O plano de ajustamento financeiro da Madeira apresenta razões suficientes para criar um "sentimento de grande revolta" por ser "extremamente violento", alertaram hoje os sindicatos da região.
O dirigente da UGT-Madeira Ricardo Freitas reconheceu que "haverá um sentimento de grande revolta" perante as medidas constantes do plano, sublinhando, contudo, ser preferível o resgate financeiro da região à "falência ou bancarrota".
"Perante uma situação de bancarrota, de incumprimento, que seria um caos completo, bem-haja qualquer plano de assistência", comentou o sindicalista, convicto de que vai "acarretar para todos os contribuintes uma taxa de esforço superior àquela que se realiza em todo o território nacional".
"Há todas as razões para haver mais contestação"
"Há todas as razões para haver mais contestação, mas, aqui na Madeira, o povo é sereno e, como diz o presidente do Governo Regional, há sempre paz social", disse à agência Lusa o dirigente da União dos Sindicatos da Madeira (USAM) Diamantino Alturas.
O responsável da estrutura afeta à intersindical CGTP admitiu que a população só "vai cair na realidade" a partir de abril, quando sentir o efeito do aumento do IVA, por exemplo, nas carteiras.
A Região Autónoma da Madeira irá receber 1.500 milhões de euros de financiamento através do seu plano de ajustamento da parte do Estado, tendo 15 anos para pagar o empréstimo e uma taxa de juro igual à da 'troika', anunciou na sexta-feira o presidente do Governo Regional.
De acordo com Alberto João Jardim, o empréstimo vence em 2031, mas a Madeira só tem de começar a amortizar capital daqui a quatro anos, ficando assim com 15 anos para o pagar.
"Uma perda completa da autonomia"
Enumerando algumas das medidas no plano, "sem agenda de crescimento" e com "privatizações que irão criar desemprego, cortes terríveis na saúde e mobilidade especial que até ao momento não existia na região", o responsável da UGT reconheceu que a Madeira tem garantido "um aumento dos despedimentos, uma grande dificuldade de satisfação dos compromissos assumidos e uma perda completa da autonomia".
"Mais desemprego, mais precariedade, mais pobreza, região sem capacidade de crescimento, isso não é receita nenhuma, é uma falência controlada", declarou, reconhecendo que, ainda assim, "é melhor controlada que abrupta".
Ricardo Freitas lembrou que no caso da Madeira "não há heranças governativas", pelo que a responsabilidade é apenas de Alberto João Jardim, "Os madeirenses têm de se convencer que Alberto João Jardim, que era o Menino Jesus, já nem sequer é pai Natal", comentou Diamantino Alturas, defendendo que acabou o ciclo em que o "povo madeirense se habituou de que vêm sempre subsídios para salvar tudo".
O dirigente da USAM manifestou ainda preocupação com a possibilidade de o empréstimo "não chegar para tudo" e a "Madeira ficar, novamente, de mãos a abanar", referindo que as necessidades financeiras apontavam, inicialmente, para mais do dobro do valor ajustado com o Governo central.
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