O secretário regional dos Assuntos Sociais, Francisco Ramos, fez hoje um novo balanço das vítimas das enxurradas na Madeira: 40 mortos, 70 feridos e 248 desalojados. O número de desaparecidos ainda é indeterminado. Esta é já considerada a maior catástrofe natural na região nos últimos 100 anos.
"Vamos continuar a prospeção de corpos, estamos à espera das equipas que vêm do continente para continuar a trabalhar no terreno", disse.
O secretário regional apelou ainda para que as pessoas se mantenham em casa para os trabalhos de resgate e recuperação possam decorrer com tranquilidade.
Um avião C-130 parte da Base Aérea do Montijo às 10h00 com uma equipa de 43 elementos - seis mergulhadores da Força Especial de Bombeiros "Canarinhos", cinco elementos do Instituto de Medicina Legal, dois do Grupo de Intervenção Proteção e Socorro com dois cães e 30 agentes da PSP.
No avião militar seguem ainda para a Madeira 400 quilos de material da PT.
Tempo melhorou mas reina o caos
Várias localidades isoladas sem água nem luz no Funchal e da Ribeira Brava, muitas casas e carros destruídos, estradas interditas ao trânsito e um rasto de lama são os sinais materiais visíveis do temporal que assolou sábado a Madeira.
A chuva continua a cair mas com menos intensidade, pelo menos no Funchal, e as máquinas trabalham incessantemente na remoção de entulhos e pedras no centro da capital madeirenses, sobretudo nas zonas do Mercado dos Lavradores, Rotunda do Dolce Vita, Avenida do Mar, da Arriaga e das Comunidades Madeirenses.
Contacto por via rádio
As ribeiras cidade estão cheias e as águas lamacentas continuam a correr com força.
Alguns transeuntes circulam nas áreas mais afetadas entre os destroços para recolher imagens e observar "in loco" os prejuízos que lançaram o caos na cidade.
Entre as localidades em que as populações isoladas fazem apelos por ajuda, estão o sítio das Eiras no Monte, da Serra d'Água, Furna e Pomar da Rocha, bem como na costa norte entre S. Vicente e Porto Moniz, e as comunicações continuam a ser difíceis.
O contacto de alguns deste sítios acontece apenas via rádio, tendo alguns residentes manifestado esperança na chegada das pontes militares que deverão chegar à madeira ao fim da manhã no C-130.
Normalidade regressa ao aeroporto
No Aeroporto do Funchal, o movimento decorre com normalidade, já aterraram alguns aviões e o quadro de informações confirma os vários voos sem qualquer indicação de atraso e ou cancelamento.
Nesta infraestrutura aeroportuária, algumas equipas de futebol regional aguardam por indicações das federações sobre a realização dos jogos que foram cancelados.
A circulação na via rápida faz-se sem problemas, apesar de alguns dos acessos à cidade do Funchal estarem encerrados, casos da Pena e do Jardim Botânico.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Direcção do Expresso
O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.
Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.
O facto de a agência Lusa adoptar o Acordo, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.
Pedimos, pois, a compreensão dos nossos leitores.