capturou por completo o Tesouro?
PS: teremos muitos impostos especiais pela frente enquanto estes e outros abusos não forem atacados. Está aqui
outro bom exemplo.
PS 2: ao invés do governo Sócrates, o governo Passos Coelho tem de mexer a sério no Estado (administração central e, sobretudo, administração local e empresas públicas como a CP) e no Estado paralelo (as fundações, os institutos, etc.). Se isso não for feito, este imposto extraordinário será o primeiro de muitos. Já chega.